“Cancelar ou não cancelar? Eis a questão”. A relação de todo serie maníaco com sua série preferida beira uma tragédia shakesperiana. Quando certas produções são renovadas infinitamente, o prazer de acompanhar o desenvolvimento de nossos personagens preferidos acaba se transformando na dor de vê-los descuidados, se envolvendo em situações e plots que não fazem jus ao que já foram um dia.

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Essa relação amorosa, que mistura prazer e dor, acaba levantando dúvidas existenciais como as do começo deste post. Até que ponto vale a pena insistir com uma série, quando se torna evidente seu desgaste?

É a respeito disso que a equipe do Serie Maníacos se propôs a fazer com o Top Séries que ficaram no ar mais tempo que deviam. Nosso time de reviewers selecionou, votou e chegou a dez séries que se encaixam nesse caso.

The Big C, Grey’s Anatomy, How I Met Your Mother, Weeds e House, nessa ordem, ocuparam os 10º, 9, 8º, 7º e o 6º lugar.

Abaixo, segue a lista definitiva com outras cinco séries que tiveram cancelamento tardio.

5º – Dexter (por Raquel de Meneses)

Dexter tinha tudo: a premissa inédita de que nem todo assassinato é necessariamente algo ruim, um ótimo elenco, uma trilha que merece seu destaque, aquela incrível abertura e uma ótima história, o que é sempre mais importante.

A primeira temporada constrói lindamente o personagem e nos mostra tudo que precisávamos saber sobre o que o fez se tornar aquele homem. E isso foi suficiente para a audiência ver-se seduzida por um serial killer, torcendo por ele e aliviada com as esporádicas fagulhas de humanidade que nos faziam sentir menos culpados por ser tão fácil se identificar com aquele homem que dá vazão a instintos tão naturais e comuns a todos, ainda que repreensíveis e imorais, instintos que morrem nos sonhos e desejos secretos de uma pessoa comum.

Primorosa, redonda, a 1ª temporada foi memorável e por tanto, subiu o sarrafo para as seguintes. Na minha humilde opinião, a 2ª e 3ª temporada não foram tão redondas ou cativantes, mas a experiência de confiar em outra pessoa e ter um amigo em Miguel e o caso com a piromaníaca exploraram mais facetas do nosso assassino querido. Não foram ruins, não estou dizendo isso, mas não superaram a primeira.

Mas tudo bem. Calma, tá tudo bem agora. Porque tivemos a quarta. A quarta mind-fucking-esqueci-de-respirar-my-eyeeeees-my-eyeeeeess temporada. Com o melhor antagonista ever interpretado por John Lithgow, o roteiro era de tirar o fôlego e fazer qualquer fã agonizar até o episódio seguinte, até o episódio final, aquele que redecorou o teto da minha sala com pedaços de cérebro para combinar com a fatídica banheira.

Depois disso, nenhuma delas fez tão bonito. A série que era tão redondinha e livre de buracos, por vezes se metamorfoseou em peneira. Dexter foi se distanciando cada vez mais do cara lá da 1ª temporada e por mais que eu não tenha nada contra seu crescimento, acho que ele está paquerando perigosamente com a descaracterização. Sem falar nas histórias paralelas que não levaram a lugar nenhum, só desperdiçaram nosso tempo. Nem Jordan Chase, nem Travis/Dr. Geller chegaram perto de nos fascinar como o Trinity. Desculpem, mas é impossível não comparar.

Alta expectativa é o preço que se paga por ser bom e Dexter já foi muito melhor que isso. A boa notícia é que a série terá só mais 2 temporadas e saber a data de despedida nos dá esperança de um fim digno à série. Dexter merece esse tanto.

4º – Supernatural (por Thiago Pereira)

Aparentemente, titio Kripke tinha um plano de cinco anos com Supernatural. Dentro deste tempo, ele conseguiu criar a mitologia da série de forma gradual, onde podemos dizer que até sua quinta temporada obteve-se certa coerência em sua trama, na maior parte do tempo.

Um dos problemas de Supernatural, e um óbvio sinal de desgaste, como por exemplo, o excesso de tramas recorrentes. As primeiras temporadas ficavam naquele morre-não-morre, ressuscita-não-ressuscita. Os Winchesters ressuscitaram tantas vezes que fariam inveja até mesmo a Jesus Cristo!

Mas o caldo desandou mesmo a partir da sexta temporada. A partir daí o negócio virou uma salada, nada mais era tão interessante quanto antes. Sam e Dean já impediram o fim do mundo e colocaram Lúcifer no lugar dele, literalmente, nos quintos dos infernos, então o que sobrou agora? A sexta temporada foi ruinzinha com aquele plot insosso do Sam sem alma, criaturas alfas e a única coisa que poderia render, foi muito mal explorada, que era a guerra civil celestial. Aí quando você pensa que a coisa não pode piorar, vem a sétima temporada e…

E aí vem a sétima temporada, né. De uma só vez eles perderam dois personagens de peso: Cas e Bob. O primeiro quase não apareceu, e o segundo morreu, virou Gasparzinho, O Fantasminha Camarada e depois morreu de verdade. E os Leviatãs, ah, os Leviatãs! Nem me deixem falar deles. Não foram só a pior criatura apresentada em Supernatural, como foi um dos piores plots que eu já vi em qualquer série. Eles simplesmente não me empolgaram, não me convenceram, e a sétima temporada só não foi perda total por apresentar fillers interessantes, como Time After Time, por exemplo.

É por essas e outras que Supernatural já deveria ter sido morto, cremado e suas cinzas terem sido jogadas aos Leviatãs. Ah, os Leviatãs! Nem me deixem falar deles…

3º – Smallville (por Isaque Criscuolo)

Nunca na história de uma série um protagonista precisou de tanto tempo para se dar conta das próprias responsabilidades. Inúmeros episódios reflexivos/filosóficos a respeito da origem do herói de aço foram produzidos em Smallville, justamente para esclarecer o propósito de tudo que estava acontecendo. Clark, nosso querido alienígena caipira, passou dez longos anos indo e vindo entre amores, distúrbios, vilões e surpresas. Tempo demais.

O plano de Alfred Gough e Miles Milar era contar as aventuras do jovem Clark Kent em sete temporadas. A ganância da CW permitiu que a série fosse adiante sem os seus criadores, caindo em inúmeras armadilhas que deixaram a audiência bem, bem baixa. Ainda assim, com erros de percurso, Smallville finalizou suas aventuras de forma digna, de acordo com os fãs mais dedicados (eu). Poderia nos ter poupado a paciência.

A trama da série se manteve interessante até o fim da quinta temporada. Sexta, sétima e oitava temporadas foram o que costumo chamar de ‘limbo’. Os acontecimentos mais bizarros aconteceram nesse período. Exemplos: Chloe com poderes de meteor freak, Lana com nanotecnologia que lhe dava poderes iguais ao do Clark e o casamento dela com Lex. As duas últimas temporadas, entretanto, recuperaram o fôlego e finalizaram a viagem com maestria, deixando um gostinho de quero mais.

Gostinho provado. A décima primeira temporada da série está engrenada, em quadrinhos, e promete mais emoções para os fãs. Inclusive, com a merecida/polêmica/esperada aparição do Batman.

A trajetória de altos e baixos fez da série mais um exemplo do que não deve ser feito para enrolar expectadores. Ainda assim, (os fãs vão concordar) ter mais de 200 episódios de minha amada série não é algo que eu deva reclamar. Só gostaría que o voo tivesse sido mais objetivo.

2º – Two and a Half Men (por Matheus Tafner)

Two and a Half Men pode ser uma das comédias mais bem sucedidas da atualidade, mas o nível de qualidade da série está lá embaixo. A verdade é que Men só foi uma série realmente boa nas duas primeiras temporadas. A partir da terceira, já ia ficando cada vez mais difícil acompanhar. As mesmas piadas se repetiam diversas vezes episódios após episódios, as situações também foram se tornando repetitivas e clichês e nunca havia algum grande acontecimento que pudesse modificar e recriar a atmosfera da série. A verdade é que a série caiu em um poço de falta de criatividade, e muitos plots e piadas das temporadas recentes são reciclados e reciclados das anteriores.

Como se já não bastasse essa terrível queda na qualidade da série, o sempre polêmico Charlie Sheen causa sua saída da série e é substituído por Ashton Kutcher, o qual tem somente a função de ficar sem camisa em quase todos os episódios. Alguém tem algum motivo para dizer porque TAAHM durou mais do que, no máximo, 4 temporadas?

1º – Heroes (por Juliana Apfelgrün)

Nesse Top tivemos exemplos de algumas produções que foram sensacionais, que inclusive conseguiram revolucionar o mundo de séries que conhecemos. Mas Heroes não se encaixa em nenhum desses aspectos e em nenhum outro parecido que outras séries já listadas aqui tiveram. A pergunta fica: então por que a “obra-prima” de Tim Kring está em primeiro? Fácil, eu nunca vi uma série decepcionar tanto seus fãs como Heroes. A premissa diferente, com um vilão realmente temível, personagens interessantes e a ideia do que a série poderia se tornar, entre outros fatores, fizeram com que as expectativas criadas em torno dela fossem imensas. E como diz o ditado, “quanto maior a altura, maior a queda”!

A primeira temporada de Heroes é de fato a única que posso salvar. Com um enredo bem amarrado, personagens interessantes e a sua história principal bem definida, não há reclamações para a mesma. O problema começou a partir da season finale. É aí que a série desanda. Soluções fáceis foram criadas para resolver problemas anteriormente criados e a introdução de inúmeros e irrelevantes personagens, junto com a desfiguração dos protagonistas, somaram-se a uma história que só conseguia andar em círculos. E aí não teve mais jeito, o que foi muito bom se tornou em algo muito ruim.

Apesar disso, dei uma de masoquista e consegui assistir a série até o final. E para você que parou de assistir antes da quarta temporada (ou volume cinco), eu te digo uma coisa, ela conseguiu ficar pior. Quando o enredo se voltou para o circo comandado pelo Samuel Sullivan, o que era muito ruim ficou ridiculamente insuportável. Sou traumatizada até hoje com aquele que, para mim, foi umas das piores temporadas que já existiram em todas as séries. Sem exagero, é de chorar com uma coisa daquelas! Mas por mais que a minha decepção com Heroes seja enorme, a lembrança da sua ótima primeira temporada e de toda a emoção que me fez sentir por um breve período, são o que se sobressaem, felizmente. E, é claro, nunca esquecerei: “save the cheerleader, save the world”.

Você concorda com nossa lista? Qual série ficou de fora? Qual não deveria ter sido citada? Conte para a gente as suas preferências.

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