Um brinde a mediocridade.

Spoilers Abaixo:

Duas coisas me animaram a conferir Sullivan and Son: a primeira delas é obvia para você que também cresceu nos anos 80/90 e estava com saudades do papai Jack Arnold de The Wonder Years. É impressionante o sentimento de nostalgia que o sorriso de Dan Lauria proporciona. O outro motivo foi pela boa surpresa que tive recentemente ao acompanhar Men at Work, comédia original do mesmo canal de Sullivan and Son, que mostrou a capacidade da TBS em desenvolver algo de qualidade, que não chega a ser inovador, mas que diverte.

Na série, Steve Sullivan (Steve Byrne) é um advogado de sucesso em New York, que retorna para visitar sua cidade natal em Pittsburgh junto com a namorada para comemorar o aniversário de 60 anos de seu pai Jack Sullivan (Dan Lauria), um descendente de Irlandês que se casou com uma Coreana durante a guerra, dono de um bar que está na família Sullivan há meio século. Durante a festa de aniversário, Jack anuncia que vai vender o bar e se aposentar, porém Steve decide largar tudo para trás, comprar o bar dos pais e manter o Sullivan and Son na família.

Não fique preocupado pelo fato de o personagem principal abandonar a namorada e a vida em New York com a mesma facilidade que se abre uma garrafa de cerveja. Coerência aqui é bobagem. O importante é notar que as principais tentativas de humor em Sullivan and Son, são fortemente apoiadas nos estereótipos raciais e étnicos, tema que provavelmente também sustenta metade das comédias na TV ou cinema e que se forem bem trabalhados, pode resultar em um material bastante divertido.

O episódio piloto não cansa de te lembrar que Steve é meio Irlandês, meio Coreano, e ainda nos dois primeiros episódios, as referências e tentativas de piadas por sua descendência dupla são exploradas a exaustão. Além disso, os clientes do bar são formados basicamente por um árabe, um negro, um idiota, um velho racista, uma tiazona vulgar, a irmã chata, a paixão de Steve da época de adolescente e mexicanos. Você já imagina o milk-shake de clichês baratos e piadas datadas que foram vomitas nos episódios de estreia.

Sullivan & Son foi criado pelo próprio protagonista da série interpretado por Steve Byrne e por Rob Long. O primeiro é um comediante de stand-up, filho de uma Coreana e um Irlandês, que usa muito da sua experiência crescendo em um lar multicultural durante as apresentações de stand-up. Rob Long foi um dos produtores de Cheers, ou seja, eles se juntaram e resolveram criar algo familiar para os dois. No papel pode até fazer sentido, mas a execução acabou colocando a série em um limbo em que ela não é nem ousada e inteligente como Louie e nem baixo nível e grosseira como 2 Broke Girls, estilos que atualmente fazem sucesso. Ao invés disso, Sullivan & Son se afoga nos clichês e se perde em meio às diversas piadas étnicas bobas.

 Já no segundo episódio, Steve tem problemas com o inspetor sanitário, o bar fecha, os frequentadores ficam desolados sem ter para onde ir, o personagem tapado descobre seu potencial infinito por não estar frequentado o bar todos os dias, o mexicano sugere uma rinha de galo no fundo do bar, a irmã chata está surtando por ter a mãe durona em sua casa, Steve vai preso e antes de o episódio acabar, o velho fez mais um comentário racista, a tiazona vulgar fez piada de pinto, o personagem tapado voltou a ser tapado, o bar reabriu e você está com uma enorme dor de cabeça. Dois episódios de Sullivan & Son são o suficiente para causar ressaca.

Artigo anteriorAnger Management – 1×05: Charlie Tries to Prove Therapy is Legit
Próximo artigoAudiência USA – 13/07 a 19/07