C’mon!

Spoilers Abaixo:

Quando o espectador depara com um episódio natalino intitulado “Afternoon Delight”, é fácil imaginar um raro momento de doçura utilizando a família Bluth como centro. Entretanto, a série em questão é Arrested Development, a mesma que adora utilizar um clichê para satirizá-lo até a última gota, fazendo com que aqueles que vão com uma ideia pré-concebida sobre o que será o episódio recaiam na mesma surpresa que as duplas de karaokê.

Arrested Development, como toda comédia sensacional, é uma série que sempre possuiu a capacidade de construir várias histórias e situações estranhas para os seus personagens e encapsulá-las em torno de determinado evento, construindo uma ligação sólida entre os membros da família Bluth mesmo a premissa da série se baseando em como eles são insuportáveis uns para os outros não importa a situação. Mesmo possuindo várias vertentes pode-se falar de maneira bem superficial (nível sinopse de episódios de Mad Men) que “Afternoon Delight” gira em torno da festa de Natal da empresa, sendo que a série utiliza justamente todo o espírito de confraternização que é sinônimo de um dia como o Natal para mostrar o quanto aquelas pessoas são destrutivas quando estão no mesmo recinto. É uma ironia sensacional ver como aquelas pessoas causam tanta destruição quando estão juntas, contrariando tudo aquilo que conhecemos como festa de confraternização e depositando sorrisos nos nossos rostos por causa disso (e MUITAS piadas “sujas”). É um episódio complicado de televisão por ser de Arrested Development, a série que sempre utilizou a premissa básica de 100% das comédias (pessoas que não conseguem ficar próximas umas das outras) e conseguiu elevá-la a milésima potência.

Mas o que foi dito no parágrafo anterior não constitui o motivo que faz de “Afternoon Delight” um episódio especial, o que faz dele uma experiência que deve ser sentida por todos os série maníacos é a (falta de) sutileza que a série utiliza em certas piadas do episódio, algo que chega até a ser surpreendente na tevê aberta. Podemos ter como exemplo o momento icônico do episódio, a conversa entre Michael e Oscar, na qual o sobrinho indica que a mãe está precisando de um Afternoon Delight, passando logo em seguida a cada um dos dois personagens falarem de duas coisas, achando que se compreendem, mas apenas na aparência, assim a conclusão “Maybe i put in her brownie” da cena se torna um dos melhores exemplos de humor situacional já visto na televisão. A piada é apenas para o espectador, nunca mostrada em tela para os personagens porque para eles é uma situação natural do dia a dia. O uso de humor e drama situacional é a marca do episódio: George Michael possui ciúmes de Michael e Maeby, quando o pai se aproximou da sobrinha apenas por se sentir abandonado pelo filho, assim como Lindsay não conseguir efeitos em suas investidas é puro reflexo das atitudes quase ditatórias de GOB no comando, ainda que só nas aparências, da companhia, enquanto o medo de Lucile perder Buster, e o ciúme deste em relação à mãe e Oscar apenas funciona por sabermos das situações que ambos passam. A confusão se instaura por ninguém compreender muito bem o que se passa, a não ser o espectador para, com todo o seu cinismo, rir de tudo o que está acontecendo. Esse é o tipo de humor instaurado, sendo todo o resto apenas a consequência lógica e nas últimas proporções.

Ao mesmo tempo em que utiliza esse tipo de humor muito bem, é um episódio que consegue transcender e mostrar um pouco da principal trama da série, o quanto essas pessoas disfuncionais, beirando o retardo mental, precisam umas das outras para sobreviver. Por que outro motivo Michael aceitaria ser o elo de todos a não ser por sentir, mesmo que de maneira muito confusa, que precisa dos seus familiares para alcançar a felicidade? E vemos aqui o protagonista tendo que atuar o autoritarismo de GOB para em seguida tentar fazê-lo voltar a si, tentando ajudar Lucile a se recompor, servindo como uma o pai que Maeby, no meio do universo caótico de Arrested Development é mostrado a união tão característica do Natal: O amor incondicional, aqui mais do que nunca, que cada um de nós possui por aqueles que nos são mais próximos.

Em resumo, é um episódio que acerta no humor, mesmo estando menos óbvio e mais impróprio do que o normal, além de conseguir utilizar um pouco do drama sem sair do modo típico da série para lidar com os seus personagens. Um episódio Natalino precisa de mais alguma coisa?

Observação: Texto feito em parceria com o André Fellipe da Silva,

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08/07 – Blink (Doctor Who)

15/07 – Pilot (Friday Night Lights)

22/07 – Out of Gas (Firefly)

29/07 – Our “Cops” Is On (My Name Is Earl)

05/08 – Exodus (Battlestar Galactica)

12/08 – Something Borrowed, Someone Blue (Frasier)

15/08 – Six Feet Under (Episódio a definir, aceito sugestões)

19/08 – Coda (The Wonder Years)

Em 2010, nós criamos a coluna Flashback para séries canceladas. Mas como a resposta não correspondeu limitações de tempo, reformulamos esse espaço para que ele possa abordar, em atualizações irregulares, um número diferenciado de episódios. Espero que vocês gostem.

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