Não leia o trecho a seguir se não viu o episódio. CONTÉM SPOILERS!

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Última chance!

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“Eu gostei da ousadia disso. Eu gostei de dizer, sim, nós vamos colocar nossos médicos num avião e sim, nós vamos derrubá-lo. O que é insano e faz sentido. E sim, nós vamos colocá-los na floresta e nós vamos matar Lexie no segundo ato porque esse é o tipo de coisa que você não faz numa Finale. Eu gostei de subverter as expectativas”.

Shonda – Crazy Bitch – Rhimes: showrunner de Grey’s Anatomy e Attention Whore.

Escrever essa review sobre a Season Finale de Grey’s Anatomy é, provavelmente, uma das coisas mais complicadas em todos os meus anos falando sobre séries. A opinião geral sobre o que aconteceu é a pior possível e a minha não é diferente. Tentei, no entanto, me distanciar um pouco da paixão de fã e enxergar o que tudo isso significou. Demorei longas horas filosofando, lendo entrevistas, conversando com amigos e outros fãs.

Nada, absolutamente nada conseguiu explicar o que vimos nesse final de temporada. Não sei se é o choque, o ódio ou minha vontade de dar uma voadora no cara de Shonda Rhimes falando mais alto, mas minha conclusão é uma só: com apenas um episódio, essa mulher foi capaz de invalidar a experiência de uma temporada inteirinha.

Lembram de como começamos? Inseguros, depois de um período meio claudicante na temporada anterior, mas felizes a cada semana em que a trama se desenvolvia mais e melhor. Elogiamos cada bom momento. Choramos com cada drama bem encaixado. Cada vez mais confiantes de que a série estava de volta aos trilhos e ganhara fôlego ao valorizar coisas simples e investir em humor leve.

Essa Finale foi justamente o oposto e minha revolta não é só porque mataram uma das minhas personagens preferidas. Minha revolta é por perceber que Shonda Rhimes é o tipo de showrunner que se acha maior do que a série que produz. Ela não suporta não ser o centro das atenções e não gerar pelo menos uma polêmica por temporada. Repassem o histórico da série e isso ficará evidente.

Shonda Rhimes é o tipo de pessoa que arrisca o futuro de uma série de oito anos completos só para aparecer na mídia. É por isso que a chamei de attention whore. Ela merece o título. Li todas as entrevistas dela tentando se justificar, li seus tweets. No fim das contas, ela está lá, no conforto de sua mansão, rindo de todos nós, enquanto inventa versões distorcidas da verdade. Engraçado como em uma única entrevista Shonda consegue alegar os mais variados motivos para os acontecimentos do episódio mais polêmico desse ano.

Uma hora Chyler Leigh quis sair, na outra é porque a atriz está com problemas pessoais que Shongamonga não pode divulgar. Em seguida, ela alega problemas contratuais e falta de grana, depois diz que debateu isso com a atriz por meses e que decidiram o destino de Lexie juntas e, para completar, assume que adorou nos fazer o que fez, porque se acha uma subversiva. Espere aí, qual é a verdade, afinal? Que série é essa em que a produtora executiva não tem nenhum poder de decisão? Fingimentos e mentiras resumem o imbróglio.

O pior é saber que ela conseguiu o que queria e que, no ano que vem, o público volta para conferir suas novas loucuras. Só não sei por quanto tempo mais Grey’s Anatomy irá se sustentar. Do jeito que a temporada estava sendo conduzida eu via um caminho bom a ser trilhado, pelo menos em médio prazo. Agora eu penso em toda a patacoada que teremos de aturar e me pergunto: será que tenho ânimo de continuar?

Sei que a morte de Lexie é algo realmente revoltante. Minha reação foi a de parar o episódio, fechar o player e desistir de ir até o fim. Eu estava fora do meu normal, chorando de tristeza e de raiva, ao mesmo tempo. Agora, um pouco mais contida, eu vejo que as lágrimas não eram só pela situação mal resolvida, eram porque eu vi ali a morte de uma série que eu realmente amo. Era o assassinato de Grey’s, diante de meus olhos e pelas mãos da própria criadora.

Não foi sem muito esforço que me obriguei a terminar o que havia começado, mas foi tão difícil chegar até o fim… Ainda é difícil de falar e de colocar isso aqui, sem ficar com olhos marejados e coração revoltado. Fico pensando no que a série se transformou. Num palanque de divulgação para uma pessoa que se julga uma visionária e passa por cima de tudo, desde que alcance seus objetivos. Sabem o que vem por aí? Mais daquele drama chato que nos incomodou depois do tiroteio no Seattle Grace. Parece até que Shonda não sabe lidar com estabilidade. Para ela Grey’s tem que variar entre Excelente e Lixo Completo.

À parte de todas as reclamações que tenho – porque para mim, essa queda de avião era completamente desnecessária e todos os problemas de elenco (se é que existem) poderiam ser resolvidos de milhares de outras maneiras – eu preciso louvar aqui o trabalho desse elenco.

Sou só elogios para as atuações de Sandra Oh, Ellen Pompeo, Patrick Dempsey, Jessica Capshaw, Eric Dane e Chyler Leigh. Eles foram todos tão fantásticos que chega a ser um pecado criticar o episódio. Cada um deles me emocionou a sua maneira. Com o surto de Cristina e seu sapato sumido, a preocupação de Meredith com o marido e a irmã, a possibilidade de Derek perder sua habilidade de operar, os gritos histéricos de Arizona e claro, a despedida de Sloan e Lexie, umas das cenas mais terrivelmente doídas a que já assisti.

O curioso é notar que no meio daquele caos, Cristina começa a falar que está cansada de ver os amigos morrerem e que tudo isso, essa quantidade absurda de tragédias, não é normal. Pois é Cristina, não é. Se os roteiristas (que ao que tudo indica, apoiaram muito as decisões sobre essa Finale) sabem que não é normal, porque forçam tanto a barra?

A mensagem de Callie, de que a vida muda num estalo, foi colocada em prática. É assim que justificam o final repentino de Lexie, sem realizar nada de concreto, sem ser feliz de verdade, sem nada. Lexie seria um exemplo para todos nós, mais uma das metáforas da série, mas essa temporada já havia nos dado tantos outros (como Henry) que não precisávamos de mais essa. Mais uma vez fico dando voltas na mesma ideia, como se pode notar.

A tragédia na floresta foi tão intensa e cheia de momentos desesperadores, com ferimentos graves expostos e surtos nervosos, que a parte no Seattle Grace meio que se perdeu. Verdade seja dita, o ato “ousado” de matar Lexie no segundo ato prejudicou todo o episódio. Depois daquilo era impossível se prender a qualquer história, tanto que quase não notei o que se passava com Owen e Teddy, que acertavam os ponteiros dessa amizade que se perdeu completamente.

Aliás, Teddy também se despede, mas não é como se alguém aqui estivesse lamentando. A personagem nunca deu certo de verdade e só começou a se encaixar nessa temporada. Acreditem ou não, Shonda Rhimes tem planos malucos de um spin off só com a Drª Teddy Altman e, se isso não é prova de insanidade, não sei o que mais poderia colocá-la numa camisa de força.

Na tentativa de traçar um paralelo entre o trágico e a rotina no hospital, tudo ruiu. Alguém aqui achou graça em Drª Baley brigando com seu macho e falando de calcinha fio dental de novo? Ou alguém conseguiu embarcar no lance do jantar dos internos com Richard? Não. Claro que não.  A estrutura toda foi um equívoco e nem comecei a falar do absurdo que é essa queda/sumiço do avião não ter sido notada por nenhuma autoridade responsável.

Vejam bem. Estamos falando de EUA aqui. Um país onde o trafego aéreo é controladíssimo. Não decola um teco teco por lá sem plano voo, autorização e monitoramento total. Pelo que entendi, a equipe do Seattle Grace nunca sequer chegou a seu destino e Owen, estranhamente, só fica sabendo ao ouvir seus recados do dia, já que pedira para não ser incomodado com nada.

Se todos deveriam ter retornado pela hora do jantar com Richard (reparem que Callie esperava Arizona cheia de amor para dar) como é que se passa tanto tempo sem que ninguém seja notificado? Um avião, mesmo que particular, some do radar e tudo bem? Ninguém procura esse avião, as famílias não são avisadas? Essa linha temporal não se justifica e a desculpa de que o transmissor quebrou na queda é “bullshit”. Sem o sinal do transmissor a procura começaria até antes. Ou seja, não faz o menor sentido.

Para quem já está irritado com tudo isso, ainda resta outra máxima de Shongamonga. Segundo essa gênia, o mais importante do episódio é que “eles ainda estão na floresta”. Quase caí da cadeira ao ler essa declaração, de que o público está com a percepção errada do episódio e de que a culpa é nossa, se não conseguimos entender suas intenções tão claramente expostas.

Shongamonga ainda tem a coragem de ameaçar mais personagens de morte na Season Premiere, “tudo pode acontecer”. Que seja. Mate mais gente. Mate todos. Vamos ver até onde a audiência vai continuar permitindo essa ousadia egocêntrica.

Como eu já disse, mais do que matar personagens, essa mulher está matando Grey’s Anatomy.  Ao colocar Sloan nessa situação, ela destruiu um grande trunfo: seu melhor alívio cômico. Tentem imaginar Mark fazendo piadinhas homoeróticas com Avery daqui em diante.  Não vai cair bem, não vai funcionar e é por isso que imagino que Eric Dane pode ser o próximo da lista de Shongamonga.

Preparem-se, portanto, para muitos plots reciclados. Cirurgião brilhante que perde a habilidade motora? Achei que essa já tinha sido usada com Preston Burke. Depressão depois da perda do grande amor da vida? Peraí, esse não foi o arco de Teddy até agora? Traumas depois de uma grande tragédia, levando todos os médicos a ficarem em posição fetal? Ué, essa era a trama central da sétima temporada, se não me engano. E por aí vai…

A falta de novas ideias fez Shonda dar um tiro no próprio pé, mas isso nós só vamos descobrir no ano que vem. Pelo menos, alguns de nós. Sei que muitos encerram sua jornada com Grey’s Anatomy por aqui e se não fossemos curiosos e se o mundo fosse justo (e resolvesse punir Shonda por seus impropérios) seria o fim da linha para todo mundo. Está na hora de parar de brincar e tomar uma decisão séria. Se Grey’s Anatomy não tem mais para onde ir, encerrar com dignidade e bom senso é tudo o que pedimos e o mínimo que se espera.

P.S* Eu imagino, claramente, Shongamonga pensando: “Eu sempre quis derrubar um avião. Eu quero derrubar e eu vou. Dane-se a série. Tenho fetiche”. O cérebro dela funciona assim, basta saber que foi de um desejo antigo e ideia fixa de esquizofrênico, que saiu o episódio musical, que eu particularmente odeio e acho tão desnecessário e forçado quanto esse da queda do avião. Até para liberdade criativa tem de existir certos limites.

P.S* Desculpem o tom de “desabafo”, mas imagino que minha reação é a mesma da maiora.

P.S* Troco a vida de Lexie pelos defuntos de Avery, Kepner e o namorado avulso da Bailey. Falta de verba pra salário estaria resolvida ou não com essa minha dica?

P.S* Quando eu disse, na semana passada, que só faltava um episódio pra uma temporada perfeita, eu não tinha ideia do baque que iria sofrer. Meu ódio só aumenta.

P.S* Até a próxima temporada. Se eu não mudar de ideia e desistir de Grey’s Anatomy. Ou for presa por ter assassinado Shongamonga. O que vier primeiro.

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