Deloris Van Cartier, é você?

Spoilers Abaixo:

Estou um pouco decepcionada. Fiquei esperando que Whoopi Goldberg selasse sua participação em Glee cantando, nem que fosse para ajudar a engasgada de Rachel com o tradicional “lalalalala” de Mudança de Hábito, mas não. Nada de “lalalalala” para mim ou para vocês. Ela só sentou na plateia com cara de megaevil e encarnou a temida Carmem Tibideaux, que coroou a apresentação bizarra de Kurt como maravilhosa e inovadora e deixou Rachel naquele estado emocional lastimável, depois de perder o que ela considera como a grande chance de sua vida.

Como já sei que a maioria das pessoas não gostou do episódio, vou dar a esse grupo um pouco de razão. As escolhas musicais e o andamento da história deixaram mesmo a desejar e o resultado foi essa mistura de NYADA, prova de geografia e violência doméstica, três temas que não tem absolutamente nada a ver um com o outro, mas que, olhados separadamente, até tem pontos positivos, exceto talvez pela trama de Puck e seus “pais”. Aquilo ali foi realmente bizarro.

Acho ótima a iniciativa de dar voz aos personagens que tem menos chances de cantar e geralmente eu gosto das músicas do Puck. Dessa vez, no entanto… Não rolou. A sequência de “School’s Out” foi mais um típico exemplo de vergonha alheia. Não é nem a música em si, mas a escolha das cenas do videoclipe. Depois eu até dei umas risadas com “The Rain in Spain”, mas é porque a música em si já é engraçada e porque Puck achou que era só reproduzir duas ou três palavras desconexas da letra em sua prova de Geografia que tudo ficaria bem. Imagino que insistir em massagear as coxas da professora seria mais lucrativo.

Todo o drama psicológico envolvendo as audições da NYADA foi até bacana. A obsessão de Rachel em ser uma estrela estava na máxima potência e o texto soube evidenciar isso muito bem. Como Glee é mestre em fazer humor das piores situações, adorei o modo como trataram tudo com relação à Rachel. Cada surtada dela valeu a pena e mesmo fazendo as caretas de choro mais hilárias da TV, Lea Michele sempre manda bem cantando.

O lance de ela perder essa oportunidade foi um tantinho clichê, mas tudo bem (quem foi que não sacou logo de cara que ela ia ter problemas na apresentação, depois de ficar aterrorizando Kurt?), mais clichê ainda foi Kurt fazendo a tradicional “dança do ombrinho” e ainda ser elogiado por sua ousadia. Tudo bem aquele figuro dele era bem ousado e cintilante, mas não aguento muito a voz dele e então, é difícil elogiar aquela mistura doida de coreografias e agudos que ferem meus ouvidos.

O que eu realmente gostei, pasmem, foi a história da violência doméstica (#LeiMariadaPenha). Era a coisa mais avulsa e, ainda assim, foi a mais bem trabalhada. Coach Beiste tem o poder de me emocionar em cada plot dramático e eu até já chorei pelo primeiro beijo dela. A atriz é fenomenal e as cenas que mostravam Cooter virando um marido louco foram pontuais. O fato de Beiste, mesmo sendo uma mulher forte (fisicamente, é claro) não ser capaz de deixar ao agressor para trás é o retrato da realidade.

A maioria das mulheres que passam por essa situação age exatamente assim, minimizando o problema e dando sempre “segundas chances”, no plural. Não vou nem dizer que eu não aturaria isso acontecendo comigo nem uma vez porque a verdade é que ninguém sabe como vai agir até que passe por isso.

O alerta que Glee fez foi bastante válido, mas não deixou de lado a principal característica da série que é a de fazer troça com a desgraça alheia. No meio disso tudo, Sue Sylvester Roz Washington despontaram como representantes do orgulho feminino e campeãs do campeonato mundial de escárnio. Nem Beiste escapou e, embora eu tenha vergonha de admitir, eu ri muito quando Sue disse que se ela não tivesse uma muda de roupa, ela lhe emprestaria uma tenda. Mais tarde ainda bateu na mesma tecla, ao afirmar que não sabia o que fazer com nove frangos e uma tenda com um furo no meio, feita para a cabeça de Beiste passar.

Fora isso, a conversa concordante das duas foi deliciosa. Roz voltou com seus comentários sobre Sue ser a mãe mais idosa do mudo, que vai parir um demônio de asas que irá direto governar o inferno depois do parto. Sue, por sua vez, esteve em contato com mercadores africanos de marfim, que deveriam vir recolher os dentes gigantes e muito brancos de “Black Sue” para vendê-los no mercado ilegal de marfim. Não sei de onde saem esses textos (da cabecinha doentia de titio Murphy, maybe?), mas eles exalam criatividade.

O destaque dado para Tina veio tardiamente, mas é sempre merecido. “Cell Block Tango” tem exatamente esse humor distorcido de Glee e as meninas mandaram bem na apresentação, porque o objetivo era mesmo o de ser tudo estranho e descabido. O que fica em destaque, porém, é a versão de “Shake It Out”, lindíssima e emocionante, trazendo Beiste às lágrimas. As vozes de Santana, Tina e Mercedes casaram perfeitamente.

P.S*Bacana a atuação dos dreads do Samuca. Foi só o que sobrou para ele, já que Quinn sumiu de novo.

P.S*Tá bom, vai. Gostei do plano infalível do Finn, que incluía jogar Artie numa piscina.

P.S* Sugar e Rory voltaram para fazer aquela figuração de balançar cabeças!

Músicas no episódio:

“The Music of the Night” – The Phantom of the Opera: Kurt Hummel with Tina Cohen-Chang

“School’s Out” – Alice Cooper: Noah Puckerman

“Cell Block Tango” – Chicago: Mercedes Jones, Tina Cohen-Chang, Santana Lopez, Sugar Motta and Brittany Pierce with Mike Chang

“Not the Boy Next Door” – The Boy from Oz: Kurt Hummel with Tina Cohen-Chang, Mercedes Jones and Brittany Pierce

“Don’t Rain on My Parade” – Funny Girl: Rachel Berry

“The Rain in Spain” – My Fair Lady: New Directions males except Kurt Hummel

“Shake It Out” – Florence + the Machine: Santana Lopez, Tina Cohen-Chang and Mercedes Jones

“Cry” – Kelly Clarkson: Rachel Berry

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