
“Vamos! Pergunte-me qualquer coisa!”
Spoilers Abaixo:
Quando uma série do tipo procedural possui uma história principal e utiliza os casos da semana para auxiliar a contá-la (casos de Fringe e PoI, por exemplo), é necessário que ela os empregue com sabedoria em episódios em que nada (ou quase nada) da trama principal é revelada. E isso Person of Interest fez muito bem no episódio desta semana.
Mais uma vez repetindo a fórmula de muita ação balanceada com pitadas de humor, PoI apresentou um caso muito consistente e muito divertido, prendendo a atenção mesmo ao focar-se quase que exclusivamente na investigação do Social Security Number da semana.
Claro que nós tivemos uma pitada de informações relativas à trama principal (desta vez referente ao passado de Reese), mas podemos dizer que Identity Crisis acrescentou muito pouco à trama nesse sentido quando em comparação com episódios anteriores. O surgimento de um novo player (o FBI tentando desmascarar a CIA e, consequentemente, Mark Snow) é importante para a trama e, como já se pode imaginar, deverá influenciar bastante nas decisões e ações de Carter. Contudo, o que o agente Donnelly falou sobre Reese é praticamente o que os episódios anteriores já nos haviam indicado: John seria um ex-agente que fazia alguns serviços sujos para a CIA e que, em algum momento, parou de fazê-los. Alguma novidade nisso? Para mim, não.
Então por que Identity Crisis foi um ótimo episódio? Bom, primeiramente porque ele não se contentou em entregar um caso da semana comum, abordando uma situação de roubo de identidade na qual durante um bom tempo ficamos sem saber quem era o (a) real Jordan Hester. E se não bastasse o importante ineditismo do caso, ele ainda envolveu bastante a maioria dos personagens principais da série, exigindo que John, Finch e Fusco fossem a campo ao mesmo tempo para conseguir desvendá-lo e resolvê-lo.
Mas o mais interessante ficou novamente para as aparições de Finch, que em mais um episódio nos fez rir bastante. Primeiro ao chegar ensopado no QG da dupla após John ter acionado o sistema de incêndio do edifício da “versão feminina” de Hester (cujo nome real era Tara Verlander). Depois, ao final do episódio, numa sequência de cenas hilariantes após Tara tê-lo drogado com ecstasy, com mais uma interpretação genial de Michael Emerson (aliás, falar dele já é chover no molhado, não? Impressionante a competência dele pra fazer bandidos, mocinhos ou mesmo fazer rir).
Contudo, além da parte divertida, o episódio nos deu a oportunidade de conhecer outro lado de Finch que ainda não havíamos visto. Muito já havia se cogitado sobre a possibilidade dele já ter tido uma família no passado, porém, até pelo seu comportamento mais durão e reservado, nunca havia sido levantada a possibilidade de Finch poder se interessar ou se apaixonar por uma mulher nos dias de hoje. Além disso, até Identity Crisis era apenas John que manifestava claramente ter ainda o desejo de um dia constituir uma família. Pois parece que não é só ele não, visto que Finch nos surpreendeu e ficou caidinho pela bandida! Reservado sim, morto não, certo, Harold? Uma loirona culta ainda pode mexer bastante com ele e até fazê-lo ignorar completamente a possibilidade de a mulher ser na verdade uma bandidona! Bela sacada essa dos roteiristas!
Quanto a Carter, devo dizer que gostei da maneira como os roteiristas abordaram o afastamento dela de Reench (Reese + Finch), mostrando-a meio perdida, desgostosa de voltar a lidar com homicídios já acontecidos no lugar de poder impedi-los, tentada a atender à ligação de Reese, porém ao mesmo tempo firme em manter sua convicção de que não seria o correto a fazer. E agora ainda aparece o FBI pra acabar de complicar a vida dela! CIA, FBI, máfia, policia corrupta (HR), uma dupla salvando pessoas por fora da lei… Mas que confusão você foi se meter, hein, detetive Carter?
Bom, para finalizar e tomando o cuidado de não dar nenhum spoiler, se este episódio foi bom o próximo então (pela pequena sinopse que li sobre ele) deverá ser de tirar o fôlego. Que o bom trabalho realizado até então continue!
Observações:
- “Which do you like better? Good cop or bad cop?” Coitado do Lionel… Ele claramente gostou dessa história de fazer o bem pelos outros. Bem que ele gostaria que John o livrasse de se envolver com a HR e deixasse-o apenas ajudando a salvar as pessoas.
- E a cena do capanga de Tara Verlander se contorcendo acreditando que John havia jogado ácido clorídrico e não água em rosto? Muito boa, John!
- Mandar Fusco vigiar Finch pode, mas se aproveitar de um momento de fraqueza dele não, certo, John? Gostei de Reese não ter se aproveitado de Harold, mas confesso que torci um pouquinho para que John perguntasse mais do que devia.
- “Good night, Nathan”. Uma simples frase em um momento doidão é capaz de nos mostrar o quanto Finch sente a falta de seu amigo Nathan Ingram. Mas será que ele só sente a falta dele ou também sofre por uma possível traição?
- Como vocês devem ter notado, escolhi uma contração para utilizar quando for falar de Reese e Finch juntos. Foi “Reench”, que foi sugerida pelo Uri nos comentários do episódio anterior (e ainda teve o apoio da Ursula e da Denise). Além de achar que soa melhor, concordo com o argumento do Uri de que assim fica meio nome de cada um. Portanto, obrigado ao Uri pela ideia e para os demais que também enviaram sugestões!














