
Se o Pequeno Spock te der um conselho, siga-o. Ou sofra as consequências.
Spoilers Abaixo:
The Big Bang Theory segue com sua excelente safra de ótimos episódios neste fim de temporada. Desta vez, com direito a “participação vocal especial”, se tal coisa existe. Leonard Nimoy, o próprio intérprete de Spock na era de ouro de “Star Trek”, veio dar uma mãozinha (o diminutivo é literal) ao Sheldon para tirá-lo do lado negro da força.
Tudo acontece porque Penny decide dar presentes iguais para Sheldon e Leonard: um teletransportador feito sob medida para o pequeno boneco do Spock. Depois de ser persuadido pelo próprio Pequeno Spock, em sonhos, a brincar, Sheldon acaba quebrando seu presente e o troca com o de Leonard escondido, apenas para que sua consciência, novamente sob a forma de Spock, o guie para o caminho da verdade.
O arco foi meio bobinho, claro, mas valeu muito pela participação especialíssima do ator, que era um ícone da geração que acompanhou “Star Trek” e acabou se transformando, por tabela, em um ícone também para os fãs de TBBT. Só isso já torna esse episódio um marco na história da série, sem dúvida.
Além disso – e Nimoy que me desculpe –, o troféu de melhor momento do episódio tem que ir para a interação entre Sheldon, Penny e Leonard, na cena em que os nerds ganham seus presentes. Quando eu parava de rir de uma coisa, vinha outra e me fazia emendar as risadas! Mas as poses do boneco, em sua primeira cena, e seu diálogo com Sheldon, na segunda, também me fizeram rir muito! E o desespero do Sheldon quando Penny começa a convencer Leonard a abrir o brinquedo quebrado? Sensacional! Tudo isso, mais uma vez, inserido em uma situação relativamente cotidiana na vida de um nerd, mostrando que a série achou seu tom para o humor sem precisar forçar a barra. Nota 10!
Enquanto isso, Raj estrelou o não menos hilário segundo arco, com o apoio de Howard, Bernadette e sua suposta pretendente Lakshmi, que, ao contrário do nosso nerd indiano, não havia aceitado o casamento arranjado em razão das dificuldades de lidar com a solidão, e sim para usá-lo como fachada e esconder dos pais, também indianos, que é gay.
Eu – com o apoio de alguns de vocês, nos comentários – andei reclamando das piadas que insinuavam que Raj era gay, e esse episódio mostrou por que elas andaram aparecendo tanto: para tornar convincente essa ideia de roteiro. Devo dizer que até que valeu a pena, pois, a esta altura, eu já estava mais do que acostumado com essa característica de Raj (que, não pensem que esqueci, brotou de repente nele há uns dois anos inexplicavelmente), e acabei rindo muito dos mal entendidos gerados por seu jeito afetado – até os pais, cuja participação é garantia de muitas risadas em qualquer episódio, já tinham certeza de que o filho era gay!
O pobre Raj está tão solitário que chega a pensar mesmo em aceitar a proposta, mas acaba salvo pelos amigos. O indiano invertendo toda a situação e acusando Howard de ser homofóbico por não apoiar o casamento foi muito bom! No fim, o engenheiro e Bernie lhe dão uma fofíssima Yorkshire para fazer companhia ao encalhado, garantindo um final feliz e, por enquanto, sem casamentos.
Esse segundo arco continuou explorando o que sempre tem sido explorado quanto o assunto é Raj nesta temporada: a dor da solidão. Parece que os roteiristas estão mesmo dispostos a usar todas as duzentas formas possíveis de abordar essa temática mais séria (ou ao menos tão séria quanto uma sitcom permite) antes de mudar a situação do personagem. E eles têm meu total apoio, pois todos os episódios em que Raj se destaca neste último ano são exatamente assim e acabaram figurando entre os melhores da temporada. Associar essa abordagem ao plot unicamente divertido do Pequeno Spock garantiu à série mais um episódio redondinho, com a história do nosso querido grupo andando bem e acompanhada de muito bom humor, do jeito que a gente gosta. E esclareceram de vez as dúvidas sobre a sexualidade de Raj… Ou não, certo, Bernie? rs
Pra encerrar, só quero reafirmar minha satisfação com TBBT. Os quatro últimos episódios foram simplesmente incríveis, com piadas originais e situações únicas que me fizeram rir como se não houvesse amanhã. Definitivamente, o melhor parece ter ficado para o final. Que assim seja!
Destaques e melhores momentos do Pequeno Spock:
– Sheldon: “I thought where you come from they don’t have emotions”. Spock: “I come from a factory in Taiwan!”
– Sheldon: “Perhaps it’s time you beam on out of here!” Spock: “Fine. I will just use the transporter… oh, right! YOU BROKE IT!”
– Sheldon: “Leonard, mesmo que eu não tenha mais meu brinquedo, espero que você se divirta com o seu.” Leonard: “É mentira, certo?” Sheldon: “Das grandes. Espero que o seu quebre!”
– Bernadette: “Raj, Howie told me what’s going on with you and Lakshmi.” Raj: “You told her???” Howard: “I told everybody…”
– “HETEROSEXUAL MY ASS!!!” TE AMO, BERNADETTE! Hahahahahahahahah.
P.S. – Fico de coração partido por dizer isso, mas preciso ser sincero: não senti falta nenhuma da Amy neste episódio.
P.P.S. – No primeiro parágrafo desta review, usei de propósito a expressão “lado negro da força”, e agora lanço a pergunta: quem honrou o espírito nerd de TBBT e já estava preparado pra reclamar por eu ter misturado “Star Trek” com “Star Wars”? 😉














