
Community… Wow.
Spoilers Abaixo:
Um comentário sempre feito sobre o quão bom é Happy Endings é a capacidade da série em fazer maravilhas com tramas bobas e repetidas à exaustão por outras séries anteriormente. O segredo da série é não ser pretensiosa a ponto de querer desvincular seu universo e seus personagens, se mantendo em uma determinada zona de conforto que inclui diálogos rápidos e afiados que nem te fazem lembrar-se de onde você lembra da trama, apenas que ela é engraçada, e muitas referências da atualidade para incrementar a identificação da série com o público.
O episódio dessa semana de Community trouxe três storylines que parecem batidas tanto no universo da série quanto das comédias em geral, mas a série fazer isso não é novidade. Os roteiristas já provaram que conseguem trabalhar com vários tipos de situações inclusive tramas que remetem a outras séries, e que quase sempre terminam como, afinal, uma brincadeira que Community faz com os clichês atuais. Porque, convenhamos, Community está sempre dois passos a frente das outras comédias. A novidade aqui é que a pretensão em fazer algo maior que apenas uma revisita a plots batidos simplesmente não existe, tornando “Digital Exploration of Interior Design” no maior pesadelo para os próprios roteiristas da série: um episódio passageiro.
Pierce, Britta e Shirley estavam na trama mais batida da noite, porém a melhor. O jogo de espionagem para boicotar a manobra da Subway para se instalar na universidade foi satisfatório em suas gags (como Pierce tomando tinta de caneta ou a cena em que Britta é pega), com uma conclusão ótima e inesperada e ainda contou com o carisma de sempre de Gillian Jacobs. Já Jeff e Annie se mantiveram ocupados com um sentimento de culpa por parte de Jeff com uma aluna que supostamente morreu e nunca teve a oportunidade de rever sua opinião sobre o personagem, já que este nunca tinha aberto seu armário para ler a carta de ódio. Esta trama, ao contrário da trama da Subway, começou com um ritmo diferente e meio sombrio (remetendo à interação de Jeff e Annie em “Conspiracy Theories and Interior Design” da segunda temporada – também tivemos um forte de cobertores no episódio), porém se revelou uma frustração sem tamanho quando a insensibilidade de Jeff deixou de ser o ponto principal, e sim um possível bias de Annie com o sexo masculino, que durou exatamente DOIS diálogos e provavelmente não veremos jamais.
E foi uma pena ver que a única trama a ser tratada com alguma grandiosidade pelo roteiro foi a “guerra” entre Troy e Abed. Enquanto Troy está sendo construído nessa temporada como o personagem que vê cada dia mais que a obsessão de Abed pode ser danosa, não há muito que dizer a não ser lamentar que esse desenvolvimento ganhe um tom sério justamente quando estamos falando de… ABED. A conduta do personagem de Danny Pudi nesse episódio foi detestável e similar a de uma criança birrenta, o que não chega a ser uma surpresa já que o protecionismo que os outros personagens criam para seu universo só poderia culminar nesse comportamento, porém tendo em vista que essa não a primeira tensão que ele tem com Troy, o que podemos esperar que o roteiro faça com um personagem tão complicado como Abed? Ele não pode fazer uma autocrítica e simplesmente diminuir sua obsessão já que isso significaria que ele está dominando o seu transtorno, ele com certeza não será visto como o vilão da história como aconteceu com Pierce na temporada passada, e não há nenhum desenvolvimento de personagem que não possa parecer forçado já que Abed sempre foi tratado como um tipo de ombudsman pelo roteiro, um passo a frente do resto dos personagens. O ideal mesmo seria Community esquecer qualquer tipo de trama emocional recorrente para o personagem e mantê-lo em um plano que se assemelha ao de April em “Parks and Recreation”, sem muitos resquícios de envolvimento com os dramas de outros personagens e com uma linha de diálogo constante.
E se os conflitos de Abed e Troy não apontam para um futuro muito interessante, é estranho ver que os roteiristas parecem se preocupar tanto com seus personagens, porém ainda se rendem a vícios que já tinham explorados E concluídos anteriormente. Nesse episódio Pierce teve também uma atitude horrível colocando um microfone no batom de Britta e a expondo para a direção do Subway e da escola ao ridículo de uma forma que só o vimos ser… Na segunda temporada? E dada a última cena de “For a Few Paintballs More” deveríamos mesmo esperar que o personagem tomasse essa atitude e nada fosse dito? Nada foi dito. É também embaraçoso perceber que o roteiro tem um protecionismo muito grande com a insensibilidade de Jeff com as mulheres, já que toda vez que isso é apontado a trama termina com a compaixão dos personagens, ou algum engano faz com que essa característica do personagem fique em segundo plano.
E se mesmo depois de tantas linhas dedicadas a qualquer coisa que não seja algumas ótimas piadas que “Digital Exploration of Interior Design” teve, é nítido que Community reservou essa meia-hora para ser apenas uma comédia despretensiosa e se esqueceu completamente do fantástico universo que criou.
Outras observações:
– Depois de dois completos esquecimentos por parte do roteiro, Alison Brie conseguiu se destacar no episódio mesmo que nada ali tenha sido escrito diretamente para a personagem. É, realmente, uma das melhores atrizes de comédia da atualidade.
– O momento em que os personagens estão na cafeteria da escola, geralmente no começo do episódio, costuma ser muito engraçado, porém dessa vez apenas o grito de Annie e qualquer coisa relacionada ao Dean foi realmente de dar nota.
– Como um estudante com semanas de vida é aceito em uma universidade?
– John Goodman esteve novamente hilário como o vice-reitor Laybourne.
– Garret parece estar precisando de outra ajuda.
– Annie: “Put it in a letter, Jane Austen”.
– Subway já foi grande responsável pela renovação de Chuck, e agora aparece amplamente nesse episódio de Community. A série quer mesmo continuar para uma próxima temporada. De qualquer forma, 3.626 milhões de pessoas assistiram ao episódio, um pouco abaixo da média da semana passada.














