
Emily Thorne: linda, implacável, fala várias línguas, tem uma bela coleção de perucas, pratica artes marciais e ainda chega em casa e te prepara um peixe-espada para o jantar. É ou não é pra casar?
Spoilers Abaixo:
Depois de rebolar para acomodar tantos plots durante os últimos episódios, Revenge encerra 2011 com estilo, um bom ritmo e plot twists bacaninhas. É verdade que começar por aquele treino com Pai Mei, digo, Satoshi Takeda, não teve função alguma além de mostrar que Emily é, além de tudo, boa de briga. Mas é menos perspicaz do que eu pensava, já que precisou ouvir o óbvio da boca do mentor: o melhor plano contra Amanda é torná-la um novo alvo para os Graysons. O plano de Emily de usar Daniel para que a “identidade” da rival chegasse ao conhecimento de Victoria foi muito bom, e não dá pra não ansiar pelos ataques da megaevil em 2012.
Falando nela, como é bom vê-la começando a se reerguer de novo, e com o filho ao lado. A irritação de Daniel ao ver que o pai não demitiu Tyler foi legal de se ver, deu certa profundidade para o personagem (forcei a barra?). Mas, mais importante, fez com que o cenário voltasse a ser favorável a Victoria, e ver nossa vilã por cima é pura felicidade, não é verdade? Aliás, e o sumiço de Lydia hein? Será que Conrad a aprisionou numa dimensão paralela?
Acredito que este episódio tenha sido extremamente importante para Ashley, que se tornou uma de minhas personagens favoritas da série. Quem, nos primeiros episódios, poderia imaginar que ela teria alguma importância, ou que passaria por essa transformação? Tudo bem que decidir que a melhor amiga se transformou numa vadia da noite para o dia só porque seu namoradinho golpista, aquele que tem um caso com um bilionário, disse isso é um pouco demais, mas é o tipo do exagero que acaba agradando porque contribui para que Revenge fique mais interessante.
Eu não poderia deixar de dar destaque para o plot mais importante, aquele que fez com que o episódio valesse a pena: a relação entre Emily e Nolan. Fiquei frustrado com o fato de ele ter se apaixonado por Tyler, que, como bem definiu Emily, não é nada além de um prostituto. Achei que ele fosse bem mais esperto do que isso. Mas o próprio roteiro te faz compreendê-lo, aceitar que a solidão de Nolan é seu ponto fraco, que pode pôr tudo a perder. E pôs.
Emily agiu pelas costas de Nolan, expôs as gravações indecentes da relação dos dois (no fim do episódio eu já não aguentava mais ver aquela cena do Tyler tacando o Nolan na cama, mas tudo bem, hahaha) e acabou com os sonhos do bilionário. Eu tinha muita curiosidade de saber o que ela faria ao descobrir tudo, e, no primeiro momento, gostei, mas mudei de ideia depois de ver as consequências e os resultados disso.
A referência ao piloto no momento em que Nolan vai confrontá-la é sensacional. Eu sou suspeito pra falar, mas realmente acredito nele, e não acho que ele não a tenha prejudicado por medo de ser derrubado por ela. Nolan gostava de Emily, e ela mandou mal ao trair sua confiança, por mais que o rapaz estivesse escondendo o affair. Se ao menos a traição de Emily tivesse tirado Tyler da jogada, seria perdoável, mas isso está longe de acontecer. Nossa garota perdeu seu maior aliado por nada.
Mas, antes de anunciar que não seria mais cúmplice das maldades de Emily, Nolan dá o golpe final, a velha história do “ainda bem que seu pai não está vivo para vê-la assim”. É um daqueles clichês cuja chegada você já prevê muitos segundos antes, mas que ainda assim gosta de ver. Emily VanCamp e Gabriel Mann (que se tornou expert em roubar a cena na série)elevaram imensamente a qualidade dessa sequência do confronto, tornaram o roteiro bem maior do que ele realmente era. Essa é a vantagem de se escalar bons atores para uma série.
O grande trunfo deste episódio de Revenge foi ter finalmente conseguido equilibrar o desenvolvimento de seus inúmeros personagens com o progresso dos planos de Emily. Até que enfim ela voltou a atacar e está cercando Tyler e Amanda o máximo que pode. Mas depois de testemunhá-la perdendo tanto Takeda quanto Nolan, parece que ano que vem a veremos tendo de agir sozinha. Gosto dessa ideia, e espero que ela satisfaça às expectativas.
Observações:
– Perdoei todas as maldades de Amanda até agora, mas fazer Sammy se passar por caduco foi muita falta de sacanagem!
– Aliás, o plot de Sammy é de fazer inveja a Declan hein? O rapaz conseguiu a proeza de se livrar da única coisa boa que conseguiu em dez episódios: o cheque da Victoria.
– Coisas que só Daniel faz por você: depois de ver um japonês emputecido, com cara de que xingou a mãe de meio mundo, ele acreditar na namorada dizendo “Parabéns, querido, ele disse que vai investir em você!” é demais!
– Tyler está com muito poder nas mãos, e isso é deliciosamente irritante. O que seria da série sem Tyler para odiar?
– Qual é a do advogado que surgiu do nada para ajudar Victoria? Se tem uma coisa que não existe nessa série são bons samaritanos, então temos a obrigação de desconfiar. Ou será que ele só apareceu para sofrer a ira da nossa heroína, já que já sabemos que ele está na famigerada lista?
– Com o coração meio partido com o rompimento da melhor aliança de Revenge, encerramos 2011. Boas festas, e até o ano que vem!













