As doces travessuras de American Horror Story.

Spoilers Abaixo:

Toda vez que termina um episódio de AHS eu fico meio preocupado diante da TV. Será que eu estou ficando doido ou a série é realmente tão legal assim? O pessoal aqui no podcast do blog fez tanta piada com ela que eu me senti solitário no meu prazer de resenhista. Tem uma porção de gente nos comentários que também tá curtindo o programa, então é pra essa galera que eu tô falando: simbora mergulhar nessa maluquice toda de titios Murphy e Falchuk! Eu estou afogado de deleite.

Semana passada eu comentei no final da resenha que o nome de James Wong (Arquivo X, Premonição) nos créditos como produtor executivo tinha me animado muito. Eu achava que logo ele ia aparecer com algum roteiro e não deu outra: deram o episódio duplo de Halloween pra ele. Era garantia de sucesso.

Se não bastasse isso, Zachary Quinto me presenteia no teaser com uma interpretação irretocável de uma bicha amargurada digna de uma película vintage sobre os enrustidos da era de ouro. Ele estava tão bem que dava medo. Aliás, quando eu parava pra pensar no elenco, eu me arrepiava. Até Dylan teve seu momento. O episódio tinha tantas cenas arrebatadoras que eu me perdi nas minhas anotações. E me perdi aqui na resenha também… A digressão é um traço dos eufóricos.

Wong estava muito preso à tarefa de falar da mitologia da série. Por boa parte do começo do episódio, ele teve que se ater às informações que precisava transmitir. Então logo tratou de estabelecer que são os pecados de Ben que vão ficar em primeiro plano, por enquanto. Aconselharia inclusive, que fossem logo direto ao assunto com relação ao patriarca dos Harmons, antes que essa dinâmica de traição passada e traição presente comece a nos cansar.

O roteiro tinha muitas funções e no meio de suas obrigações com Ben e Addy, teve que nos falar da criatura do porão (adoro flashbacks) e ainda tentar reforçar a presença do tal homem da cicatriz (que continuo não engolindo). Se Wong não precisasse usar tanto tempo para falar de toda mitologia da casa, talvez tivesse investido mais nas travessuras dramatúrgicas. E mesmo assim, elas foram muitas.

Eu tinha certeza que Addy seria o personagem abordado pelo roteirista. E tudo com relação a ela essa semana foi maravilhoso! As cenas com Jessica Lange não são nada menos que ótimas, e a ideia da máscara de “moça bonita” foi simplesmente genial. A garota desfilando com aquela coisa bizarra e assustadora no rosto foi de arrepiar. Tudo para culminar com um atropelamento que me pegou como um soco no estômago. Eu vibrava enquanto Constance gritava que precisava levar a filha para o gramado (enquanto ainda estava viva). Uma informação velada sobre a mitologia da casa que já nos indica alguma coisa.

A coisa com a roupa de couro, que eu passarei a chamar de Leather Man, reapareceu para nos ajudar a aceitar decididamente que os “fantasmas” da casa não são espectros e sim seres palpáveis, que podem ser tocados, que podem falar, fazer visitas, mudar de roupa, exercitar a decoração e engravidar pessoas. Não acho isso necessariamente ruim, mas acho estranho. Não sei se é uma perspectiva só da casa ou do mundo do qual a série faz parte. Depois de ver Moira indo “eutanasiar” a mãe, comecei a achar que a galera sobrenatural pode qualquer coisa mesmo.

Acho pobre ficar insistindo que o bebê está ligado a casa. Já sabemos disso. E não vou gostar se o que assustou a médica tiver sido um monstrinho disforme. Isso será totalmente previsível e tosco.

O retorno de Kate Mara era certo, assim como a quebra narrativa justamente nesse momento. Eu quero a segunda parte com todas as forças do meu ser. Já posso assumir sem vergonha, que American Horror Story é uma das melhores coisas que estrearam nessa nova temporada.

Diários de Addy Atropelada: A máscara de Addy era tão assustadora que eu achei que fosse ter pesadelos com ela. Não tinha uma gota de sangue na fantasia da garota, mas eu teria calafrios se visse aquilo de perto.

Diários de Addy Atropelada 2: Tá na hora de deixar a Viv brilhar um pouquinho. Connie Britton é ótima e está sendo sub-aproveitada.

Diário de Addy Atropelada 3: O que foi a patolada que o Ben ganhou no banheiro? Eu dava um prêmio ao Dylan McDermott só pela sombra de dúvida que ele deixou aparecer por um segundo quando o cara fez a proposta do blowjob.

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