Para quem estava sentindo falta de futebol em Ted Lasso, esse episódio foi para você! ‘O fio que nos une’ -tradução do título do episódio-, trouxe o esperado após as alucinações do Ted com o molho barbecue: colocar o Richmond para jogar o futebol total. Os técnicos apresentaram os jogos e animações na tela para os jogadores, que já estão acostumados com esse tipo de entretenimento e de começo até pensaram que iriam só ver os vídeos, mas a surpresa veio quando souberam que iriam aplicar essa nova tática para o jogo da semana.
Já fazem semanas que o Richmond não apenas perde todas as partidas como também não marca nenhum gol, a insatisfação está presente no clube e também nos torcedores, que abordam Ted e Beard no Crown & Anchor querendo explicações. O pub estava vazio e muito escuro, a falta de iluminação trouxe um clima ainda mais obscuro para retratar os impactos que o mau desempenho do time causa.

Ted convidou o trio para assistir aos treinos do time na casa do Richmond e quando foi questionado por Beard, a resposta de Ted me chamou a atenção: “É o time deles, nós só pegamos emprestado por um tempo”. Ele tem consciência do valor simbólico que o Richmond tem para os torcedores e também que os técnicos dos times mudam, eu só fico um pouco aflita de imaginar se esse tempo que o Ted tem emprestado está perto de terminar.
Acompanhamos alguns dias de treino e daí vieram as pérolas do episódio. Para ajudar os jogadores a colocarem em prática o novo método, os técnicos entregaram para cada um o nome do parceiro que iriam trocar de posição, e eles decidiram também agir como o jogador fora de campo. Isaac e Dani se imitando foi muito bom, meus favoritos foram Beard e Will, o Beard atrapalhado e o Will gritando do jeito do Beard foi muito engraçado, obrigada a quem teve essa ideia!
Todos estavam trocando e quando Jamie percebeu que recebeu seu próprio nome, foi perguntar aos técnicos se estava certo. Mais um momento de Jamie nessa temporada que vemos seu amadurecimento, o Jamie do começo amaria continuar sendo ele mesmo e não iria se preocupar em treinar em outra posição se fosse o melhor para o desempenho do time.
A tentativa de troca para que os jogadores pudessem enxergar o que a situação precisa ainda não foi suficiente para alinhar o time, e no dia seguinte o treino foi unido por linhas vermelhas. O título do episódio se refere a um mito japonês em que acreditam que almas gêmeas estão ligadas entre si por um fio vermelho invisível, mas nesse caso, o fio vermelho é bem real e amarrado ao pênis de cada um. Tinha que ser ideia do Roy e foi a diversão dele, ele nunca riu tanto em nenhum outro momento na série e reparar as reações dele a cada passe dos jogadores também foi uma diversão à parte.
Além do preparo para os jogos, o episódio também falou da vida amorosa de alguns personagens. Essa temporada toda vem mostrando muito ‘almas gêmeas’ sendo citado por personagens, eu estou curiosa para saber se no final iremos ver Ted com sua alma gêmea, mas enquanto isso, estão focando no relacionamento de Keeley e Jack, e Nate e Jade.
Toda a construção dos cenários da cidade e dos encontros e a trilha sonora escolhida trouxe um tom bem romântico para o episódio. Começando por Jack e Keeley, o namoro delas está firme e envolve muitos presentes e demonstração de carinho extravagantes, com viagens especiais e até o escritório lotado de margaridas. Keeley percebe o que está acontecendo e atualiza Rebecca dos acontecimentos no jantar das duas, em que Rebecca também conta do cara do barco de Amsterdam, que tiveram uma conexão que vai além do sexo.

Eu amo os momentos de Keeley e Rebecca juntas, o papo de mulher entre as duas é sempre bom, mas dessa vez eu fiquei sem entender o propósito da Rebecca relembrar os momentos com o Rupert mais uma vez em situações que ele agiu de modo parecido com Jack. Ela até explicou para a amiga que não acha que os dois sejam iguais, mas para mim essa conversa não precisava ter acontecido dessa forma e mostra como Rebecca ainda carrega o trauma desse antigo relacionamento.
Keeley consegue falar para Jack que não quer receber presentes sempre e a leva para jantar no restaurante favorito de Nate. Keeley parece satisfeita onde está e é bom ver isso porque gosto da personagem, mas para mim está sendo uma pena que o arco dela até agora parece mais focado no relacionamento que no trabalho. Ela agora possui a própria empresa, funcionários e clientes que parece que ficaram de lado nada história para focar no novo namoro dela, a impressão que tenho é que tentaram incluir muitas histórias novas e o principal está ficando de lado.
Agora para falar de Nate e Jade, os dois seguiram o mesmo caminho romântico nesse episódio, foi mostrado a rotina de Nate passando pelo restaurante para ver Jade, os desencontros entre eles quando Nate passou e Jade não estava e no dia em que Jade percebeu que ele não passou por lá. Eu acho interessante como mostram a relação do Nate muito próximo da mãe, eles estão sempre conversando, Nate pedindo conselhos amorosos a ela e é legal que ela está ali sempre apoiando o filho. No jantar na casa de Nate, a mãe dele mostra como recebeu o primeiro convite de jantar do pai dele, e a sobrinha dele que faz as caixas decoradas também estava presente no jantar, que certamente o inspirou para fazer uma caixa dessas para Jade.

A caixa ficou fofa e no dia que ele foi entregar, mais uma vez o cenário romântico foi criado, até ele tropeçar e a caixa ser esmagada. O caminho até Nate ter coragem de chamar Jade para sair não foi tão fácil e ainda teve essa surpresa, mas ele estava determinado a fazer o pedido e falou mesmo assim. Os dois tiveram o jantar para concluir esse núcleo no episódio mas eu também tive a impressão de muita história nova acontecendo e outros assuntos sendo deixados de lado.
O arco do Nate no West Ham ainda precisa de mais desenvolvimento e por agora eu não consigo enxergar necessidade de tantas cenas até ele conseguir sair com Jade. Essa percepção talvez mude com os acontecimentos dos próximos episódios e como utilizarão o tempo para cada núcleo, mas por enquanto ainda me parece que certos momentos foram maiores do que precisavam.
Outro personagem que teve mais destaque nesse episódio foi Sam, que acompanhando o funcionamento do restaurante para a chegada do pai, viu o rebuliço que a Secretária de Interior estava causando com as declarações xenofóbicas contra os refugiados. Sam como um imigrante na Inglaterra, reconheceu que as falas atacam os que querem entrar no país mas também os que já estão ali, como ele, e expôs sua indignação no twitter. O twitter é uma plataforma de rápido e grande alcance, que pode atrair pessoas a seu favor e também contra, e no caso do Sam, depois de rebater a resposta que recebeu da Secretária, teve seu restaurante depredado por apoiadores xenofóbicos.
Que cena delicada de assistir e que atuação brilhante do Toheeb Jimoh quando chegou no vestiário e expressou suas aflições como jogador imigrante, que é bem visto quando faz gol mas que volta a ser menosprezado quando erra um passe. Para aumentar a carga emocional da cena, o pai de Sam chega nesse momento e acolhe o choro do filho. Na cena seguinte vemos a conversa entre Sam e o pai, que foi amigável e confortável enquanto Ted está do outro lado da porta conferindo quando pode entrar na sala. Um grande contraste para outro momento entre pai e filho presenciado por Ted, no (1×10) quando o pai de Jamie humilha o desempenho do filho em campo.

A partida contra o Arsenal teve estreia do novo uniforme do Richmond, nas cores do Believe, achei curioso que em nenhum momento no vestiário deu para ver se colocaram um novo cartaz acima da porta, mas o believe se mostrou presente de outra forma. O primeiro tempo do jogo teve o time atrapalhado, até os comentaristas não acreditavam mais no Richmond enquanto os torcedores no pub estavam inspirados nas palavras do Ted e se perguntando o que a situação precisa. Foi no intervalo entre os tempos que Jamie sugeriu trocar sua posição no campo e assim completariam o futebol total. A tática funcionou, Richmond marcou 1 gol que foi comemorado como se fosse vitória do time e apesar de perderem de 3 a 1, a equipe está esperançosa que seja bom para o time fazer o futebol total do jeito Lasso.

Para encerrar o episódio, Sam leva o pai para conhecer o restaurante e se surpreende com os colegas de time ajudando a recuperar o estabelecimento. Também inspirados nas palavras de Ted, eles fazem o que a situação precisa e oferecem seu apoio a Sam, como eu amo ver a família Richmond em ação! Nesse clima de união, eles preparam o jantar e aproveitam o momento juntos.
Menções que não podem ficar de fora:
-Jamie no treino puxando o Roy de bicicleta, a interação deles só melhora!!
-O momento que Nate foi ao banheiro do restaurante tentar criar coragem e conseguiu se olhar no espelho sem cuspir, temos uma evolução aí!
-O Higgins tomando um banho de chá quente com o susto, coitado dele mas foi engraçado.
-Durante o episódio, cada um tentava adivinhar qual era o item 4 que o Ted não citou na hora de apresentar o futebol total. Estou atenta nesse detalhe porque acho que pode significar algo.















