“As personagens desta série são fictícias. Os fatos aconteceram realmente”. – Aviso Prévio 01, mostrado logo no início de todos os episódios.
A jornada de coragem, de luta e de fuga de Elisa chegou ao fim, pelo menos nesta primeira temporada de Colônia, série original do Canal Brasil, criada por André Ristum (O Outro Lado do Paraíso). Primeiro, devo destacar que passou muito rápido essa temporada e nem parece que já estamos na review do décimo episódio, leitores. E quantos momentos tristes ela e os outros internos viveram, né?! Desde banho com água fria, em um jato de mangueira forte, até sessões de eletrochoque. Foi tortura atrás de tortura!
Contudo, felizmente, a enfermeira Laura abriu as portas do caminho da salvação para a nossa protagonista e para o Raimundo, também. Já a queridíssima Soraya, ao se despedir de Elisa, não topa em fugir, tadinha. Dá uma vontade imensa de abraçá-la e de protegê-la de todo o mal do mundo, confesso. Ô personagem doce e fofa! Tenho certeza que, assim que Elisa conseguir convencer os seus pais sobre as barbáries do local, ela tirará todo mundo de lá, amém! Aguarde, Soso, pois você e os outros vão ser salvos! Pode ter certeza disso! No futuro, você poderá agradecer, e muito, Elisa, com a sua linda voz.

Enquanto isso, Laura despista o enfermeiro Ramires, que está doidinho de paixão pela moça. Ah, o que um homem não faz por um pedido feminino, não é mesmo?! Até descascar pinhão ele foi. Nesse meio-tempo, Elisa ao andar pelos corredores gélidos do hospício Colônia, vê a imagem de Rosana na sua frente. Sim, é aquela personagem que cismou com a bolsa da jovem nos episódios iniciais e acabou morrendo, logo em seguida. Apesar do falatório ameaçador, Elisa não se confunde e resiste. É uma guerreira mesmo! Empoderamento feminino, nós temos! Continue nos orgulhando, menina moça, porque estamos adorando. Logo depois, ela vai até a sala de sessão de eletrochoque e convida Raimundo a fugir junto com ela e o Dr. Carlos nos surpreende ao dizer que “não estava vendo” os dois ali, em plena fuga. Finalmente, né, meu filho?! Antes tarde do que nunca em ajudar os nossos internos a salvarem as suas vidas. Esse é o verdadeiro ato de um médico humanista!
Contudo, Ramires, embora tenha caído igual um “patinho” no papo de Laura sobre comida – no fundo, sabemos que ela está querendo conquistar o boy pela barriga -, ele ouve um barulho. Ela, mais uma vez, despistou, dizendo que é o Ramires tendo pesadelos por conta dos choques recebidos naquele dia. Além disso, o enfermeiro a questiona sobre a história de um jornalista, amigo dela, que está querendo ir ao local para tirar umas fotos e ela confirma, dizendo que deseja, com isso, entender melhor os pacientes. Pelo visto, então, estamos chegando na parte em que denúncias vão ser feitas aos jornais locais de Minas Gerais (MG) sobre o verdadeiro tratamento dado aos pacientes do Hospital Colônia, assim como foi feito na verdadeira unidade hospitalar, em 1979, pelo jornalista Hiram Firmino e pelo cineasta Helvécio Ratton (Em Nome da Razão), respeitados denunciantes dos horrores sobre os maus-tratos praticados por médicos e por enfermeiros aos pacientes. Na época, uma reportagem exclusiva foi publicada no Jornal Estado de Minas, mostrando um lado sombrio e desconhecido sobre a sociedade brasileira: “a exclusão absoluta do doente mental ou do indesejado social”, como afirma uma publicação feita no portal oficial da Prefeitura Municipal de Barbacena (MG). Será que teremos “a arte imitando a vida”? O local será denunciado e fechado, também? Torcemos para que isso ocorra o mais rápido possível.
“Artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
– Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano e degradante.” – Aviso Prévio 02, mostrado logo no início de todos os episódios.
Se não fosse a interrupção de Juraci, Laura falaria mais sobre o tal jornalista, mas ela acaba indo de encontro à Elisa e à Raimundo que já se encontravam no porão. Lá, estava cheirando a podridão dos mortos empilhados, mas, para fugir, não teria outro jeito: eles tinham que se passar por falecidos dentro dos sacos de panos, mesmo com o odor fétido, juntamente ao ato de ficarem quietos e imóveis. Desse modo, os corpos foram colocados no bagageiro do carro, todavia, o enfermeiro Antônio, por não aguentar aquele cheiro horrendo, acaba, não só vomitando na escada da entrada principal do Colônia, como, também, desiste de dirigir o veículo, que seria levado às Universidades para as aulas de Anatomia Humana, principalmente no curso de Medicina, aposto. E, assim, infelizmente, Juraci, na vontade de realizar o serviço, decidiu dirigir mesmo não tendo condições, uma vez que ele estava bêbado, atrapalhando parcialmente o plano de fuga montado pela Laura.

No meio do caminho, o enfermeiro carcereiro resolveu parar em uma venda/bar para comprar cerveja, acredito que é o mesmo que o Pedro tomou uns goles. Entretanto, o que ele não esperava era sentir a presença de mais uma pessoa no veículo, tampouco ouvir a voz de algum dos “mortos” empilhados na traseira do automóvel. Dessa forma, ao abrir o porta-malas, Raimundo levanta e tenta fugir, mas é impedido e leva vários socos no rosto. Elisa, então, esperta do jeito que é, acaba cravando a cruz que recebeu de presente de Wanda, em Juraci e, se eu não estiver enganado, foi na veia jugular, localizada no pescoço… Acho que eu ainda lembro alguma coisa das aulas de Anatomia Humana e Radiológica – disciplina do 1º período – do meu Curso Superior de Tecnologia em Radiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), hein?! Brincadeiras à parte, Juraci até tentou revidar, com o objetivo de estuprá-la, mas acabou desmaiando e “morrendo” para o nosso alívio.
E a emoção continuou sendo o destaque do décimo e último episódio da primeira temporada de Colônia, porque tivemos Elisa pedindo à Raimundo que ele vivesse e fosse forte, apesar de todas as dificuldades impostas pelo caminho. Ele, portanto, levantou e, de forma linda e simbólica, se despediu de Gil com um beijo em seus lábios. As lágrimas nem desceram do meu rosto, né?! Já Elisa apareceu andando a ermo pela estrada sem o amigo viciado em bebida alcoólica. Uai, será que ela não o esperou? O que vocês arrumaram, roteiristas? Sobre isso eu não sei, mas no quesito surpresa, eles se superaram. Vejam só:
Já em São Paulo, na Fazenda Bambuzal, próximo à cidade interiorana de Jardinópolis, vemos a mãe de Elisa, Antonieta, acordar apavorada, pois pensa que alguém está na sala de sua residência após ouvir um barulho. Só que eles, assim como Juraci, foram surpreendidos com esse “alguém”: sendo Elisa, em seu quarto, apontando uma espingarda para os dois: “Oi, pai!” E, assim, o episódio finaliza! Cadê a segunda temporada? Alô, Canal Brasil! Eu quero pra ontem a continuação da história, por favor! O que será que vai acontecer com Elisa? Será que Raimundo está debaixo da cama? Elisa matará os pais? Júlio, finalmente, perdoará a filha após ouvir os relatos contendo tanta barbárie sobre o que ela passou no Colônia? Aliás, não tiro a culpa da mãe, também, não, pois a matriarca foi bem dura ao visitá-la, no quarto episódio, não é mesmo?!
Após os créditos finais, como eu avisei na review do oitavo episódio, “Tudo Vem, Tudo Vai”, tivemos uma cena extra, um tanto curta demais – diga-se de passagem -, mas importantíssima: Juraci deitado no chão, no meio da estrada, mexendo os seus dedos. Aí, meu Deus do céu: o embuste do homem não morreu. Será que ele voltará para o hospício Colônia ou ele seguirá rumo às Universidades? Juraci delatará tudo à polícia? Vai atrás de Elisa? Somente uma segunda e imprescindível nova temporada para podermos esclarecer tantos questionamentos, né, pessoal?!
Por fim, quero parabenizar o André Ristum e toda a sua equipe, que, com muita maestria na direção, conseguiram cativar os telespectadores, com uma história triste, mas reflexiva, no final das contas. As belas atuações também merecem destaque, criando personagens “desejáveis”, cheias de delicadeza, de profundidade, de amizade, de força e, claro, de emoção na tela!
A verdadeira loucura está na maldade humana, e não naqueles que foram considerados “indesejáveis” – homossexuais, alcoólatras, prostitutas, mulheres grávidas fora do casamento, por exemplo – perante à sociedade.
“Esta série foi inspirada na história do Hospício Colônia. Os eventos e personagens, contudo, foram ficcionais para fins desta série e o nome dos personagens e os personagens por si, a estória, os incidentes e as instituições são fictícios. Nenhuma identificação com pessoas reais, vivas ou mortas é intencional ou deve ser presumida”. – Aviso Final, mostrado logo após a abertura de todos os episódios.

COLÔNIA DE OBSERVAÇÕES:
p.s.01: Eu não aguento a personagem Soraya, não, gente. Ela é fofinha demais da conta! Soraya adora fazer tranças e, apesar da pouca fala, o seu olhar diz mais do que mil palavras, podem ter certeza disso;
p.s.02: Em contrapartida, o Dr. Freitas, fala que Juraci tem um futuro promissor, sendo o Colônia a cara dele. Só se for cara de maldade e de violência, seus dois energúmenos;
p.s.03: Por falar no bendito cujo, ele está triste e desolado pelo fato de a sua esposa ter ido embora com o seu filho. E os internos têm culpa disso, Juraci? Bem feito! Você e todos os funcionários têm que sofrer, e não é pouco, não;
p.s.04: O tchauzinho de Valeska durante a saída do carro com os corpos da unidade hospitalar poderia ter sido em dose dupla, com o Gil ao seu lado, né?!;
p.s.05: Não posso deixar de lembrar de dois personagens cativantes e engraçados: José (Márcio Américo de Unidade Básica) e Germinda (Lulu Pavarin de Samantha!) , que nos encantaram com as suas brincadeiras e as suas gargalhadas ao longo dos episódios;
p.s.06: Senti falta de eles, os roteiristas, não terem desenvolvido justamente a questão da presença de jornalistas no local, já que lá, no piloto, o diretor Freitas – em um telefonema – fala que não gostou de mais uma matéria de um jornalista sobre o Hospital Colônia. Seriam as denúncias? Isso não ficou claro e eu espero que, na segunda temporada, isso seja desenvolvido exemplarmente como todas as histórias já mostradas até aqui, na season finale;
p.s.07: Fernanda Marques (Onde Nascem os Fortes), a intérprete de Elisa, está em seu melhor momento, não podemos nos esquecer disso. Uma entrega ímpar, um choro emocionante! Alô, premiações nacionais e internacionais! Vem cá, faz favor, e entreguem as suas estatuetas à Fernanda, afinal de contas, ela merece, e muito!;
p.s.08: Em entrevista à Bele Machado, criadora de conteúdo digital, no Instagram, o ator Arlindo Lopes (Da Cor do Pecado) conta como foi a preparação para o seu personagem Gilberto, destacando o fato de ele ser “leve” no sentido de se sentir “livre” naquele ambiente opressor e dramático. Arlindo também contou qual objeto ele guardou de lembrança do personagem e, é claro, que eu não vou contar, pois vocês vão ter que conferir para descobrirem. Vale a pena assistir aos 10 minutos de vídeo!;
Canção da Despedida
“Por que perder a esperança
De nos tornar a ver?
Por que perder a esperança
Se há tanto querer?
Não é mais que um até logo
Não é mais que um breve adeus
Bem cedo junto ao fogo
Tornaremos a nos ver (…)” – Canções Escoteiras. Música cantada pela personagem Amélia.

p.s.09: Agradecimentos 01: Sabe aquela amizade super importante na sua vida? Pois é: eu tenho uma e ela se chama Gabriela “Gaby” Pagano, afinal de contas, foi Gaby quem me indicou a série, por meio de uma publicação que falava sobre outra série, na verdade, no âmbito documental, e da Netflix: Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime (2021), que eu, inclusive, fiz uma Crítica aqui, no Série Maníacos. Muito obrigado, Gaby, pela amizade e pelas indicações de seriados. Você faz parte dessa cobertura de Colônia, viu?! #AmoMaisQueSéries;
p.s.10: Agradecimentos 02: Sentimento de gratidão aos atores e ao criador da série, que, gentilmente, me responderam via Direct, no Instagram. Confesso que eu não imaginava receber esse retorno tão positivo. Já fiz amizade com vocês – principalmente com o ator Arlindo, por favor, restante do elenco, não fiquem com ciúmes, risos – e estamos juntos na expectativa de mais uma temporada. Estarei rezando! #VaiDarCertoAmém;
p.s.11: Agradecimentos 03: Por fim, gostaria de agradecer, imensamente, a todos vocês leitores que me acompanharam nessa jornada, desde as notícias iniciais de apresentação sobre a série até as dez (10) reviews completinhas sobre todos os episódios da primeira temporada de Colônia. De nada vale ter escrito, sem a presença de vocês! Muito Obrigado! Espero ver todos na segunda temporada, pois, como diz o Gil do Vigor (BBB21), “em nome de Jesus”, a série Colônia vai ser renovada para a segunda temporada, amém! Enquanto isso, ficaremos, é óbvio, com saudades de todos esses personagens cativantes;
p.s.12: Torcida 01: Vamos ficar na expectativa de a série ser renovada para uma segunda temporada, por favor, Canal Brasil. Não nos decepcione, ainda mais, agora, com a série ganhando um filme – Hospício Colônia -, ou seja, tem que ser serviço completo, hein?!;
p.s.13: Torcida 02: Desejo também que a série seja exibida na programação da TV Aberta de Televisão, na Rede Globo, após a novela das 21h, por exemplo. Já pensou, André Ristum, milhões de telespectadores assistindo à série e, dessa forma, refletindo depois sobre a importância do Movimento Antimanicomial? Nossa, vai ser sucesso!;
p.s.14: Além do livro-base do seriado – “Holocausto Brasileiro: 60 Mil Mortos no Maior Hospício do Brasil” (2013), da autora Daniela Arbex (“Todo Dia a Mesma Noite: a História Não Contada da Boate Kiss”) e do documentário homônimo ao livro, lançado, em 2016, pela HBO, mostrando as atrocidades daquele local desumano, o cineasta Helvécio Ratton (Menino Maluquinho – O Filme), no documentário Em Nome da Razão (1979), disponível no YouTube – mostra relatos de pacientes sobre o Hospital Colônia, em Barbacena (MG). Assim como a série e os outros dois conteúdos citados, este está emocionante. Ele, inclusive, ajudou para que ocorresse a reforma psiquiátrica no Brasil, juntamente à Luta Antimanicomial. Assistam!;
p.s.15: Lembrando que, embora a exibição oficial da série no Canal Brasil tenha terminado na última sexta-feira, dia 23 de julho de 2021, muito provavelmente ainda irão ocorrer várias reprises ao longo da programação. Ademais, a série continua disponível com exclusividade no catálogo do Globoplay, a plataforma de streaming da Rede Globo. Então, indiquem para os amigos, tanto Colônia, quanto as minhas reviews, hein?!















