“Elisa, você não tem culpa de nada, menina. Fica tranquila. Aqui é assim, viu?! Vai se acostumando. Tem gente que desaparece, depois reaparece… Tem gente que não!” – fala de Wanda à Elisa durante a refeição no Hospital. 

O terceiro episódio da primeira temporada de Colônia inicia-se exatamente do gancho – o famoso cliffhangerdeixando em seu antecessor: Rosana atacando Elisa na cama com uma faca na mão. Será que Rosana iria machucá-la, de fato? Para o nosso alívio, não. Contudo, a agressora sofreu a pior e irreparável consequência: o falecimento, pois Elisa a empurrou e, ao ela ter batido a cabeça no chão, desmaia e o sangue começa a sair de sua cabeça em virtude de um possível traumatismo craniano. Uma cena um tanto forte, não é mesmo?!

É de se imaginar que muitas dessas ocorrências – como essa representada na série – ocorreram no verdadeiro Colônia, em Sabará (MG), sejam as violências que os funcionários praticaram com os pacientes, sejam aquelas acometidas entre os próprios internos. Desde as minhas Primeiras Impressões, na semana passada, eu lembrei sobre os olhares de desconfiança entre veteranos para com os novatos e, claro, que as brigas por espaços e por objetos pessoais ocorreriam entre eles. E ainda bem que Wanda, amiga de Elisa, estava lá para proteger a moça, não só do ataque propriamente dito, como, também, da possível confissão que a jovem queria ter feito. A desculpa do ocorrido foi que Rosana apenas caiu ao chão e morreu. E pelo local em que o Prefeito Genésio (Vanderlei Bernardino de Segunda Chamada) se encontrou com a sua amante, o corpo de Rosana continua pelo Hospital. 


Por falar no dito cujo, ele vai à unidade hospitalar para se encontrar com Valeska, sua eterna apaixonada, pelo menos, da parte dela é esse o sentimento. Ele a colocou lá, pois a moça, há cerca de cinco anos, ameaçou contar à esposa do bendito sobre o caso entre os dois, o que poderia culminar, assim, em uma reviravolta na vida íntima e na profissional do governante municipal. Pra piorar a situação, Genésio ainda fica-lhe prometendo a saída, em uma possível separação de sua atual mulher para que, desse modo, oficialmente, eles possam viver o famoso “felizes para sempre”. Tadinha, né?! Não merecia ser iludida desse jeito, não, gente! É um ciclo vicioso e negativo – diga-se de passagem – em relação aos sentimentos da moça, coitada. Todas as vezes, ela se arruma na esperança de ser levada embora e, no fim das contas, nada acontece, a não ser o mesmo: a sua permanência na unidade hospitalar. Ah, eu não posso me esquecer da minha inocência em achar que o prefeito iria apenas visitá-la com um beijinho e um abraço: nada disso! Ele cometeu o crime de estupro, ao meu ver, mesmo com o consentimento dela, afinal Genésio se aproveitou da vulnerabilidade de Valeska para saciar os seus anseios sexuais. E pelo amor de Deus, né, pessoal: quantos quartos existem no Colônia, principalmente no porão, e eles logo foram manter as suas relações afetivas onde colocam os corpos dos internos? Ah, e pasmem: caso vocês não tenham percebido, eu conto, com exclusividade: um braço caiu durante o tempo em que eles estavam lá no “vuco vuco”. Sem contar, os gemidos – com todos ouvindo – e a falta de vergonha na cara desse homem poderoso e esdrúxulo.

Enquanto Valeska chorava de tristeza e de raiva pela partida de seu amor, Raimundo foi levado para a sessão de eletrochoque por “mal comportamento” ao procurar  bebida alcoólica. Contudo, o enfermeiro Ramires (Marco Bravo de Unidade Básica) sabia muito bem que o paciente é um viciado e lhe prometeu a bebida, posteriormente à limpeza do chão. É triste ver esse tipo de abuso, de aproveitamento em cima da fraqueza humana… E a marmota do uso de cassetetes entre os funcionários? Vocês não são policiais, muito menos guardas, não, e sim enfermeiros. Cadê a humanidade? Cadê o cuidado? Cadê o amparo? Pois é: eles ficaram com Deus! Em contrapartida, caro André Ristum (O Outro Lado do Paraíso), você, sim, como criador e roteirista, conseguiu transcender aos telespectadores toda a empatia, o respeito e, claro, a torcida para com aqueles pacientes. Mal vejo a hora de aquela espelunca ser recheada de denúncias e fechar as portas de vez, confesso. Como ainda estamos nos primórdios da história, isso vai demorar um pouco para acontecer, mas a gente espera, sem problemas, afinal de contas, somos brasileiros e não desistimos jamais. 


E nessa linha de raciocínio de não desistir, a nossa protagonista, Elisa, continua alimentando diariamente a vontade de receber alguma visita de algum parente, em especial a de sua mãe, Antonieta. Tadinha: lá é “o fim do mundo” e ninguém daquela época desejava se envolver com os “indesejáveis”. Porém, Elisa, guerreira, destemida e sem medo algum, vai à secretaria, em virtude da saída rápida de Romilda (Lilian de Lima de Assédio) – que foi levar um cafezinho na sala do diretor Freitas – e usa o telefone. E quem atende do outro lado? Bingo: sua mãe! Apesar de a ligação ter sido rápida, a funcionária pega a moça no “pulo do gato” e trata logo de chamar a enfermeira Laura (Naruna Costa de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho) para intermediar a situação. Ainda bem que deu tempo de ela ter pronunciado o nome da cidade de Barbacena e do Hospital Colônia, não é mesmo?! E como não poderia ser diferente, o episódio curto termina com um cliffhanger pra lá de excelente. O que vai acontecer com Elisa, hein?! Será presa no porão? Eletrochoque? Violência física demasiada? Deixem suas previsões nos comentários abaixo. Não podemos perder os próximos episódios! 

COLÔNIA DE OBSERVAÇÕES:

p.s.01: É bem difícil e complicado colocar palavras positivas em relação ao seriado, mas um momento de “felicidade” entre os pacientes foi mostrado: quando eles estavam brincando de futebol no pátio, com todos rindo e se “divertindo”, de certa forma. Por mais alívios como o citado em cena, por favor;

p.s.02: A pergunta que não quer calar: qual é a cidade de Genésio, será?! Minas Gerais tem 853 municípios – ao todo -, então é opção que não acaba mais. Barbacena, sabemos que não é. “E agora, José?”;

p.s.03: Dr. Carlos segue preocupado com todos os procedimentos adotados no local, mas, ao mesmo tempo, ele precisa do emprego. Não está nada fácil pra ele, não! “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”;

p.s.04: Colônia – em sua primeira temporada – segue disponível nos streamings da Rede Globo, como o Globoplay e os Canais Globo, o antigo Globosat Play. De acordo com o leitor Leonardo MUFC, a série está disponível também no Now. Vale lembrar, inclusive, que, durante a programação do Canal Brasil, há várias reexibições alternativas ao longo da semana. Muito obrigado pela informação, Leonardo;

p.s.05: Teremos um filme após a série, pessoal. Olha só que interessante: segundo Ristum – em entrevista à Rádio Central Brasileira de Notícias, mais conhecida como CBN – a ideia surgiu posteriormente, porque, em um longa-metragem, não teria tempo suficiente para aprofundar as histórias, ao contrário de um seriado. “(…) O filme será uma versão, vamos dizer, reduzida, mais compactada ali da série, mas, também, trazendo novidades, trazendo coisas que nem existem na série. Também um novo olhar, uma nova perspectiva (…)”, revelou o criador da produção original do Canal Brasil;

p.s.06: Ainda na conversa, André contou que depois da estreia, na semana passada, ele recebeu inúmeras mensagens de pessoas que conhecem ou que têm/tinham parentes que foram enviados ao verdadeiro Hospital. Quem sabe a partir de tais relatos, ele continua em uma possível segunda temporada para Colônia ou, até mesmo, novas ideias para o filme, né?! Estou torcendo pra ambos os casos!;

p.s.07: Além disso, ele revelou o motivo pelo qual a série possui episódios tão curtinhos, em torno de 30 minutos, cada, contando com a abertura. De acordo com Ristum, é para que a história não fique cansativa, muito menos corra o risco de o telespectador, por exemplo, trocar de canal durante a exibição. O segredo está na tela: sem enrolação e muito drama! Assim que a gente gosta, com certeza;

 

p.s.08: Por fim, o bate-papo, que teve a participação de Fernanda Marques (Onde Nascem os Fortes) e de Augusto Madeira (Ninguém Tá Olhando), revelou características dos personagens dos atores mencionados, Elisa e Juraci, respectivamente. Vale a pena ouvir os 44 minutos de entrevista, leitores! Apesar de não ser de fato um podcast, para quem gosta desse novo estilo de consumo de conteúdo, só para os ouvidos, não pode perder de jeito nenhum;

REVISÃO GERAL
Nota:
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colonia-1x03-a-sonambula-e-o-corpo‘Colônia’, mesmo de forma ficcional, continua mostrando as atrocidades cometidas há 50 anos na história brasileira. É preciso mostrar, debater e, evidentemente, refletir sobre o combate à violência manicomial.