Estaria o All Stars 6 a caminho do primeiro caso de Full Redemption?

Vamos relembrar um pouco do que o All Stars fez pelo retorno de algumas queens desde que sua primeira edição foi ao ar: Já podemos descartar o All Stars 1 como bom exemplo de reaproveitamento de reputações. Seis episódios eram pouco para qualquer um reparar qualquer tipo de imagem. No All Stars 2 as coisas já mudaram bastante. Roxxxy e Phi Phi tinham saído de suas temporadas com rejeição total e queriam fazer daquele momento a grande chance de redenção. Funcionou para Roxxxy, às custas de muitos bottoms. Phi Phi até piorou as coisas e chegou a desertar do convite para um reunion.

Na terceira edição Trixie, Aja e Shangela estavam juntas na missão de provar que eram dentro da corrida tão boas quanto já demonstravam ser fora dela. Não havia nenhuma vilã no elenco, mas a experiência acabou com a reputação de Milk e chocou o mundo ao mostrar Ben desistindo da competição só para salvar a sua. Já no All Stars 4 os holofotes estavam em Valentina, que acabou piorando o quadro com sua insistência em viver no meio da fantasia. Também foi especialmente chocante ver Latrice arranhando sua boa imagem com ataques de estrelismo. Na edição número 5 do programa, Shea teve sua vitória, mas India Ferrah saiu de mentirosa e Derrick Barry falhou novamente em fugir das comparações com Britney.

Passamos do quinto episódio do All Stars 6 e já podemos dizer que a ausência completa de fan favorites só ajudou a temporada a acontecer. Com a eliminação justa da equivocadíssima Yara Sofia, qualquer resquício de supervalorização de nomes clássicos ficou para trás. Essa pode ser a temporada da plena redenção e a eliminação sofrida de Silk nos sinalizou esse caminho. Ra’Jah saiu da temporada 11 com uma reputação terrível, tanto pessoalmente como artisticamente. Se ela continuar o trabalho excelente que vem fazendo, pode ser a primeira coroada do All Stars a reescrever todo o enredo. De vilã a heroina… From trash to treasure. Me peguei essa semana torcendo muito para ver isso acontecer.

Houve um momento em que achei que veria A’Keria entre as mais fortes, mas comecei a desconfiar que não diante de dois bottoms seguidos e metade das meninas achando que ela deveria pegar o caminho de casa. Para mim A’Keria é uma participante mediana, em todos os quesitos. Metade do tempo discordo quando dizem que ela foi bem. Além, é claro, de não ter uma assinatura forte. Porém, lá estava ela sobrevivendo e tomando a decisão de interpretar Prince. Sim, porque o ótimo desafio de reinventar os shows do intervalo do Superbowl deu a nada menos que DUAS meninas, a chance da redenção.

Quem assiste a Drag Race sabe que Beyoncé nunca foi bem explorada no Snatch Game e que Trinity, na temporada 6, foi acusada de ser um pouco delusional ao achar que poderia “ser” a cantora. Naquele momento, inclusive, era evidente que ela não poderia “ser” Beyoncé num jogo de perguntas e respostas. Mas, diante do All Stars 6, essa tarefa de incorporar a diva parecia possível e adequada. E ainda que Trinity não tenha sido Queen B no Snatch, ela nos deu TUDO que precisávamos nos seus poucos segundos performando como a cantora. Era um momento de desfecho total para a participante. Ela provou de verdade que sabia o que estava fazendo.

Embora para mim Trinity fosse a vencedora, Jan foi quem ganhou o desafio, numa performance de Lady Gaga que era bem executada, mas não era de tirar o fôlego. Jan tem a vontade, a força, a capacidade, mas ela não tem a vulnerabilidade e por isso o coração não aparece. Foi por isso que ela perdeu o inesquecível Rusical da Madonna para Gigi e deveria ter perdido esse para Trinity. Porém, Ru pensava de outro jeito e deu para ela a redenção que ela tanto veio buscar. Foi um momento bonito para Jan e ela mereceu sua vitória. Contudo, ver Trinity engolir tudo com aquela Beyoncé foi o que realmente soou como um superbowl (e a versão de Bring Back My Girls ficou sensacional).

Dito isso, PELO AMOR DE DEUS eu quero apagar aquela Fergie de Ginger da minha cabeça. Sei que a temporada caminha para uma possível vitória dela (pelo cansaço), mas até agora só vi o mais absoluto meh. A Madonna de Eureka também não foi grande coisa e o ranço de Yara só fez match com aquela Shakira desconexa. E só queria fazer uma menção especial a ótima atuação de Ra’Jah como Dianna Ross. Muito melhor que a de Bebe, aliás. Por fim, o que me matou de rir foi a versão Carol Channing de Click-Clack, que é uma das minhas canções favoritas de Mama Ru e acabou ficando hilária.

No bottom junto com A’Keria estava Yara, que continuou com seu discurso de “eu não imploro”, quando na verdade ninguém queria que ela implorasse e sim que se defendesse. Além disso, Yara tem uma atitude prepotente, antipática, que eu já notava na Season 4, mas que aqui acabou se tornando impossível de não perceber. E se havia uma possibilidade de estar errado sobre ela, essa possibilidade foi eliminada depois daquela despedida grosseira e desnecessária. Sorte nossa que o lipsync de Jan estava cinco tons acima do que era requisitado e ela perdeu.

Pobre Jan… São dois passos para frente e quatro para trás. Ao invés de ter prestado atenção no fato de que Yara estava sendo meio babaca, ficou alvoraçada com a vitória e escolheu A’Keria para sair, sendo a ÚNICA do grupo a fazer tal escolha. Se enrolou na justificativa e marcou o tom do dia: seria difícil ser Jan pelas próximas horas. Quando Ru anunciou que o desafio era uma conversa eu pensei na hora: Jan vai flopar. Ela é geneticamente incapaz de dar uma folga para sua energia de 620 volts e quando chora por não saber o que fazer com isso, está sendo verdadeira. O que fazer quando tudo que te atrapalha é exatamente quem você é?

É até um pouco cruel, precisamos dizer. No primeiro grupo, por exemplo, Eureka, Trinity e A’Keria foram honestas sobre tudo. Trinity falou sobre o HIV, A’Keria sobre ter sido uma mulher trans, Eureka sobre ser gorda e todas essas coisas são partes importantes de quem elas são. Elas sabem acessar com equilíbrio. Mas, sem uma trama efetiva para trabalhar em cima do tema do próprio grupo, Jan passou de parceira de si mesma a vítima. Tanto ela quanto Scarlet erraram ao não entenderem que não podiam ser engraçadas dentro de um personagem ou de um roteiro pessoal calculado. Porém, nesse quesito (e considerando a passarela) acho que Jan sempre toma a dianteira e deveria ter sido eliminada no lugar de Scarlet.

Sobre a vitória de Ginger eu tenho a dizer que ela estava muito bem, mas que não fez sentido pra mim que o grupo de Eureka tenha vencido e ninguém de lá tenha conseguido ser o Top da semana. Pelo menos, na ÓTIMA passarela com a “briga das estampas”, Ginger estava pelo menos aceitável. Nessa passarela, inclusive, Eureka e Trinity foram as melhores, sem dúvida nenhuma. Quero falar mais um pouco sobre Ra’Jah, porque foi mais um ótimo episódio para ela, que fez tudo certo e ainda continuou a surpreender com uma atitude positiva e comovente.

Gosto de Jan, de verdade, mas essa deveria ter sido a hora dela partir. No desafio ela não foi bem e na passarela, embora boring, o vestido de Scarlet era melhor. Jan faz escolhas de moda muito questionáveis e a paleta lilás já me cansou profundamente. Não é como se Scarlet fosse uma participante maravilhosa, mas ela não foi tão mal na passarela quanto Jan e isso deveria ter sido levado em consideração. Ginger estava no mesmo grupo que Jan, então, fazia sentido que ela fosse salva. Kylie, embora tenha cometido o primeiro deslize, não merecia o bottom.

E eis que, enfim, tivemos mais um icônico lipsync. A pegadinha com Bianca Del Rio já foi maravilhosa. Fiquei intrigado com as reações de Trinity, que não pareceu feliz em rever a colega. Confesso que quando vi Mayhem Miller desanimei um pouco. Contudo, além de Ginger ter feito um ótimo trabalho, os 10 segundos finais foram épicos, com essa imagem ficando grudada no meu cérebro:

Ginger ganhou 30 mil dólares, deu uma grana para as colegas e achei bonitinho. Mayhem saiu pedindo uma parte e acho que esse foi o melhor episódio de Mayhem na história da corrida, o que diz muito sobre ela. Mas, olha aí de novo… Essa temporada está tão forte que meninas estão sendo redimidas até quando só estão ali para fazer um lipsync. O All Stars 6 já colocou o 4 e o 5 para comer poeira e semana que vem ninguém me segura, porque vai ser TUDO trabalhado em American Horror Story. Emma Roberts estará no painel. EU GRITEI!!

RuPaul sabe me fazer feliz? SABE. Nos vemos lá.

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorCrítica: Do quarto à Antártida, ‘Atypical’ da Netflix conclui sua história da melhor forma possível
Próximo artigoSchmigadoon! | Primeiras Impressões [DeriPocket #15]
rupauls-drag-race-all-stars-6x04-05-halftime-headliners-pink-table-talkTivemos mais um icônico lipsync. A pegadinha com Bianca Del Rio já foi maravilhosa. Fiquei intrigado com as reações de Trinity, que não pareceu feliz em rever a colega. Confesso que quando vi Mayhem Miller desanimei um pouco. Contudo, além de Ginger ter feito um ótimo trabalho, os 10 segundos finais foram épicos.