Depois de quatro anos acompanhando o dia a dia da família Gardner, Atypical finalmente chega ao fim. A série, que conta a história de Sam, um jovem no espectro do autismo, apresentou uma quarta temporada digna que, além de fechar muito bem o arco de cada personagem, se provou a melhor temporada até então.

Sam já teve que superar muitas experiências novas durante as três primeiras temporadas: namoro, ir para a escola sem a companhia da irmã, a possível separação dos pais e até mesmo o início da vida universitária. Desta vez, Sam trilha o próprio caminho e decide, por conta própria, morar com Zahid e, não só isso, mas viajar para a Antártida.

O público é convidado, em 10 episódios, a acompanhar o final dessa trajetória de independência de Sam, que passou de um garoto que precisava da mãe para tudo – na primeira temporada – para um jovem adulto que conseguiu, sozinho, montar uma expedição para um local distante, gelado e pouco habitado.

Um dos pontos fortes da temporada foi ver também a evolução de Elsa, que teve de aprender a desapegar do filho e deixá-lo trilhar seu próprio caminho. Se para qualquer mãe esse já é um passo difícil, certamente foi muito mais para Elsa, que passou tantos anos ao lado do filho ajudando-o em suas tarefas diárias, principalmente agora, diante dos seus planos de viajar, sozinho, para um local tão perigoso quanto a Antártida.

Acontece, entretanto, que Sam não precisou ir sozinho para a sua viagem, e isso acompanhou um dos momentos mais tocantes da temporada: Doug decide pegar algumas semanas de férias para acompanhar seu filho na viagem. Se você acompanhou a série até aqui, deve lembrar da relação levemente conturbada entre pai e filho que marca a vida dos Gardner. Pouco tempo depois de Sam nascer, Doug abandonou a família por não conseguir lidar bem com o fato do filho ter nascido no espectro do autismo. Ainda que tenha voltado um tempo depois, esse feito marcou a história da família.

Agora, depois de tanto tempo passado, Doug tem que lidar com a morte do melhor amigo, sendo obrigado a se descobrir novamente no quesito emoções, visto que o personagem sempre se esforçou para escondê-las. Depois de tanto tempo refletindo, o personagem deu seu maior salto de crescimento até aqui, se propondo a ir viajar com o filho, só os dois, para compensar o tempo perdido na infância.

Com esta viagem, que marca o final da série, Elsa e Casey poderão passar um tempo juntas, só as duas, por alguns meses. Depois de diversas temporadas de desavenças entre as personagens – quem nunca se incomodou com a forma que Casey tratava a própria mãe? –, ambas finalmente conseguem manter uma relação harmoniosa e saudável, onde Elsa consegue ajudar Casey e se torna uma figura de confiança para a jovem.

Ainda sobre Casey, a jovem protagonizou um dos melhores arcos de toda a série. Tendo que tirar notas boas na escola, arrasar na pista de corrida e passar tempo com Izzie, sua nova namorada, a personagem entrou em um colapso psicológico. Tal arco mostra ao público quão grave pode ser a ansiedade, transtorno muito presente no dia a dia da população. Começando com mordidas nas unhas, Casey passou do nervosismo diário de adolescente para um ataque de ansiedade que a fez passar dias em sua cama. Seu arco, dessa forma, a leva não só para um caminho de maior maturidade, mas para uma brilhante autodescoberta que incentiva o público a olhar não só para a tela, mas também para dentro de si.

Vale ressaltar as ótimas cenas em que Sam e Casey podem, novamente, trabalhar sua doce e profunda relação de irmãos. Desde a primeira temporada, a relação entre os dois jovens Gardner se mostrou invejável, onde, ainda que com algumas provocações por parte da irmã, ambos se completam e se apoiam, independente de qualquer outra coisa. “Sam? Vamos abraçá-lo com força, tá?”.

Ainda que com ótimos momentos da família Gardner, Sam ainda manteve seu papel central na história. Casey não foi a única a amadurecer: seu irmão mais velho não só se mostrou independente para organizar uma expedição para a Antártida, mas também se mostrou uma pessoa que, aos poucos, desenvolveu uma inteligência emocional que marcaria sua relação com os dois personagens mais importantes da série que não são da família Gardner.

Enquanto Zahid descobre que está com câncer – mas ainda se mantém impecável como o personagem mais engraçado da série –, Paige começa a reavaliar seu futuro e suas opções de carreira. Como já visto nas temporadas anteriores, Sam acaba magoando as pessoas mais importantes para si – dessa vez seu melhor amigo e, novamente, sua namorada –, mas não demora para provar que evoluiu muito em sua inteligência emocional, se mostrando um ótimo amigo para ambos. Atypical nos entrega, assim, um dos momentos mais emocionantes da obra, onde Sam demonstra seu amadurecimento e, assim como Elsa, demonstra que é preciso deixar aqueles que amamos livres.

A obra, novamente, sabe abordar o autismo com perfeição, sendo um exemplo de representatividade para todos aqueles que nascem no espectro ou convivem com estas pessoas. Com atores que inclusive estão no espectro, a série não trata estas pessoas de forma diferenciada, muito menos os personagens, que deixam claro que Sam é uma pessoa tão capaz e merecedora de respeito do que qualquer outra.

Dessa forma, a quarta Atypical volta a encantar o público com tramas doces e, ao mesmo tempo, profundas. Os personagens tão amados pelos espectadores são muito bem trabalhados para apresentar, por fim, seus crescimentos durante os quatro anos de série. Tendo o piloto da série intitulado “Antártida”, Sam Gardner percorreu um longo caminho em quatro temporadas, mas finalmente chegou lá.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-do-quarto-a-antartida-atypical-da-netflix-conclui-sua-historia-da-melhor-forma-possivelA quarta Atypical volta a encantar o público com tramas doces e, ao mesmo tempo, profundas.