“The Jedi” é daqueles episódios memoráveis. Daqueles que vão colocar o Fandom em polvorosa, agradecendo Dave Filoni por simplesmente existir. E já adianto que não pouparei linhas para falar sobre este incrível capítulo.

O capítulo 13 já abre em Corvus, o planeta pântano indicado a Mando por Bo-Katan. E em questão de segundos, a série apresenta pela primeira vez em Live-Action, Ahsoka Tano, em uma cena não tão impactante como eu imaginei que seria. Não me entenda mal, como fã de carteirinha de “Clone Wars” e “Rebels”, é claro que eu me emocionei muito ao ver essa personagem pela qual tenho tanto carinho fazer sua estreia, mas, também acho que a cena que revela a personagem poderia ter sido mais marcante. Acredito que John Fraveau e Bryce Dallas Howard fizeram um trabalho melhor com Cobb Vanth e Bo-Katan no quesito introduzir personagens, e creio que isso aconteceu simplesmente devido a inexperiência de Filoni como diretor.

Mas isso acaba não pesando muito na balança do fã, porque só de poder ver Ahsoka com seus 2 sabres de luz brancos fazendo a limpa em seus inimigos após tentar conseguir uma informação misteriosa, já é um baita presente incrível. Sobre o elefante na sala, eu tive sim um estranhamento inicial com a aparência dela, mas acredito que seja simplesmente por já estar acostumado com a versão animada. O caminho escolhido pela produção para o visual acabou sendo uma mistura entre os designs de “Rebels” e o da última temporada de “Clone Wars” (facilmente o melhor), e isso me agradou bastante, rapidamente me acostumei com essa nova versão! Outra preocupação que eu tinha era se Rosario Dawson iria conseguir me fazer acreditar que aquela era mesmo Ahsoka Tano, e devo admitir que não consigo pensar em uma melhor atriz para interpretar a personagem. Dawson tem alguns trejeitos bem sutis, mas que imediatamente passam um sentimento de familiaridade.

Imagino que a maioria aqui já deve ser familiar a personagem, seja por ter assistido as animações ou pela internet, mas vou dar um rápido contexto para quem não a conhece. Ahsoka Tano foi a Padawan de Anakin Skywalker durante as Guerras Clônicas, e apesar de nunca ter aparecido nos filmes da Trilogia Prequel, Tano teve um papel de muita importância na vida de Anakin e na Guerra. Após a Ascenção do império e a queda de seu mestre para o Lado Sombrio, Ahsoka se juntou aos Rebeldes e foi vista pela última vez no Series Finale de “Rebels”, quando saiu em uma missão muito importante (da qual falarei mais para frente), ou seja, seu retorno não poderia ser mais recheado de mistérios.

Então, após esses primeiros momentos focados na recém-introduzida Jedi, vemos Mando e Baby Yoda chegando na mesma cidade onde Ahsoka lutava anteriormente. Após convencer a Líder da Cidade de que foi contratado, o Mandaloriano sai em busca da Jedi, e se aquela cena de estreia careceu um pouco de impacto, esse rápido momento de combate entre Ahsoka e Mando foi incrível! Aqui nós descobrimos que o Beskar (metal usado nas armaduras dos Mandalorianos) não é cortado ou queimado quando em contato com Sabres de Luz! Estabelecer esse fato agora, me faz pensar que é muito possível que Mando em algum momento entre em combate contra alguém que tem um Sabre de Luz, ou quem sabe um Sabre Negro? Não precisa falar mais nada, né?

E é aqui meus caros, que as revelações bombásticas começam a aparecer. Ahsoka e Baby Yoda conseguem se comunicar usando a força, e a Jedi revela que o nome da criança é na verdade Grogu! Não sei para vocês, mas para mim isso já era suficiente de respostas para o episódio, mas não satisfeita, Ahsoka também faz a revelação inesperada de que a criança foi treinada por vários Mestres Jedi em Coruscant, durante as Guerras Clônicas! Ou seja, Baby Yoda (ou Grogu, vamos falar sério? Esse nome não vai pegar) estava lá o tempo todo, durante as Prequels, e é muito possível que ele já tenha inclusive, cruzado caminhos com Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Mace Windu e a lista só continua. Também não posso deixar de mencionar 2 lindos momentos aqui. O primeiro é quando Ahsoka menciona pela primeira vez Mestre Yoda, ao som daquele belíssimo e icônico tema clássico de John Williams. O segundo é o momento em que a Jedi se conecta com a criança debaixo daquela lua gigantesca, tendo como iluminação apenas uma pequena luminária além da própria lua, que resulta em uma das mais belas imagens de toda a série.

Ahsoka Tano e Baby Yoda sob a luz da Lua em “The Jedi”.

A cena do “teste da força” também não poderia ser mais perfeita! Desde a primeira temporada Baby Yoda brinca com aquela bolinha da nave, não sei se Favreau e Filoni já tinham isso planejado lá atrás, ou se foi algo em que pensaram posteriormente, mas a decisão é de tanta doçura. A criança não consegue usar a força porque gosta da bolinha, consegue porque está junto de Mando, porque a ligação entre os dois o torna mais poderoso. Lindo. Outro momento que mais mexeu comigo neste episódio foi aquele em que Ahsoka explica seu motivo para não aceitar treinar a criança. Ela diz: “Seu vínculo a você o torna vulnerável aos seus medos. Sua Raiva. Já vi o que estes sentimentos podem fazer com alguém. Com os melhores de nós”. Isso mostra que mesmo após todos esses anos, Ahsoka ainda carrega feridas pela queda de Anakin para o Lado Negro, que aconteceu principalmente devido ao amor de Skywalker por Padmé, sentimento que o fez ir contra todos os dogmas Jedi, e bem… nós sabemos muito bem como essa história terminou.

Porém, se muitas perguntas foram respondidas, várias novas foram criadas. Fica implícito que Baby Yoda (Sinto muito, me recuso a chamá-lo de Grogu) foi escondido durante a Ordem 66, mas quem o escondeu? Foi alguém que conhecemos ou um Jedi desconhecido? O que aconteceu com ele neste período que também o traumatizou? Estas são perguntas que ainda devem demorar um pouco para serem respondidas. Enfim, após esse turbilhão de emoções e revelações, Mando e Ahsoka voltam a cidade, e as cenas de ação aqui são maravilhosas. Me arrisco inclusive a dizer que neste episódio temos as melhores sequências de ação de toda a série! O “pega pra capar” entre Ahsoka e os Droides não poderia ser mais empolgante, tendo inclusive duas referências que os fãs de “Rebels” devem ter pego. Mas é claro que o Mandaloriano não fica de fora. Aquele momento entre o Caçador de Recompensas e o capanga da Magistrada em que ambos vão aproximando suas mãos em direção aos Blasters, não poderia exalar mais essa inspiração Western que a série sempre teve. Western este, que por sua vez, foi criado a partir dos filmes Japoneses de Samurai, como “Os 7 Samurais” por exemplo, o que acaba sendo a maior inspiração do episódio. Desde o jardim com a ponte sob o lago, até o próprio estilo da luta entre Ahsoka e a Magistrada, a inspiração oriental não poderia ser mais clara. O Jardim inclusive me lembrou muito aquele de “Kill Bill Vol.1”, onde acontece a icônica luta entre a Noiva e O-Ren. Fico pensando também em como deve ter sido incrível para Dave Filoni poder comandar um episódio desses, que não só é protagonizado por uma personagem que criou há 12 anos, mas também por ser um capítulo recheado de referências que ele ama.

Ahsoka Tano luta contra a Magistrada Morgan Elsbeth em “The Jedi”.

Acho importante deixar claro que Ahsoka poderia ter vencido e matado a Magistrada facilmente se quisesse, mas não o fez justamente pois precisava de uma informação: Onde está o Grande Almirante Thrawn? Imagino que muitos devem ter ficado confusos com esta pergunta. Lembra quando eu falei lá no começo que Ahsoka tinha uma missão muito importante da última vez que foi vista? Então, no Series Finale de “Rebels”, a Jedi sai pela galáxia ao lado de Sabine Wren em busca de Ezra Bridger, que se encontra perdido ao lado de Thrawn, um dos vilões mais interessantes de Star Wars. Esta revelação me faz pensar então se este plot será continuado aqui mesmo em “The Mandalorian”, ou se é possível que tenhamos em breve uma série focada nesta busca de Ahsoka e Sabine, o que me anima demais. Fica também no ar o que aconteceu depois do final da luta. Já que não vemos o que acontece com a Magistrada mas Ahsoka está de ótimo humor após a luta, imagino que esta conseguiu a informação que precisava para continuar sua jornada. Independente do que aconteça, tenho certeza que o futuro de Rosario Dawson como Ahsoka Tano já está sendo muito bem pensado e planejado por Filoni e Fraveau!

Falando agora (finalmente) do fim deste incrível episódio. A tristeza de Mando não poderia ter ficado mais evidente quando diz “Adeus, criança”, com aquela voz claramente abalada. A relação entre esses dois é tão especial e agrega tanto para a série, que eu não consigo imaginar “The Mandalorian” tendo a dupla separada. E que bom que pelo menos por enquanto, não precisamos nos preocupar com isso, pois Ahsoka dá mais uma missão para Mando: Levar Grogu para um Templo Jedi Ancestral em Tython, e colocá-lo no topo de uma montanha, onde se ele se comunicar pela força, é possível que um Jedi sinta seu chamado e venha ao seu encontro. Porém, como a própria Ahsoka disse, não sobraram muitos Jedi restantes na Galáxia. Existem algumas possibilidades, mas creio que o maior sonho dos fãs seja uma possível aparição de Luke Skywalker na série! Isso com certeza deixaria o Fandom de Star Wars completamente maluco, e colocaria a série em um patamar de ainda mais importância. A aparição de Luke faria muito sentido, pois nesta época ele já deve ter aberto seu centro de treinamento Jedi, aquele em que podemos ver Skywalker treinando Bem Solo em “Os Último Jedi”. As possibilidades para o futuro de “The Mandalorian” são infinitas, e o potencial cada vez maior!

Como a própria Ahsoka Tano diz no episódio: “Primeiras vezes, boas ou ruins, são sempre memoráveis”, e isso descreve perfeitamente “o capítulo 13. Não só para a série, mas também para a saga como um todo, “The Jedi” é memorável! Até semana que vem, e que a força esteja com vocês!

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Nota:
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the-mandalorian-2x05-the-jediComo a própria Ahsoka Tano diz no episódio: “Primeiras vezes, boas ou ruins, são sempre memoráveis”, e isso descreve perfeitamente “o capítulo 13. Não só para a série, mas também para a saga como um todo, “The Jedi” é memorável! Até semana que vem, e que a força esteja com vocês!