Pandemia. Quarentena. Coronavírus. Diversas foram as novas palavras e estilos de vida que nós, brasileiros, tivemos que nos aderir, a partir de março de 2020, devido à pandemia mundial novo Coronavírus, advindo lá da Ásia, na China. De lá pra cá, muita coisa mudou, a exemplo: o comércio de várias cidades foi fechado, escolas paralisaram as aulas, “Barreiras Sanitárias” foram criadas, muitos funcionários de empresas começaram o trabalho em casa, conhecido, popularmente, como home office, o isolamento social, juntamente ao uso corriqueiro de máscaras e à lavagem das mãos, com água e sabão, mais álcool em gel, foi solicitado, também.

Contudo, quem me dera se as mudanças fossem, apenas, essas citadas e tantas outras mais: infelizmente, vidas humanas foram perdidas por esse vírus, até, então, desconhecido pela Comunidade Científica. Logo, a torcida é que uma vacina seja criada, o mais rápido possível, para que esse “pesadelo” passe e tudo volte, ao mais próximo, do que era considerado “normal”. Todavia, até lá, com previsão de lançamento, em 2021, o caminho é longo e árduo, exigindo-nos paciência, resiliência e calma.

Diante disso, caro leitor, eu lhe faço um simples convite: enquanto esperamos tal “remédio milagroso” ser criado, que vai, de fato, combater, na prática, à Covid-19, que tal conhecer o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de Sob Pressão, e valorizá-lo, hein?! Vamos lá?!

Baseado no Sistema Nacional de Saúde (NHS), em inglês: National Health Service, do Reino Unido, e institucionalizado em 1988, simultaneamente, à criação da Constituição Cidadã, a atual do Brasil, o SUS é reconhecido e respeitado, mundialmente, pelo seu papel fundamental na sociedade. Em suas várias Diretrizes, qualquer cidadão, brasileiro ou estrangeiro, que esteja precisando de um atendimento médico, será assistido em um hospital público, com universalidade, integralidade e equidade, afinal, “a saúde é direito de todos e dever do Estado (..)”, segundo o Artigo 196, da nossa “Carta Magna”, mencionada. Por isso, ele é de extrema importância para muitas pessoas que não têm condições financeiras de custear um Plano de Saúde Particular, por exemplo. Aliás, até mesmo aqueles que têm esse benefício, de fato, utilizam o SUS, pois muitas cirurgias de transplantes de órgãos, conhecidas pelas suas complexidades, são feitas, somente, em hospitais públicos. Sem contar, é claro, que, com o Plano Nacional de Imunização (PNI), criado em 1973, vacinas, contra várias doenças, são oferecidas à população, de forma gratuita, em Postos de Saúde. Por isso, e tantas inúmeras outras razões, o SUS é seu, é meu, é nosso! Ele precisa ser mais valorizado!

Todavia, você vem e me questiona: “Beleza, Arthur! Entendi essa introdução. Porém, em qual parte, Sob Pressão entra nessa história? Dá para me explicar, por favor?” Claro que sim! Vejamos: para quem não a conhece, a nossa “Grey’s Anatomy Tupiniquim” – Sob Pressão (2017-atual) – é baseada em um filme homônimo, lançado em 2016, livremente, inspirado no livro Sob Pressão: A Rotina de Guerra de um Médico Brasileiro, de autoria do médico Márcio Maranhão, consultor técnico do seriado e do filme, em um perturbador e notório depoimento à jornalista Karla Monteiro. Muito antes da série médica brasileira se tornar um grande sucesso, com mais notoriedade no ano passado, em 2019, lá, em 2014, Márcio lançava essa pequena obra, de 132 páginas, repleta de afirmações pertinentes sobre o SUS. Para quem é fã do seriado, produzido pela Rede Globo e pela Conspiração Filmes, e, até mesmo, para aqueles que não assistem, sabem, muito bem, eu acredito, que a saúde pública “grita por socorro”, seja por conta de hospitais abarrotados de pacientes, aliada à falta de leitos – olhem os “Hospitais de Campanha” pelo país afora -, seja pela má gestão do dinheiro público. Tudo isso, nas palavras de Márcio, podemos ver, em cena, por meio da humanidade dos médicos Evandro (Júlio Andrade de 1 Contra Todos) e Carolina (Marjorie Estiano de Malhação), em parceria com toda a equipe médica-hospitalar do seriado.

Desse modo, volto ao questionamento feito no título deste texto: “Sob Pressão e a sua ficção: seria a sua história de forma análoga à realidade do SUS ou o inverso?” Para tentar respondê-lo, devemos pensar na seguinte afirmação: há quem diga que “a vida imita a arte ou que a arte imita a vida”. Entretanto, se tratando de Sob Pressão, muitas das vezes, nós, telespectadores, não sabemos em qual parte começa a ficção e em qual parte começa a realidade, afinal, ambas estão “misturadas” na trama. Isso se faz notório, lá na primeira temporada, quando o Dr. Evandro usa um pedaço de mangueira, como dreno, para dar prosseguimento à uma cirurgia, pois Marcio, também, o fez na vida real. Se eu não tivesse lido o livro, diria que os roteiristas passaram do “bom senso da criatividade”, de tão absurda que é esse fato, né?! Outra ocorrência: lembram quando o Hospital Luis Carlos Macedo, vulgo, Macedão, foi fechado, devido à corrupção da gestora Renata Gomes (Fernanda Torres de Diário de um Confinado), na season finale, da segunda temporada? Então, o nosso casal principal, por conta dessa ocorrência, teve que começar a trabalhar no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), nas Comunidades, da cidade do Rio de Janeiro (RJ), logo na season premiere, do terceiro ano da série médica brasileira. Idem, Marcio Maranhão, uma vez que ele, em sua carreira como médico, trabalhou alguns anos nessa modalidade de atendimento hospitalar, subindo e descendo morros das favelas cariocas, em meio ao receio de uma bala perdida, por conta da atuação de milícias. Além disso, nesse mesmo episódio, foi abordada a Greve dos Caminhoneiros, que, da mesma forma, ocorreu, no território nacional, em maio de 2018, causando problemas sociais, graves, como a falta de abastecimento, tanto de alimentos quanto de insumos às unidades hospitalares dos municípios do país. Ademais, vale relembrar que o sexto episódio, da temporada passada, teve tratamento com os acontecimentos da realidade, ao ter sido mostrado os malefícios do desabamento de um prédio, da mesma forma que ocorreu na Comunidade de Muzema, na Zona Oeste, da cidade do Rio de Janeiro (RJ), em abril de 2019.

Portanto, a partir desses fatos, podemos ver que a realidade e a ficção, ao se fundirem, em Sob Pressão, constatam, em cada um dos já 34 episódios produzidos e exibidos, a triste realidade da nossa saúde pública. Ela, apesar de todas as suas características negativas, “respira”, mesmo com dificuldade, porque há muitos médicos e muitos enfermeiros trabalhando, diariamente, nas unidades federativas do Brasil, seja com Covid-19, seja sem Covid-19, afinal, há seres humanos lutando pela vida, devido ao aparecimento de um câncer, de uma apendicite, de um acidente grave automobilístico, de um atropelamento e de vários outros tantos problemas sociais de saúde pertinentes. A lista é imensa e, infinitamente, longa! Assim sendo, as palavras da atriz Marjorie Estiano se fazem presentes, pois, Sob Pressão, não mostra a saúde pública brasileira, e sim, “constata”, porque tal direito, fundamental à vida, está, a todo momento, sendo danificado, açoitado, denegrido… E adivinha quem paga o preço por esses adjetivos negativos? Se você pensou nos médicos, acertou! Eles são alvo de xingamentos, de violências físicas e de desprezos. É claro que eu aproveito a deixa para lembrar que existem os “(des)médicos”, aqueles que realizam as consultas, em menos de cinco minutos, com muita falta de empatia e de humanidade, em seus corações, para com o próximo, no caso, o paciente. Todavia, esses profissionais de saúde, os que são, de fato, humanos, ao realizarem um atendimento exemplar, também, são vítimas, assim como nós, população, uma vez que, quem mantém o funcionalismo desse direito constitucional, em funcionalidade, são os nossos impostos à União, sendo a corrupção “a veia alimentadora” das mazelas sanitárias constatadas.

E tais mazelas perduram em quase 32 anos de existência do SUS, porque, com o avanço diário do novo Coronavírus, tanto no número de casos, com pessoas infectadas, quanto, tristemente, no número de falecimentos, que só aumenta, o Brasil, fica, apenas, atrás dos Estados Unidos da América (EUA), no balanço mundial da doença, sendo os países que estão em estado de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O motivo?! Nós vemos, de forma corriqueira, nos telejornais, as autoridades competentes, não as sanitárias, e sim as governamentais, dentre elas, as municipais, as estaduais e, principalmente, as federais, não se importando com a gravidade da doença, afinal, pelo fato de ser apenas, “uma gripezinha”, pra quê eu devo usar máscara, não é mesmo?! Prefiro tomar um comprimido de cloroquina, que, com certeza, ficarei bem melhor, devido ao efeito imediato da medicação, aposto! Deixando as ironias de lado, percebe-se que a batalha contra à propagação do vírus é uma luta de todos e para todos, ou seja, do coletivo! E por ser do coletivo é que a “Grey’s Anatomy Tupiniquim” se torna importante, pois, por meio dela, ocorrerá a democratização do que é a pandemia e as suas consequências sociais aos indivíduos. Os roteiristas, finalmente, entraram em consenso, e vão abordar o assunto na quarta e próxima temporada da série, após ficarem “em cima do muro”, se iriam ou não retratar, sendo, “a disposição das pessoas em ouvir falar no assunto daqui a um tempo”, como uma das justificativas, para a não abordagem da pandemia.

Muitos de vocês devem ter visto, em vários prédios e residências, os moradores, em quarentena, tanto de dia quanto de noite, aplaudindo os profissionais de saúde, os verdadeiros “heróis” no combate à Covid-19, salvando e dando alta para muitos indivíduos acometidos pela doença. E esses trabalhadores, apesar de não serem “perfeitos”, são valorizados, da mesma forma, em Sob Pressão: os funcionários do Hospital São Tomé Apóstolo, são os “heróis” de muitos pacientes, ainda mais naquele espetacular décimo episódio, da terceira temporada, todo gravado em plano-sequência – quando não há cortes -, em que o miliciano Aristeu (César Ferrario de O Outro Lado do Paraíso), entrou atirando em todos os presentes, fazendo com que o Dr. Evandro e companhia, salvassem, não só as suas vidas, como, também, as dos inocentes do local.

Enfim, para encerrar essa publicação, reflexão e, até mesmo, um desabafo, faço, agora, dois convites a todos vocês, Série Maníacos:

O primeiro é assistirem à série, de três reportagens, intitulada “O Filme das Nossas Vidas”, do telejornal RJ1, da Globo Rio, em que há relatos sobre o novo Coronavírus e os seus impactos na vida dos moradores da “Cidade Maravilhosa”. Inclusive, há comparações com a trama de Sob Pressão e há a participação e o depoimento, pra lá de emocionante, diga-se de passagem, do ator Júlio Andrade. “Eu acho que a pandemia mostra assuntos recorrentes na série, como a falta de leitos, de respiradores, de profissionais, de condições de trabalho. Tudo isto está acontecendo agora, de uma maneira catastrófica”, disse o intérprete do médico Evandro.

Já o segundo, eu peço licença à repórter de cultura e de entretenimento, do jornal GaúchaZH, a Marina Pagno, e cito o último parágrafo, de uma publicação feita por ela, também, sobre o seriado médico brasileiro, sendo, é claro, uma das minhas fontes de pesquisa para escrever essa minha análise:

“Nesses dias de quarentena, em ficar em casa, é essencial para evitar a disseminação do vírus, uma maratona de Sob Pressão chega, não só para entretenimento, mas, também, para conscientização.” 

Por tudo o que foi analisado, logo acima, peço, encarecidamente, que valorizem o Sistema Único de Saúde (SUS) e, não menos importante, aliás, o mais importante, sendo, assim como nas minhas reviews do seriado, o Serviço de Utilidade Pública da Semana, do Dia, do Mês, do Ano: #FiquemEmCasa. 

Se vocês precisam de um mais um “empurrãozinho” para começarem a ver aos episódios, ou convidem alguém a ver, no catálogo do Globoplay, o serviço de streaming da Rede Globo, assistam os motivos, neste vídeo, do SM Play, feito pelo nosso carismático e fundador do site, Michel Arouca. Vale ressaltar que ele é certeiro nas indicações!

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