A pandemia do novo coronavírus fez com que as produções ao redor do mundo todo fosse paralisada, como medida preventiva e isso fez com que outros meios fossem usados para contornar a situação e a equipe de One Day at a Time teve uma excelente sacada: fazer um especial animado para matar um pouco a saudade do público.
The Politics Episode mostra os parentes conservadores de Penélope (Justina Machado) vindo da Flórida para visitá-la. Ela teme que com as eleições presidenciais tudo se torne novamente uma guerra.
Dentre os parentes estão Mirtha (Gloria Estefan), irmã de Lydia (Rita Moreno) e sua filha Estrellita vivida por Melissa Fumero. Elas já apareceram em carne e osso na terceira temporada e agora estão de volta em uma participação pra lá de especial. Quem também empresta sua voz a um personagem é o astro Lin-Manuel Miranda.
Lin já ganhou três dos quatro principais prêmios do entretenimento norte-americanos: Grammy, Tony e Emmy, lhe faltando apenas um Oscar para se tornar um EGOT. Além claro de já ter ganho um Pulitzer premio dado a pessoas que realizam trabalhos de excelencia no jornalismo, literatura ou composição musical.
FUN FACT: Rita Moreno, a nossa abuelita, é uma das quinze artistas na história que venceu os quatro prêmios.
Bem, com um elenco cheio de prêmios desses, não podemos esperar pouca coisa das entregas de ODAAT, não é mesmo?
Em um primeiro momento é estranho você ouvir as piadas sem as tradicionais risadas de fundo. Mas não que elas façam falta logo em seguida, pois o texto é afiado e faz rir sem que tenhamos que ser influenciados a isso.
A equipe aproveitou também para adicionar uns efeitos especiais que não são possíveis fazer normalmente na série, como raios laser a la X-Men e cabeças literalmente explodindo.

Durante o episódio os Alvarez ficam o tempo todo imaginando como evitar uma briga com a chegada da família que tem pensamentos tão opostos aos deles. Tem de tudo um pouco: ameaça de contar podres do passado, luta corporal, troca de farpas e o já anunciado duelo de divas, onde Lydia e Mirtha cantam como em um concurso e se atacam através da letra da música.
Um ponto a se elogiar é que os personagens foram fielmente retratados, não somente pela dublagem de cada ator em seu respectivo papel, mas também pelos trejeitos e personalidades que conseguiram passar bem.
Contudo, o ponto alto do episódio é sem dúvida o monólogo final de Penélope, que mostra o quão injusto é a administração pública do país, e o quão corrupto é o sistema judiciário com imigrantes.
Isso é levado em consideração ao longo de todo episódio, inclusive em uma cena hilária onde o extraterrestre ALF da sitcom de sucesso do final dos anos oitenta é retirado da “América” por ser um imigrante. Mas é na cena final onde Penélope sinaliza Estrellita que em uma ação policial seu filho também seria baleado, também sofreria as consequências das perseguições aos mexicanos, pois ninguém ia parar e perguntar de que país ele é.
O episódio também aproveita e faz ponte com o movimento Black Lives Matter, que foi amplamente discutido ao longo das últimas semanas.
Apesar disso, existe uma questão que incomoda alguns espectadores há algum tempo que é a exaltação dos Estados Unidos como uma nação soberana, boa para se viver e superior às demais e com um criticismo à Cuba. É importante lembrar que apesar de ser uma série divertida, bem escrita e carismática, ainda é uma série estadunidense e claro que muitos pensamentos assim estarão presentes.
Como por exemplo achar que América é só os Estados Unidos… Mas, tudo bem né? Tem gente por aqui que acha que não somos latinos, não é mesmo?
É preciso que saibamos apreciar o que cada produto tem de melhor a oferecer, sem nos esquecer de todo o contexto do país onde a produção se passa, além de claro, de sempre ler e pesquisar sobre tudo que se passa no mundo.













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