Não existe sci-fi em Mr. Robot e eu posso provar.

Após os acontecimentos deste episódios de explodir os miolos, a exemplo de Elliot, que viveu os cinco fases do luto em 407 Proxy Authentication Required (melhor episódio de todos os tempos, segundo a avaliação dos usuários do IMDb), eu passei pelo mesmo processo. Quem acompanha essas reviews sabem da minha relutância teimosia quanto à existência de elementos de ficção científica na série. Para mim, é inconcebível coloca-los nesta trama, que já é perfeita por ser pautada na realidade e focada na psique do nosso protagonista.

Qual não foi a minha surpresa, quando fiquei sem argumentos para rebater o que eu mais temia no final de eXit? Tudo parecia caminhar para o inevitável: o gigantesco colisor de hádrons de White Rose realmente funciona e ele só precisava levá-lo para o Congo para que o seu efeito fosse global e não local.

Assim, eu passei as minhas cinco fases do luto, pois o roteiro se sci-fi havia morrido:

  • Negação:

Imediatamente quis imaginar que aquilo não estava acontecendo de verdade. Que tudo era imaginação da mente perturbada de Elliot e que, no próximo episódio, tudo voltaria ao normal. Evidentemente que o colisor teria explodido e devastado New Jersey, mostrando que o plano de White Rose era um delírio.

  • Raiva:

Assistindo a promo do episódio duplo finale, vemos o Elliot que conhecemos caindo no mundo perfeito, que imaginei existir somente em sua mente. Desta forma, ficaria difícil de sustentar a teoria do mundo imaginativo, pois a mente de Elliot estaria em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. Neste ponto, veio a raiva de estar errado o tempo todo. Como poderia, de fato, existir universos paralelos em Mr. Robot? Que erro!

  • Barganha:

Foi neste ponto, que percebi que este mundo não poderia de fato ser um universo paralelo, pois era perfeito demais. Tudo deu certo. Elliot não foi abusado e sua família era feliz e unida. Seu pai ainda estava vivo, pois a E Corp era F Corp e, provavelmente não estava envolvida em desenvolver a planta radiativa de White Rose, que o matou. White Rose, por sua vez, parece não ter perdido seu namorado, pois este parece ser um mundo mais tolerante. Angela sua mãe ainda estão vivas e ela vai se casar com Elliot. Tyrell era CEO da F Corp e Elliot, CEO da All Safe.

Enfim, se estivéssemos em um universo paralelo, ele teria que ter sido construído para ficar tão belo. Assim, querendo fugir, pelo menos de viagem no tempo e universo paralelo, optei pela teoria Matrix. Preferi acreditar que Elliot foi jogado num universo digital onde somente ele era um personagem real e todos os outros nPC’s (inteligências artificiais controladas pela máquina).

  • Depressão:

Uma vez que aceitei essa teoria em detrimento das outras, tive que assumir que era igualmente horrorosa. E aí, bateu a depressão. Por que, Sam, você fez isso comigo? Ainda que eu tivesse que assumir que adorei o episódio, esse amor não se sustentaria no series finale. Talvez, se houvesse mais uma temporada inteira para desenvolver essa outra realidade, faria sentido, mas em duas horas, seria um final ainda pior do que Dexter Game of Thrones. O drama reinou na minha mente.

  • Aceitação:

Mas, como para tudo na vida, o melhor remédio é o tempo. Ou, a insistência. Acabei aceitando. Não que Mr. Robot teria sci-fi, mas que eu estava certo desde o início. Após assistir pela terceira vez o episódio, fica bem claro que tudo o que assistimos no terceiro ato deste episódio não era um universo paralelo, mas sim, uma fuga da realidade de Elliot.

E nem foi nenhum coelho tirado da cartola para nos confundir neste penúltimo episódio, convenhamos. Toda vez que Elliot teve um grande problema, ele criou uma realidade própria para aliviar seu tormento imediato. Quando esteve preso, criou uma realidade, na qual parecia estar se divertindo com novas amizades e vivendo em um novo quarto alugado. Assistia jogos de basquete e debatia o mundo com seu brother Leon. Ainda dentro deste mundo, quando as coisas pioraram, ele criou uma sub-realidade, onde ele vivia um mundo de sitcom com sua família perfeita e até o Alf, o E.Teimoso, fazia parte da criação. A mente de Elliot é complexa e consegue desenvolver essas realidades e enganá-lo com imensa facilidade.

E sobre o fato dele mesmo estar caindo nessa nova realidade na promo? Completamente justificável. Da mesma forma que Elliot contracena com Mr. Robot no mundo realé completamente factível que ele contracene com ele mesmo no mundo imaginário. Este Elliot, aliás, é aquele Elliot Alienado, que cresceu num mundo onde não foi abusado por Edward e que recebeu a notícia de Darlene que Vera estava de volta na cidade.

E, também era o Elliot, que Pai, Mãe e Elliot criança citaram na sala da E Corp que fica na mente de Elliot. O avatar aguardado. A terceira persona. O que fica escondido. É fácil de aceitar tudo isso se imaginar que todos ali são Elliot, ele conversando com ele mesmo, tentando trazer à tona algo que está escondido. Assim, quando ele opta por salvar o amigo do game de White Rose é, corre risco real de vida, essa é a chave real para que os últimos enigmas desta série se revelem.

Pra mim, não restam dúvidas que o algoritmo serviria para impedir o acionamento da máquina, pois nem White Rose tinha 100% certeza de seu funcionamento e quis dar uma última chance de alguém parar o processo. Porém, para ela, tudo levava a crer que ela levaria todos a uma realidade alternativa melhor, tanto que ela se suicidou, na esperança de acordar do outro lado. Ao meu ver, escolhendo salvar o amigo, Elliot teria impedido o acionamento da máquina e a explosão nuclear da mesma. As luzes e explosões, dali em diante já fazem parte do mundo criado em sua mente para desbloquear a terceira personalidade. Ou seja, quando ele acordar, a planta terá explodido, ele terá sofrido uma concussão e ficado alguns segundos desacordado, mas, New Jersey ainda estará lá, intacta.

E qual elemento que me faz ter tanta certeza? A teimosia me fez assistir três vezes o episódio e algo chama atenção. Toda vez que um relógio é mostrado nessa realidade, a hora mostrada é 11:16, exatamente a hora em que Elliot está entrando na sala em Washington Township. Isso quer dizer que o tempo não está passando no “mundo paralelo”. E por que o tempo não passa? Porque ele acordará a qualquer momento deste seu delírio, trazendo consigo a terceira e última persona.

Encerro essa penúltima review, na esperança de não ter errado tudo e estarmos realmente vivendo um mundo alternativo (e ter conseguido ser coeso nesta review). Seria frustrante. E ainda gostaria de exaltar a atuação brilhante de B.D.Wong na cena do diálogo final com Elliot. É perfeição que chama?

Chega logo finale…

REVISÃO GERAL
Nota:
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Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!
mr-robot-4x11-exitNão existe sci-fi em Mr. Robot e eu posso provar. Após os acontecimentos deste episódios de explodir os miolos, a exemplo de Elliot, que viveu os cinco fases do luto em 407 Proxy Authentication Required (melhor episódio de todos os tempos, segundo a avaliação dos usuários do IMDb), eu passei pelo mesmo processo. Quem acompanha essas reviews sabem da minha relutância teimosia quanto à existência de elementos de ficção científica na série. Para mim, é inconcebível coloca-los nesta trama, que já é perfeita por ser pautada na realidade e focada na psique do nosso protagonista.