Quarto episódio da temporada 1984 entrega horror slasher de primeira qualidade.
American Horror Story sempre foi uma série que avançou pela própria história se propondo a mudanças que não a saturassem. Até a quinta temporada, manteve sua estrutura de narrativas plurais que seguiam progressivamente, sem ganhos interruptivos que reviravam a dinâmica. Em Roanoke a estratégia de marketing mudou, fez segredo de tudo, espalhou notícias falsas; e a série passou a ter grandes reviravoltas a partir da metade dos episódios. Em Cult eles abriram mão de elementos sobrenaturais, em Apocalypse promoveram um crossover gigantesco. Agora, em 1984, com um elenco sem atores originais e várias das características técnicas que davam identidade ao show, a série nos envolve em outro clima de expectativas.
Algo está para acontecer, isso é evidente. E algo grande. Não só porque o episódio número 6 é o centésimo da série; e será dirigido e escrito pelo Murphy, mas, também porque a narrativa corre tanto e vai eliminando tantos elementos que seria impossível chegar ao season finale seguindo a mesma trajetória. Lá se vão quatro episódios (serão 5 com o próximo) e o dia ainda nem amanheceu. Por mais eletrizante que seja acompanhar a loucura toda envolvendo o passado de Mr. Jingles e a caçada do Perseguidor da Noite, não seria possível esticar os acontecimentos – do jeito que eles são – até o episódio 10. Exatamente por isso, vários dos segredos estão sendo revelados agora, entre os episódios 3 e 5, para que no sexto essa dinâmica mude, total ou parcialmente.
Estamos no momento em que três personagens-chave foram tendo suas posições na história esclarecidas. Primeiro foi Rita, quando descobrimos que foi ela quem providenciou a fuga de Mr. Jingles. Em True Killers soubemos como Montana estava conectada a Richard e também descobrimos que Margaret era a verdadeira culpada pelo massacre do acampamento anos atrás, tendo apenas usado Jingles como bode expiatório. Considerando que Xavier, Chet, Ray e Trevor são carniças pelo caminho, só nos sobra quem? Brooke, é claro. Sem dúvida alguma, a final girl dessa perseguição é quem deve estar ligada de alguma maneira ao que vai acontecer no episódio 100. E não seria surpresa se fosse algo que nos conectasse com outras temporadas.
Slasher Girls
Que Murphy adora suas meninas não é novidade nenhuma. De novo, AHS está tomada de personagens femininas, devastadoras, que usam os homens que estão por perto como condutores de suas intenções malignas. True Killers, o nome do episódio, não afirma a qual gênero está se referindo (um pequeno souvenir da língua inglesa), mas sabemos que ele está falando de Rita, Margaret e Montana, as verdadeiras responsáveis por tudo de horrível que está acontecendo em Redwood. Uma culpou Jingles, a outra usou Jingles; e a última abriu caminho para um assassino brutal que pode ser muito pior que o coitado das orelhas, afinal, ele tem Satanás como parceiro de crime.
Quem ganhou com isso fomos nós… O episódio já abre com a ação de Richard e Montana, numa sequência aterradora, no vestiário, onde transam em meio a sangue e vísceras penduradas no teto. É enervante. Uma outra razão pela qual as coisas parecem que vão mudar está na oportunidade de dar a alguns atores um pouco mais de tempo de tela. Matthew Morrison não teve chances de evoluir com seu ótimo personagem bem-dotado e Tara Karsian não conseguiu ter mais que duas cenas até agora. É fato que a sequência no refeitório com Xavier foi uma das mais perturbadoras que AHS já fez, mas é pouco para ela. Inclusive, Xavier no forno (e depois de sair dele) vai me assombrar para o resto dos meus dias (junto com as pessoas ainda vivas tendo as tripas puxadas em Roanoke).
Na floresta as coisas seguiam ainda melhores, com direito a armadilhas, revelações e uma cena de luta espetacular entre Jingles e Richard. O elemento sobrenatural aqui acabou funcionando como um anti-climax, mas a “ressurreição” do Perseguidor da Noite é um pedaço de mitologia que já faz parte do estilo da série. Em seus ataques por Los Angeles, entre 1984 e 1985, Ramirez obrigava suas vítimas a aclamarem o nome de Satanás. Ele gostava de manter vigente essa ideia de mal encarnado, o que ele, afinal, não deixava de ser. Além disso, com Jingles sendo inocentado de seus crimes, Richard assume a posição de vilão central até que o teatro de Margaret seja descoberto. O nervosismo desse episódio faz parte de uma crescente que só deve descender na semana que vem.
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Enfim, a noite mais longa da história do acampamento Redwood ainda não acabou e nem deve acabar lá no próximo episódio. A série, entretanto, já conseguiu o que queria: estou afoito de curiosidade para saber o que vem a seguir.














