Prodigal Son, da Fox, é um drama policial criado por Chris Fedak e Sam Sklaver, que tem como protagonista o ator inglês Tom Payne, interpretando o Psicólogo Profiler Malcolm Bright; Payne é conhecido por aparecer em The Walking Dead interpretando Paul “Jesus” Rovia. A série estreante ainda conta com o talentoso Lou Diamond Phillips, vivendo o policial Gil Arroyo e com Michael Sheen (Dr. Martin Whitly), conhecido do grande público por sua participação na Saga Crepúsculo, interpretando Aro Volturi e por sua recente aparição na série Good Omens, dando vida a Aziraphale.
A premissa de Prodigal Son, como o próprio nome já insinua, faz uma clara alusão ao texto bíblico “O Filho Pródigo”, essa talvez seja a mais conhecida das parábolas atribuídas a Jesus, apesar de aparecer apenas em um dos evangelhos canônicos. De acordo com Lucas 15:11-32, a um filho mais novo é dada a sua herança, depois de um afastamento do pai, o filho desgarrado retorno ao convívio do seu genitor. Embora exista, em Prodigal Son, uma clara alusão a essa parábola, as semelhanças param por aí, já que no texto bíblico, o pai do filho desgarrado não é um perigoso serial killer.
A série estreante da Fox, trabalha habilmente, em seu piloto, essa estreita dicotomia no intricado relacionamento entre pai e filho. Tendo, nesse caso, seu principal plot, ancorado em Malcolm Bright, cujo pai, Dr. Martin Whitly, é o conhecido serial killer que atende pela alcunha de “O Cirurgião”. Malcolm, ainda criança, foi o responsável, por ajudar a polícia na prisão do próprio pai e, durante dez longos anos, optou por se afastar dele. Nos dias atuais, já que o piloto se passa em duas linhas temporais distintas (1998 e 2019), Malcolm, um ex perfilador do FBI, se junta ao Departamento de Polícia da Cidade de Nova York, para investigar crimes semelhantes aos cometidos pelo seu pai. A partir desse ponto, tal qual o filho pródigo, Malcolm precisa retomar o contato com o seu pai na tentativa de compreender as motivações por detrás dos diversos crimes praticados por ele e pelo seu imitador. Nesse processo, Malcolm tenta combater seus próprios demônios internos e ressignificar a sua própria narrativa existencial. A parte boa nisso tudo é que o piloto não nos empurra uma perseguição desenfreada para prender O Cirurgião, nada disso, ele já está preso há anos e tudo que temos sobre essa época são fragmentos inseridos em flashbacks bem ordenados.
Apesar da temática pesada e de sermos diretamente remetidos a séries como Criminal Minds e Mindhunter, o piloto de Prodigal Son não é difícil de ser assistido; com cortes de cena bem ágeis, diálogos informativos bem adequados, que não nos cansam e com uma boa introdução de seus principais personagens, passamos a entender que a série vai trabalhar com a premissa do predador sociopata, ao invés do costumeiro psicopata, ou seja, veremos em cena um ou vários criminosos que, segundo o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e de Estatística de Transtornos Mentais 5.ª edição) sofrem de Transtorno de Personalidade Anti-Social, são produtos do meio, procuram domínio, poder e controle finais sobre os outros ou sobre si, praticando atos de extrema violência a partir da sua perspectiva distorcida da vida, sendo vistos vulgarmente como uma espécie de “psicopata de alto funcionamento”.
Além de Malcolm, a equipe do Detetive Gil é composta pelos detetives JT Tarmel (Frank Harts) e Dani Powell (Aurora Perrineau), ainda não foi possível tirarmos alguma conclusão sobre esses dois personagens, nos foi dado muito pouco para chegarmos a algumas especulações sobre ambos. Mas a dinâmica desenvolvida entre Dani e Malcolm foi interessante de acompanhar.

A pequena família de Malcolm foi atingida em cheio pelos atos do seu pai criminoso, por isso, se apresenta de forma inadequada e disfuncional. O próprio Malcolm sofre de TETP (Estresse pós-traumático), sua irmã, a ambiciosa repórter Ainsley Whitly (Halston Sage), se mostra envolvida com o mundo investigativo como se tivesse que desvendar a mente de todos os criminosos e, sua mãe, Jessica Whitly (Bellamy Young), além de abusar de medicamentos e bebidas alcoólicas e de tentar arranjar um bom casamento para Malcolm, se utiliza do sarcasmo como válvula de escape para minimizar o impacto do grande trauma de ter sido casada com um serial killer.
A investigação em busca do imitador criou o seu próprio caminho para conduzir Malcolm ao seu pai. O psicólogo teve que recorrer ao pai criminoso em busca de informações sobre seus pacientes que combinavam com o perfil traçado. O reencontro de Malcolm com seu pai é uma das melhores cenas do episódio. O embate de olhares, as respirações entrecortadas, o raciocínio logico de ambos e a leitura corporal que o Profiler faz do próprio pai conferem a cena um tom de coreografia bem ensaiada, relembrando os tempos áureos de Dexter, a destreza de manipulativa de Raymond Red Reddington em The Blacklist ou as memoráveis cenas de dedução de Sherlock.
Um outro bom momento desse episódio é quando o verdadeiro imitador é confrontado por Malcolm. O jovem Profiler tem a chance de se mostrar de forma menos nublada, inclusive, dando mostras de o quão ruim foi a sua infância e o quanto a sua vida adulta está comprometida e quebrada por causa dos atos de seu pai. Nessa hora, Dani se mostra bem empática diante dos problemas emocionais de Malcolm, creio que ela o ajudará nessa busca por equilíbrio e resolução dos seus conflitos íntimos.
Os momentos finais do piloto são envolventes, fazem um apanhado geral de como Malcolm e Gil se tornaram amigos, mostra que Dani e JT podem aceitar a participação desse curioso e controverso novo membro na equipe e, catalisa e reconfigura a estranha relação de Malcolm e seu pai durante uma conversa sobre o desfecho do caso em curso.
Dois pontos que considero bem discutíveis, porém não negativos, nesse episódio de estreia são a inclusão de uma bomba em um apartamento durante a caçada ao criminoso e o tom cômico dado a sequência em que Bright tem que amputar a mão do rapaz. Se bem que se formos olhar por outro ângulo, Malcolm ficou meio animado diante da possibilidade de amputar a mão do rapaz usando um machado. Seria esse o seu lado sombrio sendo aflorado? Seria essa a herança do seu pai deixada para ele? Achei essa cena toda muito distante do perfil do criminoso oferecida nesse episódio inaugural, mas não é algo que arruíne o episódio de estreia de Prodigal Son.
Em suma, Prodigal Son apresentou um piloto eficiente e coerente na maior parte, com uma boa fotografia e uma trilha sonora discreta, porém, adequada; as atuações foram convincentes dentro da proposta explorada e a narrativa foi menos complexa que o esperado. Anseio para que a série se aparte dos chamados casos da semana e se firme mais no embate entre pai e filho e no surgimento de um novo serial killer a ser combatido.
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PS – Como Prodigal Son é uma produção da Warner Bros. para o canal FOX nos Estados Unidos, caso venha para o Brasil, provavelmente será pela Warner Channel.
















