A convite do canal Max Prime, o Série Maníacos foi o único veículo do Brasil a viajar até Nova Iorque e encontrar a atriz Carla Gugino, protagonista da nova série Jett, para uma entrevista reveladora e descontraída sobre como foi interpretar uma ladra profissional.

Criada e escrita por Sebastian Gutierrez (Gothika), a série acompanha a mundialmente famosa ladra Daisy “Jett” Kowalski (Carla Gugino), que acabou de sair da prisão e agora se vê forçada a trabalhar novamente com aquilo que ela faz melhor. Um chefão do crime chamado Baudelaire (Giancarlo Esposito), não vai poupar esforços para explorar as habilidades únicas de Jett.

Carla Gugino em Jett
Carla Gugino em Jett

Uma das coisas que mais impressiona em Jett, é o visual da trama. Seja pela fotografia, paleta de cores ou figurino, tudo que está em tela tem um propósito visual especifico e Carla Gugino ressalta o cuidado de Sebastian Gutierrez, que além de criador da série, é seu parceiro de vida e fez questão de prezar a estética única da série.

“Muito diretores homens delegam a responsabilidade do figurino para a própria atriz e não ligam muito para o que ela vai vestir em cena, com tanto que seja coerente e atraente aos olhos. Sebastian tem a visão estética para cada personagem da série e talvez por ter crescido em um lar cheio de mulheres, ele entende que sapatos são importantes”.

E como é trabalhar com seu parceiro, passar o dia todo juntos nas filmagens e depois voltar para casa com ele? Existe algum tipo de desgaste ou ajuda no processo criativo? Novamente Carla esbanja simpatia e bom humor na resposta:

“Graças a Deus eu gosto dele. Mas eu posso dizer que essa é uma dinâmica ‘interessante’, porque eu não me canso de estar perto dele. Sem falar que essa é uma oportunidade rara, já que grande parte do ano eu estou viajando para trabalhar em alguma série ou filme. Para você ter uma ideia, eu fiquei oito meses em Atlanta filmando A Maldição da Residência Hill. Estarmos juntos no mesmo projeto, na mesma cidade e acordando juntos, já foi um grande diferencial positivo na hora de fazermos Jett.”

Como o Max Prime é um canal do grupo HBO, eu fiquei curioso em saber se pelo fato de ela já ter trabalhado em outras séries da casa, como Entourage e The Brink, ajudou no processo de negociação quando começaram as conversas sobre Jett.

“Outros canais tiveram interesse por Jett, mas sempre na estrutura mais comum de Hollywood: faça um episódio piloto e vamos analisar. Porém, Sebastian estruturou esse projeto de forma onde ele escreveu a temporada toda e ofereceu Jett dessa forma. ‘É pegar ou largar a temporada toda’. Sim, eu já tinha um ótimo relacionamento com o grupo HBO e com Jett eles foram muito respeitosos com a nossa visão. E no final das contas, Jett se tornou algo mais colaborativo, com o feedback dos executivos do canal acompanhando aquilo que gostaríamos de fazer. Não tem como negar que canal investiu e se comprometeu conosco.”

Quando o assunto é inspiração, Carla revela que o modelo típico de femme fatale, não foi exatamente o ângulo abordado em Jett.

“É muito comum como atriz, termos a obrigação de trazer humanidade, complexidade e um nível de emoção elevado para as nossas personagens. Enquanto isso o personagem masculino só precisa existir. Nesse caso, Jett é a personagem que pode apenas existir e isso é uma oportunidade muito rara. Eu nunca tive essa oportunidade antes. Então na realidade para mim, foi uma questão de ‘mostrar menos’, explicar menos para o público quem é Jett e deixar que o público se sinta atraído e intrigado por ela, mesmo se eles não têm certeza se gostam dela”.

Carla aproveitou para falar sobre como é ser uma anti-heroína nas telas:

“Ser a anti-heroína é uma faca de dois gumes porque existem esses ótimos personagens masculinos anti-heróis e não temos que explicar porque eles são bons, eles apenas são bons. Como mulher, surgem perguntas para justificar suas ações, do tipo ‘ela foi abusada quando criança?’, ‘ela tem algum déficit de atenção?’ ou ‘ela tem algum problema de socializar com outras pessoas?’. Não, ela é apenas muito boa no seu trabalho, ela não é Robin Hood, ela não quer salvar o mundo, mas ela tem seu código moral. Eu fiquei muito intrigada em encontra o equilíbrio perfeito para a Jett em ela ser uma boa mãe e ser a melhor ladra do mundo. Ela se sente muito confortável nos roubos, mas se sente inadequada para criar um ser humano e eu adorei poder explorar essa dinâmica.”

Uma das coisas que Carla mas gosta em Jett é a fuga dos estereótipos clássicos de histórias de roubo com tom noir.

“A Jett não é como uma fênix ressurgindo das cinzas depois de ter sido engada por alguém e agora busca por vingança. Ela apenas está vivendo sua vida e tendo que lidar com as questões que surgem. Às vezes pode ser algo drástico como matar alguém, mas ela não foi vítima de ninguém. Ela não é uma guerreira, ela apenas foi uma garotinha que não sonhou com as mesmas coisas que as outras garotinhas sonhavam quando eram crianças. Ela não sonhava em se casar, não sonhava em ter um lar. Ela sonhava em roubar coisas.”

Para finalizar, eu fiz a pergunta que sempre gosto de fazer para artistas em entrevistas: quais são suas séries favoritas?

“Eu estou com uma lista gigante de séries atrasadas, mas eu recentemente assisti Escape at Dannemora e achei impecável. Eu conheço o Ben Stiller há anos e pra mim essa minissérie tem um ar cinematográfico incrível. Sem falar nas atuações de tirar o fôlego. Eu adorei Sex Education. Já trabalhei com o Asa Butterfield e ele é sensacional. Eu estou muito empolgada pra assistir a 2ª temporada de Fleabag e como a Connie Britton é minha melhor amiga, mal posso esperar para assistir Dirty John porque ela é brilhante em tudo que fez e nunca decepciona. E quero muito conferir Olhos que Condenam.”

Jett vai ao ar toda sexta-feira, às 23h, no Max Prime e o primeiro episódio já está disponível na HBO Go.

Artigo anteriorCriadores de ‘Game of Thrones’ assinam contrato milionário com a Netflix
Próximo artigoCara Gente Branca 3×08: Capítulo VIII