“Você vai deixar uma negra doar sangue para o seu filho?” – RAMOS, Simone. 

Na segunda temporada de Sob Pressão, eu tive a dificuldade de adjetivar cada novo episódio da série e esse ano, obviamente, não seria diferente. Contudo, com um adendo: até o presente momento, todos os episódios tiveram nota 5, afinal, excepcionalidade é que fala, não é mesmo?!

Na última quinta-feira, tivemos: vítima de explosão, vítima de bullying/tentativa de suicídio, vítima de racismo e vítimas de meningite. É incrível a capacidade da produção em mesclar várias histórias, conseguindo dar um começo, meio e fim para todas, mesmo que não seja com o famoso “final feliz”.

A primeira paciente, chamada Ariane (Rafaela Mell), dá entrada ao hospital São Tomé Apóstolo, após ser vítima de uma explosão, ficando politraumatizada, quando estava andando na rua com Raquel (Maria Carolina Basilio de Os Dias Eram Assim), sua filha. Todavia, antes do ocorrido, a pequenina joga na cara de sua mãe que a odiava e gostaria que ela morresse. Olhem como as palavras têm poder e precisamos tomar muito, mas muito cuidado, com o que dizemos e como perpetuamos certos dizeres para as pessoas que amamos. Não seria nada diferente a reação de Raquel: assustada, ela fica em estado de choque, não querendo conversar com ninguém. Infelizmente, devido a uma parada cardíaca, Ariane, faleceu.

Uma das cenas mais emocionantes e delicadas do episódio foi quando a Drª. Carolina reza com a criança nas escadas da capela. Foi um momento de paz, em meio ao caos. De conforto, em meio a tristeza. Pelo menos, no final, o pai da menina aparece e a conforta, na medida do possível.

Já o segundo paciente é o jovem Vander (Lucas Oliveira) que, por ter a face deformada – devido ao ataque de um cachorro quando era criança – sofre bullying em sua escola, chegando ao pronto atendimento com ferimentos de violência. Seu pai, Tarcísio (Rodrigo Penna de Paraíso Tropical), é revoltado com a situação, mas, mesmo assim, perpetua o preconceito. Chegou a ser contraditório, né?! Infelizmente, a vítima foi a doce enfermeira Simone. Ela, muito resistente, tem a grandiosidade de doar sangue ao garoto, pois ele perdeu muito sangue, após tentar tirar a própria vida. A pergunta que iniciou essa review, nos leva a uma reflexão, pois racismo é crime e deve ser combatido, diariamente, pela população brasileira. Não preciso ser negro para lutar pelos direitos dos negros. Preciso apenas de ser cidadão, praticando  respeito com o próximo. Entendeu o recado, Tarcísio?!

No final, o babaca teve a sua redenção e acaba pedindo desculpa pelos seus atos, após entender, por meio da doação de sangue de Simone, que todos nós somos iguais. Já Vander, tem a sua face reconstruída por Dr. Evandro e poderá sentir o gosto das alimentos, novamente. Mas o jovem ainda precisa de tratamento psicológico, pois o bullying é grave e deixa feridas que necessitam ser tratadas.

Por fim, na lista de pacientes, temos o amor na terceira idade exalando fofura na televisão. Lindacir (Neusa Borges de A Vida da Gente), acessorista no mesmo prédio em que Euclides (Eliezer Motta de Tá no Ar: A TV na TV), seu namorado, é zelador, acabam acometidos com meningite. Ela foi a primeira, chegando ao hospital com fortes dores de cabeça e manchas pelo corpo. Euclides, após tentar visitá-la, acaba vomitando e sendo diagnosticado com a mesma patologia. “Inveja matou Caim”, já dizia o antigo ditado popular, afinal, os dois ficaram juntinhos no isolamento do hospital. Teve até pedido de casamento, minha gente. Como lidar com esses dois, hein?! São uns amores juntos!

Além disso, tivemos Carolina em meio a uma crise profunda de existencialidade. Nossos pedidos, na semana passada, para que ela não voltasse a se automutilar, não foram atendidos. Porém, em contrapartida, houve a floração de uma amizade entre a nossa médica preferida e a Drª. Vera. Foi uma entrega com muita maestria, de ambos os dois lados: tanto das personagens quanto das atrizes. Parabéns Drica e Marjorie! Queremos vocês duas juntinhas como best friends forever ao longo do restante da temporada, hein?!

O quinto episódio do terceiro ano de Sob Pressão termina da mesma forma que o seu antecessor: o embate entre o nosso casal #Cavandro diante da possibilidade em ter #Cavandrinhos. Ele fica frustrado e ela não continua apertando a mesma tecla, dizendo que não está preparada. Aqui não destaco quem está certo ou errado, mas a disputa de ego no ambiente trabalhista. Até que ponto os dois vão ficar harmônicos no maior grude grude, uma vez que Evandro foi egocêntrico ao jogar na cara dela que ele é o diretor do hospital e ela, a chefe da emergência, a sua subalterna? Eis a questão que vamos ter que esperar os próximos episódios para responder!

“Pra quem quer tanto ser pai, você deveria se preocupar mais com uma criança”, ALENCAR, Carolina. 

p.s.01: A tentativa de se aliviar com o corte mostra que Carolina é humana e também sofre. As cenas, segundo Marjorie, inspiram as pessoas, pois a médica é forte e resistente. “Pessoas que sofreram abuso sexual e se automutilavam se sentiram vistas, percebidas e respeitadas, porque a Carolina não se vitimiza, não é frágil”, contou a atriz ao site oficial do seriado;

p.s.02: Nojo é a palavra para adjetivar a atitude racista retratada em uma das tramas. Racistas não passarão!;

p.s.03: A Atriz Jana Guinond, que interpreta a enfermeira Simone, concedeu uma entrevista, dizendo sobre a sua experiência em participar do seriado. Ela, que perdeu a irmã em um domingo e teve que começar a gravar as cenas em uma segunda-feira, disse que o luto virou luta. “Sob Pressão veio no momento que eu estava com uma irmã paciente renal crônica rodando pelos hospitais públicos da vida. Recebi a notícia, em uma emergência, que eu tinha passado para a série, eu estava no meio de um turbilhão”, disse;

p.s.04: Ademais, Jana, ativista e pedagoga, relatou sobre o racismo, ao garantir que a situação do Brasil pode mudar, mesmo que aos poucos. “Quem está com o problema é o racista, não ela, e doar sangue faz com que não se torne igual ao racista. Porque ele está ali disseminando ódio, achando que ele é melhor que ela por ela ser negra. A atitude dela é uma atitude digna”, conta.

p.s.05: Semana passada, eu estava triste no quesito audiência, afinal, a troca do dia de exibição da série não estava sendo muito favorável. Entretanto, essa minha constatação está tomando novos rumos, benéficos, por sinal, pois o episódio alcançou os 23,2 pontos na Grande São Paulo. Que continue assim, né?! #VoaSobPressão;

p.s.06: Sob Pressão está parecendo um filme cortado em 14 partes. Meu coração aperta a cada novo episódio, pois estamos chegando mais próximo do fim. #xatiado;

p.s.07: Altas Horas 01: no dia 25 de maio, Dia Nacional da Adoção, a atriz Drica Moraes foi ao programa do Serginho Groisman. Além de falar sobre a sua experiência no laboratório para dar vida a sua personagem, ela disse a respeito experiência de ser mãe adotiva. “Vai além de traços físicos, é sabedoria que nos torna plenas”, confessou;

p.s.08: Altas Horas 02: ontem, dia 1º de junho, foi a vez da atriz Marjorie Estiano comparecer ao programa. Ela disse que a sua sensação, ao adentrar em hospitais mudou muito depois da Drª. Carolina. “Acho que o Sob Pressão me transformou muito como atriz, dentro do meu entendimento da ponte, do veículo que a dramaturgia pode ser”, contou.

p.s.09: Se não bastasse toda a situação dramática vivida por Raquel, ainda sobra espaço para a Drª. Vera ser uma bruxa má, ao assustá-la. Tadinha, poxa!;

p.s.10: Por falar em Vera, quando a médica estava realizando a punção em Lindacir, foi engraçado a indignação da idosa ao ouvir da boca de Décio que ele tem namorado. Aliás, cadê o casal #Klebécio?! Pelo menos sabemos que é oficial!;

p.s.11: Serviço de Utilidade Pública da Semana 01: A vacinação é a melhor maneira de prevenir-se contra a meningite. Em caso de febre alta, vômitos e manchas vermelhas no corpo, procure o pronto socorro mais próximo;

> NOS4A2 (Nosferatu) – Nova série de vampiro com Zachary Quinto!

p.s.12: Serviço de Utilidade Pública da Semana 02: #SalvaSobPressão

REVISÃO GERAL
Nota:
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sob-pressao-3x05-episodio-05Com um elenco ímpar, uma fotografia de cinema e dramas persistentes na sociedade, como o racismo, Sob Pressão, sem dúvidas, é uma obra prima brasileira.