As mulheres em Survivor e um vício social que está longe da extinção.

Na última temporada, por iniciativa de Angelina e Gabby, um dos grandes tópicos foi como as mulheres são tratadas na sociedade em geral e como estas situações se perpetuam no em Survivor. Este é um tema mais do que antigo. Todo mundo já está cansado de saber que muitas vezes uma mulher firme é confundida com mandona, forte com histérica, assertiva com bitch e estratégica com desonesta. Em Cagayan, Chaos Kass já dizia que foi bastante julgada apenas por fazer um jogo que é completamente aceito quando é realizado por um homem. Suas afirmações são tão verdades que Tony venceu facilmente Woo, enquanto a própria Kass não receberia o mesmo amor do júri contra o mesmo Woo apesar de ter jogado 1 milhão de vezes melhor que ele. Afinal, Survivor é um jogo humano, então nada mais natural que os valores e preconceitos presentes na sociedade tenham um impacto gigantesco também dentro dele.

O segundo episódio de Edge of Extinction me fez pensar muito a respeito de como as mulheres são vistas no jogo e como acabam sendo vistas diante do sucesso, fracasso ou qualquer outra coisa.

É importante lembrar que pela quinta vez temos uma quantidade limitada de retornantes enfrentando uma grande maioria de novatos. Contando todos os jogadores que tivemos nesta situação, chegamos a 9 jogadores, sendo que apenas um deles se trata de uma mulher, Stephenie Fucking Lagrossa.

Na época de Redemption Island, South Pacific e Philippines, nos acostumamos a ver retornantes em praticamente toda temporada. Lembro claramente de ficar extremamente frustrado ao ver um monte de cuecas voltando e nenhuma forte jogadora nos agraciando com um retorno triunfal. Por mais que eu odiasse a ideia, já que queria ver minhas favoritas de volta, eu entendia que talvez a produção não trazia mulheres, para ser o destaque de uma das tribos, porque isto fatalmente as levaria a uma eliminação precoce. Enquanto Boston Rob, Ozzy e Coach conseguiram se manter no jogo por ajudarem bastante as suas tribos, muito provavelmente as mulheres não seriam vistas da mesma forma e sairiam cedo.

Chegamos a 2019 e mulheres continuam sendo sinônimos de fraqueza em Survivor, tanto que Reem foi apontada por ser fraca mesmo tendo uma performance muito melhor que Keith no challenge do primeiro episódio. Nesta falsa nova era, Survivor repetiu a dose de Guatemala, colocando mulheres entre os retornantes. O resultado a gente vê semana após semana.

Stephenie Lagrossa, a primeira e única retornante feminina sozinha numa tribo inteira com novatos, é uma verdadeira lenda do reality. Isto é tão verdade que é público e notório que a Twist que trouxe ela e Bobby Jon de volta foi desenvolvida pela produção apenas porque os americanos queriam mais de Stephenie, vítima da Ulongada em Palau. A sua idolatria é tão forte que, mesmo hoje em dia, ela continua sendo uma das mulheres mais citadas como inspiração pelas novas jogadoras, sendo que até mesmo Parvati e Andrea, jogadoras bem mais recentes, não mantém tanta estabilidade neste quesito.

O que levou Stephenie ao sucesso foi justamente a sua força descomunal, tanto nos challenges (humilhando os homens da sua fracassa tribo Ulong) quanto na força de vontade ao nunca desistir. Com todas estas qualidades, Steph retornou e foi capaz de sobreviver até o final. Um grande feito mesmo naquela época em que os retornantes não eram tão visados e que eliminar grandes ameaças não era algo essencial. De qualquer forma, nem tudo foram flores para a primeira mulher Bad Ass de Survivor quando ela retornou em Guatemala. Até hoje, a produção finge que a única Stephenie existente é a underdog de Palau e que Guatemala foi apenas um devaneio.

Independente se Kelley conseguirá ou não chegar ao final, sua participação em Edge of Extinction vem me lembrando bastante a Steph de Guatemala. Antes queridas pelo público, ambas passaram a ser vilãs logo de cara, na medida que voltaram poderosas e que precisaram ser agressivas para se manter no topo.

Vendo muitos fãs virarem as costas para Wentworth tão precocemente, me faz pensar no que se espera de uma mulher em Survivor e em quais são as expectativas para elas num retorno. É óbvio que a mesma história não se iria repetir. Kelley não ia passar despercebida numa tribo desastrosa, encontrar idols, eliminar um alpha male de maneira épica e durar até o F4. A jogadora é a mesma, mas as circunstancias são bem diferentes. Afinal, assim como Stephenie em Guatemala, Wentworth agora não é mais uma underdog, o que exige que ela se reinvente se quiser durar um pouco.

Impressão minha ou as mulheres respeitadas em Survivor precisam ser underdogs, não muito vocais ou apelarem para a sua sexualidade e aparência? A resposta pode não ser preto no branco, mas me parece que estamos muitos mais próximos de um sim do que de um não. Chego a esta conclusão, porque enquanto Stephenie Versão Palau, Amanda, Parvati, Andrea, Colleen, Elizabeth e tantas outras foram queridas, Stephenie Versão Guatemala, Chrissy, Twilla, Eliza, Crystal e tanta outras foram odiadas ou rotuladas de doidas varridas.

Numa primeira participação, tudo é possível, a mulher consegue sair de uma posição de vulnerabilidade e brilhar como Aubry e Wentworth já fizeram. Entretanto, quando colocadas nos holofotes elas claramente são bem menos aceitas do que os homens. Ou elas acabam como alvo apenas por ser a mulher entre os retornantes ou acaba julgada como a megera arrogante.

É fácil me convencer dos motivos pelos quais Aubry é o primeiro alvo da Kama e Joe não. Contudo, é impossível me fazer entender como Kelley está sendo alvo, enquanto David conseguiu algum abrigo com os novatos. Na verdade, seguindo a lógica da Kama, era para ser o exato oposto. Kelley é quem é ótima nos challenges e David, sendo que ambos são estratégicos e ambos encontraram dois idols na sua última participação.

Minha conclusão é que ainda vivemos num mundo dominado pelos homens e o machismo ainda faz as mulheres se atacarem, como aconteceu entre Reem, Wendy e Wentworth, enquanto os homens se juntam não conseguindo ver uma mulher numa posição de poder.

A tribo Manu já começou a maioria de homens (muito para compensar a força física de Joe na tribo rival), mas, com a eliminação de Keith, temos um verdadeiro clube do Bolinho, enquanto Lauren e Wentwoth estão no bottom, assim como Wendy. E o pior de tudo, Wendy e Kelley estão em guerra, enquanto os homens reinam tranquilamente.

Acredito que Kelley precisa ser assertiva e agressiva para se manter no jogo e se ela vai ser rotulada como uma grande BITCH!, paciência. Talvez assim ela tenha alguma chance de chegar na final, já que mulheres com esta personalidade costumam perder facilmente, como aconteceu com Stephenie em Guatemala.

Pessoalmente, a Stephenie de Guatemala é a minha Stephenie favorita. Na verdade, esta foi a minha primeira temporada de Survivor e ela a minha primeira grande favorita, quando eu nem desconfiava que anteriormente ela tinha sido a Sweetheart americana que não desiste nunca.

Não acho que seja possível superar a sua participação em Second Chance, mas estou adorando Kelley Versão Maléfica. Vejo que a edição está ajudando na construção de uma imagem negativa para ela, mas acho que a Wentworth underdog e under the radar jamais funcionaria de novo. Assim como contra os Cavaleiros de Ouro, um mesmo golpe não funciona mais de uma vez em Survivor (ou na grande maioria delas, visto que Sandra e Rob conseguiram repetir os mesmo feitos com estratégias idênticas).

Para mim, os acontecimentos da Tribo Manu revelam um excesso de medo e repulsa por Wentworth e uma tranquilidade e integração entre os homens. Acredito que Kelley apenas não foi a segunda eliminada pela combinação de dois fatores: a performance catastrófica e Keith e a ótima estratégia de Wardog, alguém que pode ser agressivo e líder a vontade sem ser rotulado negativamente.

Temos, de maneira geral enquanto sociedade, muito mais facilidade de ver um homem fazendo um jogo agressivo como Tony, Boston Rob e Domenick do que uma mulher. Entretanto, estes perfis estão um tanto quanto manjados. Por isso, Wardog está sendo de longe o melhor jogador deste início de temporada, ao conseguir conter o seu lado Tony ao mesmo tempo que enxerga o quanto Kelley e David lhe são úteis.

Para mim, é bem claro que, após a saída dos retornantes, Wardog seria facilmente o maior alvo do jogo. Assim, a sua estratégia não é apenas inteligente, é necessária. Tudo que ele quer é justamente que o Wentworth show continue para que ele possa continuar atuando nos bastidores sem ser notado.

Por mais que eu não veja conserto para que esta tribo vença, acredito que eliminar Keith foi o certo a fazer. É urgente deixar esta tribo mais forte, mesmo que seja uma tentativa com pouca chance de dar certo. Como Wardog ressaltou muito bem, Keith não os ajuda em nada e poderia muito bem ser arrastado. Com a swap chegando, Wardog e Chris poderiam ser vítimas da Kama se a maioria também preferisse manter Keith, do jeito que Chris estava querendo fazer. Com Wentworth na jogada, a chance dela ser a eliminada e não eles, é bem maior.

Keith não vai fazer muita falta e nem ligo se ele, realmente, resolver sair de uma vez por todas do jogo. Acho até esta ideia mais legal para que a Reem permaneça penando sozinha. Quanto menos gente na Edge of Extinction melhor. De qualquer forma, foi bem engraçado que Keith estava xingando muito, até que viu a placa e começou uma vasta oração. “Come on Lor. Come on Jesus. Come on Lord. Come on Jesus. Achei hilária a mudança tão repentina. Já sei o que ele vai fazer para decidir se fica ou não no jogo, vai procurar a resposta numa goiabeira, certeza. Stay tuned.

Nem Tudo É Atraso. A Evolução das Mulheres em Busca de Idols

Se as situações no jogo, de forma geral, continuam sendo mais difíceis para as mulheres pelo machismo ainda muito presente, acredito que estamos diante de uma evolução em relação aos idols. Não estou falando isso simplesmente porque a Fã Número 1 de Kelley encontrou o idol e sim pela discussão sobre o tema na Kama.

Mesmo sem ter visto David Vs. Goliath e a maravilhosa Angelina, Julie começou a questionar o porquê homens saem para procurar idols com tanta liberdade, enquanto as mulheres precisam se conter. Não acho que seja uma coincidência, acredito que as mulheres de hoje estão, cada vez mais, saindo do papel de mãe e esposa e indo à luta. Assim, na minha opinião, este tópico é relevante em duas temporadas seguidas porque a sociedade está mudando.  Mudando lentamente, mas ainda assim mudando.

Não vou me surpreender nada se nos próximos episódios mais uma mulher encontrar um idol. Vi uma narrativa forte no sentido do feminismo, que deve estar presente ao longo da temporada toda e até aposto que uma mulher deve ser a vencedora. Lembro de um clima assim em Kaoh Rong e não só houve uma vencedora como uma temporada dominada por mulheres.

Apesar de não termos visto nada a respeito do seu jogo em si, vejo bastante potencial na edição de Julie. Enquanto todo o resto do conteúdo da sua tribo tenha se limitado à presença dos retornantes, Julie é a única que ganhou um espaço próprio. Na premiere, ela já dividiu com o público que é da cidade e não está acostumada com este tipo de experiência outdoor, o que pode ser considerado algo sobre a sua vida pessoal. Ademais, neste episódio, ela ganhou um bom discurso sobre as mulheres, que antecedeu o sucesso de uma coleguinha, Lauren, na busca pelo idol. Muitos pontos para Julie, principalmente por já ter aparecido bastante, mesmo com o seu perfil, enquanto até Joe não está tendo tanto espaço assim.

> SEINFELD, dica de comédia imperdível!

Achei este episódio melhor que a premiere, mas estou longe de me sentir empolgado para a continuidade da temporada. Por enquanto, está ok, tranquilo, legal. Se ficar assim e não um tédio sem fim já está bom. Me desculpem novatos, mas ainda não vi nada de especial em vocês que não me faça continuar agarrado nos retornantes que eu gosto.

Ranking Após “One Of Us Is Going To Win The War”:

1- Wardog. Facilmente quem mais se destacou até aqui estrategicamente. Vejamos até quando ele fica atrás do escudo.

2- Julie. Ótima edição e mais simpática e eloquente do que eu imaginava.

3- Rick. Ganhou bastante destaque. Com certeza, é um personagem importante. Achei bem curioso o fato dele não esconder que está louco para realizar blindsides. Se cuida, David.

4- Victoria. Apareceu bastante “desmascarando” Aubry e procurando pelo idol. Tem tudo para ir longe.

5- Gavin. Continuo vendo bastante potencial nele, porém estou vendo uma tendência feminina nesta tribo e prevendo uma reação dos retornantes. Acho que seu maior aliado vai se ferrar na swap, mas pode respingar em Gavin também.

6- Joe. Não apareceu no episódio e nem pareceu ter sido tanto o fator que desequilibrou o challenge, mas pela sua capacidade física ele continua na mesma colocação de antes. Não deve ir a lugar algum tão cedo.

7- David. Surpreendeu por conseguir um lugar no clube dos homens mesmo sendo retornante. No seu lugar, acho que eu até poderia apoiar um blindside em Kelley com o objetivo de conquistar a confiança dos demais. Entretanto, David parece animado em eliminar Wentworth, o que ainda não é uma boa ideia para ele. Na verdade, é uma ideia que só não é mais burra e sem sentido do que pagar R$ 400,00 para um idoso sair da miserabilidade.

8- Lauren. Encontrou o idol e poderia estar numa posição melhor. É alguém para ficarmos de olho. Estou gostando dela. Lauren não se encontra numa posição melhor, uma vez que sua proximidade com Wentworth é perigosa e ela ainda está no bottom ao lado da ídola.

9 – Chris. Superou sua premiere sem confessionais e mostrou que tem alguma importância. Deve ir longe.

10- Aurora. Apareceu de forma bem genérica, mas acredito que ela vai longe. Pelo o que vimos da promo do próximo episódio, Aurora parece ser a única novata que vai ficar do lado de Joe e Aubry, pelo menos até algo mudar.

11- Eric. Estou muito com a impressão de que ele sairá antes da merge. A edição quer nos fazer acreditar que ele está no topo e que tem Aubry e Joe contra a parede. Acho que será o boot da Swap.

12- Ron. A vantagem de Ron tem tudo para ser muito flop, acho que nem roubar um Reward vai ser possível até o próximo episódio.

13- Aubry. A edição de Aubry neste episódio foi idêntica a edição de Cirie na segunda parte da premiere dupla de Game Changers. Na ocasião vimos o quanto Cirie estava ferrada fazendo tentativas de aproximação completamente infrutíferas com Sarah, Tai e Zeke. Acredito que o destino de Aubry seja o mesmo. Vai durar longe conseguindo superar o mau momento muito por conta da sua não ida ao Tribal Council. As táticas de Aubry para conseguir aliados poderiam até funcionar se ela não fosse retornante. Como é, deu completamente errado. Não é tão fácil ser Boston Rob contando a mesma história para todo mundo e o perfil dos participantes também mudou muito.

14- Julia. Praticamente invisível pelo segundo episódio consecutivo.

15- Kelley Wentworth. Está muito cedo e a chama da minha queridinha continua mais ameaçada do que ex laranja do PSL. Acredito que ela não dure muito, mas continuo torcendo por ela. Queria muito que ela se transformasse real numa vilanzona sem escrúpulos e fosse bem longe. Kelly vilã poderia salvar a temporada.

16- Wendy. Apesar de ter mostrado poder de reação, mantenho Wendy na lanterna porque ela simplesmente faz um jogo ruim, tanto que comprou uma briga inútil com Kelley e votou sozinha nela. Acho bizarro ela botar a culpa na Kelley pelo seu jogo ruim e dizer que ela já teve sua chance quando não diz o mesmo sobre David.

PS: Fiquei chocado com este challenge da cobra:

Eu após ver uma grande parte das pessoas votando num filho da puta, retardado, racista, machista, homofóbico, corrupto, ignorante, sem vergonha, mal caráter:

Quando começa o carnaval:

Quando acaba o carnaval:

Eu quando a produção inventa uma twist ruim:

REVISÃO GERAL
Nota:
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survivor-edge-of-extinction-38x02-one-of-us-is-going-to-win-the-warAchei este episódio melhor que a premiere, mas estou longe de me sentir empolgado para a continuidade da temporada. Por enquanto, está ok, tranquilo, legal.