Apenas uma regra: somente episódios exibidos durante a última temporada de televisão (entre 01/06/2010 e 31/05/2011) foram levados em consideração.

30º – “Grilled Cheesus” – Glee: 2×03 (FOX)

Escrito por Brad Falchuk
Dirigido por Alfonso Gomez-Rejon

Glee é uma bagunça que alterna entre estupidez extrema, lições de moral e amnésia, mas quando supera todos esses defeitos e usa a sua abordagem de sinceridade em excesso nos momentos que realmente importam, consegue ser emocionante e excelente em um tom melodramático que poucas séries em exibição atingem. Misturando o absurdo do título com uma história que abala o seu melhor (e também mais irritante) personagem, “Grilled Cheesus” culmina em uma linda versão de “I Want to Hold Your Hand” e nas lembranças de um filho que ainda não está pronto para ver a pessoa mais importante da sua vida partir.

Não só é o melhor episódio da série como uma triste lembrança de que o grande hit da última temporada pode ser bom quando quer, mas decide ignorar esse potencial e tratar os seus personagens como brinquedos semana após semana. Triste.

29º – “My Bad” – Dexter: 5×01 (Showtime)

Escrito por Chip Johannessen
Dirigido por Steve Shill

Dexter nunca foi uma série boa com emoções. Seja na filosofia barata de suas narrações ou na tão falada (mas nunca mostrada com honestidade) evolução de seu protagonista, esse sempre foi um território especialmente capenga para uma série que tem resultados melhores falando da ausência de sentimento do que fingindo que ele está ali. E “My Bad” funciona por conseguir construir impacto real na morte de uma personagem terrível através do arrastado e mórbido processo funerário, achando como consequência algo tão interessante nessa ideia de vazio que chega a tocar de leve e com competência a noção de que existe completo na vida de seu protagonista.

Também ganha pontos por ter sido o último episódio antes que Dexter pulasse sete tubarões e desse um girinho na saída.

28º – “Episode 6” – Luther: 1×06 (BBC)

Escrito por Neil Cross
Dirigido por Stefan Schwartz

Luther louca é Luther boa. Depois do cliffhanger meio sem sentido, meio interessante do episódio cinco, o season finale começa com Luther fugindo, Alice o ajudando (pela primeira vez em uma posição de vantagem), a polícia tumultuada na investigação, Ian brincando de Coringa, Mark em um dilema moral…  Existem severas doses de crueldade nesses pontos, mas é um daqueles casos onde todos os personagens pulam com os dois pés na lama ao mesmo tempo e vê-los lutando e tentando não sujar a roupa no processo é compulsivamente divertido.  Além disso, você tem que admirar uma série que termina a temporada inicial matando todas as chances lógicas do seu personagem principal voltar ao trabalho que define 90% dos episódios.

27º – “Brooklyn Without Limits” – 30 Rock: 5×07 (NBC)

Escrito por Ron Weiner
Dirigido por Michael Engler

Todas as piadas de “Brooklyn Without Limits” me obrigaram a tomar cuidado para não perder a respiração e sufocar entre as risadas. De vez em quando, é simples assim.

26º – “All on Mardi Gras Day” – Treme: 1×08 (HBO)

Escrito por Eric Overmyer
Dirigido por Anthony Hemingway

Mardi Gras em New Orleans teria sido o ponto natural para Treme encerrar a sua primeira temporada, mas não foi. Teria sido o momento mais óbvio e dramático para o suicídio de um dos seus personagens principais, mas não foi. E, por último, poderia ter sido o sopro de esperança que apagaria os problemas da cidade para todo o sempre. Mas não foi. Mardi Gras em New Orleans, em Treme, foi um pequeno resumo do que David Simon (The Wire) está tentando dizer através de detalhes simbólicos como uma Janette bêbada pelas ruas e um Albert Lambreaux preso, embalado pela rotineira música de arrasar e pela já perfeita atmosfera – dessa vez exaltada com as cores e alegria daquele fantástico momento.

25º – “Partners” – The Good Guys: 1×20 (FOX)

Escrito por Ben Wexler
Dirigido por Stephen Surjik

Yeah yeah, oh oh, oh no.

A cancelada dramédia de ação da Fox pode não ter sido muito popular, mas discretamente criou alguns dos episódios mais divertidos do ano passado e serviu como a maneira perfeita de começar o final de semana para aqueles que a acompanharam. No seu series finale, The Good Guys continuou a fazer tudo isso enquanto atingia o ritmo perfeito entre risadas, explosões e despedidas para os personagens que acompanhamos durante vinte episódios. É uma verdadeira lástima que Dan Stark não tenha vivido o suficiente para chutar mais bundas e convencer Jack Bailey a crescer um bigode.

24º – “Home” – Boardwalk Empire: 1×07 (HBO)

Escrito por Tim Van Patten & Paul Simms
Dirigido por Allen Coulter

Jimmy contando uma longa história, a introdução de Richard Harrow, Nucky queimando a sua antiga casa… “Home” está cheio dessas cenas fantásticas, desses pequenos momentos e detalhes que amontoam em um rico universo. E junto de tudo isso, vem pela primeira vez o sentimento de que Boardwalk Empire abandonou as rodinhas, se desprendeu de certos hábitos irritantes e se tornou, finalmente, uma boa série.

23º – “A Study in Pink” – Sherlock: 1×01 (BBC)

Escrito por Steven Moffat
Dirigido por Paul McGuigan

É impossível falar de Sherlock e de seu primeiro episódio sem falar de Steven Moffat. Mais conhecido por ter dado continuidade e melhorado em níveis assustadores Doctor Who, todas as suas marcas registradas estão presentes em “A Study in Pink”: o diálogo ágil que voa da boca do protagonista por causa de seu intelecto inquieto (para a sempre divertida confusão dos seus acompanhantes), o uso de figuras inofensivas do cotidiano como um taxista para provocar medo, a tendência de lentamente puxar o pé do telespectador com as longas entradas e saídas de seus protagonistas das reviravoltas armadas, o bom espírito do seu humor, dosado para apropriado conforto e desconforto… Moffat pode repetir os mesmos recursos e temas, mas assim como outros grandes showrunners (Aaron Sorkin, Matthew Weiner) ele os executa com tanto entusiasmo e segurança técnica que quase sempre acaba criando grandes episódios e sendo garantia de qualidade.

22º – “The Wolf and the Lion” – Game of Thrones: 1×05 (HBO)

Escrito por David Benioff & D. B. Weiss
Dirigido por Brian Kirk

Um dos privilégios que muitas séries baseadas em livros ignoram é o de manter uma estrutura similar a do original por saber (ou pelo menos pensar) que ela já funciona, só adaptando personagens e detalhes para que algo novo se crie no processo e seja acessível. Essa natureza hiperativa e construída de Game of Thrones é o seu maior trunfo, pois permite que ela atravesse qualquer obstáculo que fique no caminho de uma boa história e estimule todas as cenas com essa certeza. Quer dizer, aqui estamos na metade da temporada e vários personagens já estão manipulando, mentindo e se matando com força brutal… É lindo como tudo se dá durante as investigações do ingênuo Ned Stark, é divertido como ela tira prazer nos pequenos detalhes do caminho (a prisão na qual Tyrion fica é uma coisa linda), é estimulante tentar entender a lealdade de personagens como Littlefinger… Enfim, é Game of Thrones. Que assim continue para o prazer de todos.

21º – “Mike Royko’s Revenge” – The Chicago Code: 1×13 (FOX)

Escrito por Shawn Ryan & Christal Henry
Dirigido por Lesli Linka Glatter

The Chicago Code pode ter errado em alguns pequenos pontos durante o seu curto caminho, mas conseguiu atingir com força o mais importante deles ao fazer da batalha entre Teresa Colvin e Ronin Gibbons um dos conflitos mais animadores do ano para a televisão. “Mike Royko’s Revenge”, no qual as várias peças desse longo e complicado caso finalmente caem em cima das cabeças de policiais, políticos e criminosos, não poderia ser um series finale mais apropriado, mostrando tanto o prazer e o receio contidos nas poucas batalhas de sucesso contra a corrupção em cidades grandes. Não chegou nem perto de ser para Chicago o que algo como The Wire foi para Baltimore, mas em sua essência, o amor que The Chicago Code tinha era tão grande quanto.

20º – “Half Measures” – Breaking Bad: 3×12 (AMC)

Escrito por Sam Catlin & Peter Gould
Dirigido por Adam Bernstein

Na maioria dos dramas, existe um momento (que pode ter acontecido fora de tela, antes da linha de tempo da série) no qual personagens atravessam barreiras morais ou físicas e entram em áreas definitivas – geralmente complicadas – dentro daquele universo. É um ponto do qual não há retorno, é o momento no qual o herói, o vilão ou o anti-herói se compromete por completo na jornada que lhe foi estabelecida, e como consequência, nós também. Por Breaking Bad tratar da transição do seu protagonista para essa posição sombria, de um professor e pai de família para Avon Barksdale de ABQ, esse momento é quebrado em pequenos pedaços, sendo mais uma ideia que o consume aos poucos do que uma reviravolta em si. Entretanto, aqui em “Half Measures” um desses momentos é facilmente mais identificável que outros. Não só pelo seu significado óbvio, não só por Walter White estar matando (algo feito antes na série, em outro desses momentos), mas por ele fazer isso pelo Jesse e finalmente se conectar a ele por completo na perdição dessa empreitada.

19º – “See You Next Fall” – Modern Family: 2×23 (ABC)

Escrito por Danny Zuker
Dirigido por Steven Levitan

A segunda temporada de Modern Family é preguiçosa que dói, repetindo ideias batidas (dentro e fora da série) semana após semana e tentando maquiá-las com pequenos charmes.

Então, depois de uma sequência particularmente ruim de histórias, ela resolveu voltar a ser o que era.

“See You Next Fall” une as famílias e a energia delas em coisas simples como um portão quebrado, une o amor que temos por aqueles personagens em detalhes reveladores e comprometedores como Jay colocando botox ou Mitchell rindo de Cam, une e impulsiona o humor em todo e cada segundo, usando truques rotineiros como o lado infantil de Phil de maneiras inventivas, inteligentes e apropriadas. Se todos os episódios fossem assim, Modern Family não precisaria nem de Ron Swanson ou Troy Barnes para voltar a ser um peso pesado entre as comédias da atualidade.

18º – “Pilot” – Lone Star: 1×01 (FOX)

Escrito por Kyle Killen
Dirigido por Marc Webb

A maior aposta da FOX para essa temporada nasceu morta na audiência, e até hoje nos perguntamos o que ela poderia ter sido. Mas o que Lone Star foi, ainda que pequeno, vale ser mencionado pelo ideal nobre que tinha. Ao tentar trazer a sensibilidade e ambiguidade moral de uma série da TV a cabo para a TV aberta e ainda assim ser um sucesso, ela fez uma grande aposta no estado da televisão atual e em que os sucessos estrondosos do estilo nas plataformas limitadas da HBO, AMC e outras pudessem ser expandidos. Porém, enquanto Tony Soprano executava mafiosos, Bob Allen tocou uma ferida aberta ao roubar trabalhadores e destruir suas vidas – para a repulsa da audiência escapista das noites de segunda.

E esse desinteresse da audiência foi ainda mais triste devido aos excelentes momentos de televisão que Lone Star conseguiu proporcionar, principalmente no seu piloto. As sequências sobre a vida do protagonista ao som de Mumford and Sons. O choro dele no carro ao ter o seu complicado mundo partido. O plano para tentar achar uma espécie de lugar comum na vida que seu pai o influenciou a criar. A grande revelação, James Wolk. Aquele prazer para os olhos que é assistir uma série filmada no Texas. Tanto potencial, e assim como milhares de outras, em questão de dias… Puff.

Tsc, tsc.

17º – “Subway Wars” – How I Met Your Mother: 6×04 (CBS)

Escrito por Chris Harris
Dirigido por Pamela Fryman

How I Met Your Mother é uma série que prospera no encontro do velho com o novo, balanceando dentro de seus personagens e histórias o desejo de seguir em frente com o conforto que é a simples manutenção do que estamos acostumados. “Subway Wars” captura isso com extrema sensibilidade: por um lado, é o típico episódio de How I Met Your Mother que contextualiza o grupo através de flashbacks e arruma maneiras inesperadas de abordar clichês do gênero, pelo outro, é uma corrida por New York com diversos meios de transporte, mapas e músicas. Prova definitiva de que mesmo mais pra lá do que pra cá, essa série ainda sabe encantar.

16º – “Entrada” – Fringe: 3×08 (FOX)

Escrito por Jeff Pinkner & J. H. Wyman
Dirigido por Brad Anderson

A genialidade contida na ideia de alternar entre universos durante o início da sua terceira temporada elevou Fringe de série promissora para uma das melhores no ar, e mesmo que esse episódio não tenha sido um “White Tulip” em unir com perfeição os seus melhores elementos, foi uma demonstração ideal de como ela é dedicada aos conceitos que estabelece e de que espreme todo e qualquer potencial contido neles (mesmo que nem sempre seja 100% lógica no processo). Em “Entrada” não há um momento perdido, não há uma cena sem ritmo, não há nunca, nem por um segundo, o sentimento de que alguma função burocrática está sendo exercida pelo roteiro ou de que os atores não estão abraçando aquela loucura de coração aberto… É um daqueles episódios que vai, vai e segue indo até não poder mais. Uma baita hora de televisão de uma das suas séries atuais mais interessantes.

15º – “Days Gone Bye” – The Walking Dead: 1×01 (AMC)

Escrito por Frank Darabont
Dirigido por Frank Darabont

Os próximos cinco episódios tentariam impressionar pelos tiros, mortes, reviravoltas e lágrimas de resultados duvidosos, mas no seu piloto, The Walking Dead foi tudo o que você poderia esperar de uma série do gênero no canal de Breaking Bad e Mad Men. Da trilha sonora de Bear McCreary aos lindos zumbis, existia o claro senso de que Frank Darabont tinha passado horas durante a summer season em uma salinha escura junto do seu editor, jogando cena por cena dentro do episódio com precisão cirúrgica. Esse cuidado não só faz com que “Days Gone Bye” estabeleça o personagem principal de maneira segura, como o dá poder suficiente para cravar duas marcas profundas já na sua metade.

Vamos esperar que essa magia silenciosa retorne na segunda temporada.

14º – “Bully” – Louie: 1×09 (FX)

Escrito por Louis C.K.
Dirigido por Louis C.K.

Vários episódios dessa lista somente pertencem a ela por serem diferentes do que a série em questão geralmente faz, por serem exercícios criativos que quebraram a fórmula do programa e se sobressaíram pelos métodos extraordinários que usaram para atingir isso. E enquanto “Bully” foge do padrão de duas histórias por episódio da série, também traz todos os seus melhores lados, aliando a obsessão do personagem principal (uma sequência na qual ele persegue o valentão mergulhado pela escuridão da cidade, em particular, é maravilhosa) com um início que é extremamente hilário pela peculiaridade daquela situação e um final que é tocante por falar de um dos maiores temas da série com honestidade brutal. Opostos exatos que se unem com perfeição em um pequeno arco para o personagem.

13º – “NS” – Sons of Anarchy: 3×13 (FX)

Escrito por Kurt Sutter & Dave Erickson
Dirigido por Kurt Sutter

“NS” foi excelente não só como um episódio de televisão e como um season finale, mas como um lembrete da qualidade que Sons of Anarchy exibiu semana após semana no seu ano anterior. Sim, ela perdeu boa parte desse ímpeto narrativo durante a porção intermediária da fraca terceira temporada – resultado de tramas fúteis e decisões infelizes que nem a de manter os personagens envolvidos com assuntos desinteressantes em Charming por mais tempo do que necessário – mas conseguiu nesse season finale encerrar um capítulo da sua história e iniciar outro com igual força, colocando o clube no meio termo ideal entre controle dos seus negócios e extrema vulnerabilidade interna (posição que rendeu os memoráveis “Balm” e “The Culling”).

12º – “A Good Day’s Work” – Rubicon: 1×11 (AMC)

Escrito por Zack Whedon
Dirigido por
Brad Anderson

Rubicon evoluiu de um drama problemático para obrigatório tão rápido que todos ficaram assustados. E mesmo que “A Good Day’s Work” tenha sido uma mudança de ritmo para a série, ela conseguiu lidar com todos os desafios que episódios tensos e cruciais como esse impõem de uma maneira igualmente perceptiva a qual abordou a paranóia e falta de glamour dos serviços de inteligência americanos. Uma segunda temporada teria sido ótima para todos os seus (poucos) fãs, mas talvez, só talvez, Rubicon acabe funcionando melhor assim: com treze episódios e duas sólidas tramas em um belo pacote fechado.

11º – “Harvest Festival” – Parks and Recreation: 3×07 (NBC)

Escrito por Dan Goor
Dirigido por
Dean Holland

A maior prova da qualidade de Parks and Recreation é que eu poderia colocar nas posições anteriores qualquer um dos seus dezesseis episódios exibidos durante a temporada e ainda assim ficar plenamente satisfeito com a escolha. Mas o grande charme de “Harvest Festival” é ele ser uma espécie de season finale dentro de uma temporada que já é pequena, prática que está se tornando comum em dramas (Breaking Bad e Mad Men, com “One Minute” e “The Suitcase” respectivamente) e que é eficiente por energizar as duas porções de episódios da mesma: a que vem antes, pela expectativa e construção, e a que vem depois, pelas consequências. E com a realização profissional de Leslie, a loucura de Pawnee ao extremo, as reações faciais do Adam Scott e o amor de Ron Swanson por Li’l Sebastian (RIP), “Harvest Festival” ainda seria Parks and Rec em sua melhor forma mesmo que desprovido de qualquer função.

Continua na próxima semana… Com 10 episódios de The Cape!

Montagem no início da lista: @ZuiL/www.zuil.com.br.

@mateusb

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