“A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições.”

Há quatro anos até seria fácil rotular Dexter como psicopata, mas hoje, ele é facilmente um dos personagens mais complexos da televisão. Aliás, já vou começar a review batendo palmas para Michael C. Hall e mencionar o quão fantástico ele esteve nessa sensacional season premiere.

Clap, clap.

Spoilers Abaixo:

Da última vez que vimos nosso serial killer favorito ele estava chegando em casa depois de despachar Arthur Mitchell para o outro mundo e encontra Rita morta na banheira e o pequeno Harrison na poça de sangue. Um final de temporada chocante e inesquecível. A quinta temporada começa nos momentos seguintes a descoberta do corpo de Rita onde vemos um Dexter confuso e chocado.

Quando leio as características de um psicopata, tenho grande certeza que Dexter não se enquadra nesse perfil. Ele até pode ter sido psicopata no passado, mas por mais que ele não se considere um humano, é impossível dizer que ele desprovido de sentimentos. É só parar para lembrar-se de como ele chegou a cogitar afogar seu Dark Passenger para ter uma vida normal ao lado de Rita e as crianças na temporada passada. Dexter amou Rita e é por isso que ele estava travado e confuso. Esse turbilhão de emoções é algo novo para Dex, afinal, como pode um monstro estar em luto?

Os flashbacks com Rita foram muito bons para vermos como Dexter melhorou seu “disfarce de humano” graças a sua amada. Aquele jeitão travado e desconfortável que vimos no primeiro encontro dos dois era muito presente na primeira temporada, e ficou mais do que provado que Rita não apenas era a ponte entre a escuridão e a luz, mas também a fonte da humanidade de Dexter, como ele mesmo admitiu durante o discurso do funeral. A culpa que ele sente vai além de não ter matado Trinity mais cedo quando teve chance. Desde o começo Dexter usou Rita. O primeiro encontro dos dois não passou de um álibi para ele caçar e é esse sentimento de culpa misturado com o choque do maior terremoto da sua realidade que faz com que Dexter pareça não se importar, como Astor disse. É essa confusão que faz com que Dexter queira recomeçar e abandonar tudo e todos. A realidade que ele construiu com tanto esforço, que a princípio era só um disfarce, mas que com o passar do tempo acabou fazendo parte da sua verdadeira natureza, simplesmente não existe mais.

O ápice do episódio sem dúvida alguma foi quando Dexter resolve descarregar todas suas frustrações e raiva com um gancho de pesca numa pessoa qualquer, mas “que fez por merecer”. Ironicamente “a primeira coisa humana que ele fez desde a morte de Rita”. Mesmo nesse momento em que Dexter vomita emoções depois de digeri-las por tanto tempo, fica claro que ele estava mais com raiva do que triste pela morte de Rita. Aliás, que sequência fantástica. O urro de Michael C. Hall ecoou na minha alma. Fiquei arrepiado.

Enterrar Rita não foi a maior provação ainda. Essa temporada promete antagonistas e mais antagonistas sendo Quinn talvez a maior dor de cabeça de todas. Acredito que todos pensam em Quinn como um Doakes 2.0 e eu até concordo com esse pensamento, mas acho Quinn um pouco mais perigoso, pois ele já mostrou que não tem peso na consciência em jogar sujo. A investigação do FBI também vai virar de ponta cabeça a vida de Dexter. A temporada é promissora como sempre e eu só espero o melhor.

Observações finais:

– Que sensação estranha ver Michael C. Hall em uma funerária tão parecida com a dos Fisher de Six Feet Under.

– Espero que nessa temporada Angel e LaGuerta tenham um propósito melhor. Esse romance entre os dois foi o elemento que eu menos gostei no ano passado.

– Masuka sem noção como sempre admite que imaginou Rita pelada ali ao lado do corpo dela. Dei risada rapidamente e depois fiz cara feia pelo desrespeito. rs

– Que saudade de Deb e sua boa suja.

– O verdadeiro discurso de funeral foi feito na cena em que Dexter está sozinho ao lado do caixão de Rita onde ele admite ser um serial killer. O último momento franco entre os dois.

Artigo anteriorHawaii Five-0 – 1×02: Ohana
Próximo artigoAudiência USA – 28/09/2010: Terça-feira