Mogli: Entre Dois Mundo é a mais nova adaptação da coletânea de contos presentes no Livro da Selva, do escritor Rudyard Kipling que atualmente encontra-se em domínio público, ou seja, podendo ser adaptada por qualquer estúdio ou meio de criação sem o pagamento de direitos autorais.
Em sua ficha técnica temos um time invejável. Dirigido por Andy Serkins, o rei da captura de movimentos, que já interpretou o Gollum em Senhor dos Anéis e o macaco César em Planeta dos Macacos, alguém que sabe o que está fazendo. Na frente das câmeras temos Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Christian Bale, Naomi Harris, dentre outros.
Mas porque essa seria a adaptação mais “próxima” do conto original? Sendo escrito em 1894 a narrativa de Rudyard nesse livro é bem crua. Desde a chegada do bebê humano na selva, até a sua ida a aldeia dos homens. Quando se lê não ficamos com essa impressão de que o escritor quis escrever um livro de fantasia. E toda essa visão mais “real”, mais “suja” da selva está presente no filme.
Algumas cenas inclusive chocam pela realidade, o sangue não tem vergonha de escorrer, e tanto o trabalho de captura de movimentos como de efeitos especiais é bem orgânico, sem quebras de narrativas ou visuais plastificados o que deixa tudo com muita fluidez. A exuberância das selvas que estamos acostumados a ver no cinema não está presente aqui, o filme não abusa de muitas cores, mas isso não tira a magia do fato de estarmos acompanhando um filme, que possui a maioria (se não todas) das suas cenas com computação gráfica e que mesmo assim consegue ser orgânico.
Outros dois pontos presentes nos contos e que também estão fortemente representados aqui, é o “código dos animais”, as leis da selva que são tão faladas durante todo o filme. Códigos morais e éticos, que os animais também têm (talvez mais que nós) e que é muito presente no livro de Rudyard. Outro personagem que temos aqui é a hiena chacal de Shere Kan, que apesar de poucas participações, elas são bem divertidas.

Contudo, apesar de todos os pontos positivos citados aqui, Mogli: Entre Dois Mundos não deixa de passar a sensação de que não trouxe nada de novo. E isso talvez nem seja culpa do filme. Para quem já acompanhou todas as adaptações anteriores da obra, o filme da Netflix não traz nenhuma novidade ou originalidade, já que é uma história que todos conhecemos.
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Talvez até tenhamos aqui uma outra forma de se contar essa história, mas que não quer dizer que ela seja, necessariamente, nova. Seus atos inclusive são bem parecidos com os de outras adaptações. Ainda assim, ele vale a curiosidade pelo trabalho bem produzido. Ah, e, se puderem, assistam legendado porque o trabalho de dublagem está incrível.














