Muito além dos casos da semana, The Good Doctor vem utilizando as histórias dos pacientes como forma de desenvolver os personagens e solucionar certos conflitos.

Dizem que os médicos costumam ser os piores pacientes. Sendo isso verdade ou não, Glassman já demonstrou ser um dos pacientes mais difíceis de lidar e tratar, uma vez que ele não gosta de não estar no controle, tem conhecimento de tudo o que está acontecendo e sabe fugir de certas situações que podem mostrar que sua recuperação não está assim tão boa quanto ele alega. Afastando de pessoas que ele gosta, criando uma barreira até mesmo para uma relação amorosa que estava para começar, finalmente o personagem decidiu passar por cima do seu medo e buscou uma forma de descobrir o que estava acontecendo.

Ficou bem claro que Glassman na verdade estava apenas procurando adaptar os exames de uma forma que eles provassem suas alegações, porém, felizmente, Shaun conseguiu contorna-lo e o obrigou a aceitar que ele realmente está perdendo a memória. Não acredito que sua atitude melhorará após ter certeza de que estava errado, todavia com essa informação nas mãos, seu pupilo provavelmente o obrigará a parar de fugir dos tratamentos. É possível que tenhamos uma tragédia até o final da temporada e Shaun comece a entender um pouco a Meredith Grey, porém, considerando que Glassman não se encontra mais na presidência do hospital e sua morte influenciaria mais apenas Murphy, não vejo muita necessidade em fazerem isso.

Não obstante, com a possibilidade da morte de seu mentor, o desenvolvimento da relação de Shaun e Lea será de extrema importância. Após os conflitos iniciais envolvendo até mesmo o papel higiênico, a morte de Hubert e suas consequências demonstraram um futuro promissor para os novos colegas de quarto. A apreensão quanto a uma possível relação amorosa e os problemas que podem decorrer disso continua existindo, afinal a química entre Shaun e Lea é difícil de ser classificada, beirando a friendzone em um momento, mas também gerando cenas que dão a impressão de que os dois ficarão juntos. Com uma dificuldade grande de mudanças e em um momento em que eles estão ainda aprendendo a lidar um com o outro, espero que o roteiro não caminhe para o romance por agora, pois soará forçado e será contraditório com a conversa que eles tiveram antes de mudarem.

Enquanto alguns personagens continuam lidando com problemas relacionados às suas personalidades mostradas desde a 1ª temporada, outros vêm mostrando um lado que ainda não havia sido muito explorado. Se por um lado Morgan vem sendo humanizada a cada episódio; por outro lado, Claire decidiu se posicionar e defender sua opinião de uma forma que antes não fazia.

Acho extremamente necessário que Claire se imponha mais e não permita que qualquer um passe por cima dela, todavia, nesse momento, é complicado tentar argumentar contra Melendez. Ainda que a decisão tomada por Claire tenha ajudado a paciente, sua falta de respeito quanto à autoridade não pode ser ignorada. Dessa forma, a conclusão do seu embate com Melendez deixou muito a desejar, obrigando-o a chamá-la de volta para sua equipe, mesmo que ele não concorde e permitindo que ela continue acreditando ter sido correto passar por cima dele. Muito além da falta de punição para o que ela fez, os motivos de Andrews para forçar tudo isso foram ridículos; ademais, com um falso pedido de desculpas e um falso perdão, a relação entre os dois continuará ruim, não existindo confiança por parte de Melendez e respeito pela autoridade por parte da Claire, podendo futuramente gerar problemas que afetem os pacientes.

Se apegar ao fato de que a decisão de Claire deu certo e ignorar que uma falha sua recairia sobre o colo dos seus superiores é absurdo e inverossímil. A personagem já demonstrou ser extremamente inteligente e competente, porém da mesma forma que Shaun peca por ter dificuldades sociais, sua habilidade como profissional peca ao não respeitar os superiores.

Por fim, mais uma vez a série trouxe um tema extremamente importante, o movimento sem sentido da antivacina. Em 1998, o médico britânico Andrew Wakefield, publicou um estudo na revista científica The Lancet, inferindo que das 12 crianças portadoras de autismo, 8 delas haviam apresentado, 2 semanas após tomarem vacina conta o sarampo, a rubéola e a caxumba, os primeiros sintomas da síndrome, sendo decorrência de “estímulos excessivos da vacina ao sistema imunológico”.

Posteriormente, em 2010, investigações desmascararam o médico e o Conselho Britânico de Medicina cassou sua licença; todavia, seu estudo virou justificativa para diversas famílias optarem por não vacinar seus filhos. Países como os Estados Unidos, Brasil e alguns da Europa vem sofrendo com esse movimento e uma diminuição na taxa de vacinação a cada ano, gerando um desespero entre profissionais da saúde, levando a Academia Americana de Pediatria a autorizar que pediatras não atendam crianças não vacinadas, uma vez que elas podem infectar bebês ainda não vacinados ou crianças imunossuprimidas.

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O aumento de doenças como o Sarampo já se tornou realidade e dessa forma é necessário que se faça uma nova campanha e um novo movimento a favor das vacinas. Espera-se que com o alcance de séries como The Good Doctor, possíveis pessoas que acreditem no estudo percebam a fraude do movimento e mudem de ideia vacinando seus filhos.

VACINEM SUAS CRIANÇAS!

REVISÃO GERAL
Nota:
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