Nunca na história deste reality, um tema funcionou tão bem.
Toda nova temporada de Survivor, assim que o tema é anunciado, uma avalanche de críticas recai sobre o ponto de partida da nova edição. “Que saudade de quando o tema era uma nova locação”, “Jeff não cansa de forçar um tema nada a ver” e “Vai ser um saco” são frases que estamos mais do que acostumados. Eu sou do time que sempre defendeu os temas, afinal uma ótima temporada é construída com bons participantes independente do tema que se proponha. Além disso, estamos em 2018 e na temporada de número 37. Portanto, obviamente o reality já teria se esgotado há muitos anos se tivesse preso às fórmulas do passado. É necessário inovar e dar novos caminhos (sem mudar a essência do programa) para que Survivor mantenha os seus fãs fiéis e que apresente novidades.
Para mim, mesmo um tema completamente sem sentido como Heroes Vs. Healers Vs. Hustlers não é capaz de fazer uma temporada ruim. O tema é apenas um ponto de partida, um recurso para alterar a dinâmica do jogo (mesmo que sutilmente), incentivar a rivalidade entre as tribos e, principalmente, facilitar a apresentação dos personagens. Tenho para mim que temporadas como Brawn Vs. Brains Vs Beauty, Millennials Vs. Gen X e David Vs Goliath conseguiram apresentar os seus participantes com muito mais facilidade. Pela edição ressaltar as características dos personagens em relação a sua tribo inicial, em pouco tempo conseguimos ter uma melhor noção de quem é quem.
Pela primeira vez, o tema está indo bastante além e realmente sendo um norte narrativo. Na minha opinião, nem o mais otimista dos produtores poderia prever que David Vs. Goliath definiria tão bem o comportamento dos participantes e que a narrativa da temporada faria uma rima tão perfeita com a história bíblica. Acho até que isto nem era algo tão difícil de prever, dada a enorme quantidade de underdogs que vencem obstáculos e obtém sucesso em Survivor. Contudo, nunca uma temporada de Survivor pareceu tanto uma comédia romântica adolescente ou até mesmo infantil em que o nerd se transforma e vence no final. Saudades do clássico da Sessão da Tarde Pequeno Grande Time.
Em Suan Juan Del Sur, Jeff Probst assumiu que a temporada não foi tão boa quanto ele gostaria visto que o elenco no geral não foi dos melhores, mesmo com ótimos nomes como Natalie Anderson, Jeremy, Kelley Wentworth e até mesmo Keith. A avaliação foi que, ao invés de selecionar os participantes com um tema pré-definido, o ideal é escolher o melhor grupo de pessoas possível para que o tema seja naturalmente definido pelo perfil do grupo. Estou completamente de acordo com este diagnóstico, mas acho que a produção acabou esquecendo desta valiosa lição em algumas temporadas. Foi notícia que o casting de Survivor estava procurando determinados perfis bem específicos para se encaixarem nos temas que em seguida deram nome às temporadas Millennials Vs. Gen X e Heroes Vs. Healers Vs. Hustlers.
Em David Vs. Goliath, segundo relatos do próprio Jeff Probst, Survivor chegou num momento em que ao invés de buscar perfis e estereótipos foi possível selecionar 20 pessoas comuns que estavam bem dispostas a jogar. Assim, a edição muito bem equilibrada e ótimo jogo foram possível graças à grande qualidade deste elenco. Um dos editores do reality confidenciou no twitter numa conversa com Adam, vencedor da temporada de número 33, que desde que ele faz parte do time de editores de Survivor nunca o seu trabalho foi tão facilitado. Muitos criticam a edição de Ghost Island, mas as vezes temos que entender que a edição nada mais é do que consequência de um elenco ruim. Assim, os editores se agarram àqueles capazes de render alguma coisa e excluem os que não foram capazes de apresentar nada de interessante.
De alguma maneira mágica, com certeza facilitada pela tecnologia da edição, as tribos David e Goliath desde o primeiro episódio entraram muito bem nos seus devidos papéis. Logo no primeiro episódio já era possível perceber uma atmosfera completamente diferente em cada uma das tribos. De um lado, tínhamos os underdogs, as pessoas que apesar de serem mais fracas fisicamente trabalharam juntas para construir um abrigo muito melhor que o dos rivais. Um time que obviamente também estava empenhado no jogo individual, mas que compartilhou as suas histórias tristes de superação de grandes obstáculos e que aos poucos foi ficando mais forte quando as adversidades apareceram. De outro lado, tínhamos uma tribo muito menos coesa com Natalie dando ordens, Mike saindo desesperadamente para encontrar o idol e um clima de disputa constante. Os Davids já pareciam estar derrotados, então a verdadeira guerra era entre os Goliaths.
Em minha visão, “Breadth-First Search” foi o ápice de David Vs. Goliath em relação ao tema. Num dos primeiros episódios, Gabby teve um confessional muito significativo para os rumos da temporada em que ela explicou que por serem da tribo mais fraca e por estarem acostumados a ter grandes obstáculos na vida os Davids sabiam que eles precisavam se unir de uma maneira que os Goliaths jamais fariam. Ela ainda ressaltou que todos eles estão acostumados a trabalhar muito e em equipe e que isto seria essencial no jogo. Na premiere, após Jessica e Bi dividirem suas histórias, Nick, que pela sua profissão e atual status na sociedade é o mais Goliath dos Davids, disse que os Davids tinham a sua guarda abaixada e que somente após se abrir e sair da defensiva ele conseguiu criar vínculos verdadeiros com os outros participantes. Por mais que eu tenha consciência que a edição é crucial para a construção de uma narrativa tão perfeita, é impossível imaginar um momento parecido na tribo rival. Imagina Natalie e Natalia, por exemplo, abaixando a guarda e dividindo histórias tão pessoais. “When I was a CEO in Brazil PT ruined my business” com certeza teria com resposta “Don’t be sorry. Shut up”.
The question is not who has the advantage. It’s what is the advantage

Quem acompanha as minhas reviews há bastante tempo sabe que eu adoro fazer analogia de Survivor com Vida de Inseto, um dos filmes mais simples, subestimados e com um das mensagens mais fortes entre os todos da Pixar. Numa temporada chamada David Vs. Goliath, em algum momento, eu tinha que relembrar este clássico. A mensagem do filme, que deveria influenciar mais a nossa vida politicamente, é clara. Para combater os gafanhotos, as formigas, que são bem mais fracas, precisam se unir. Mais forte do que a força individual dos gafanhotos é a soma da força de todas as formigas. E foi exatamente isto que vi neste episódio. Uma tribo jogando coletivamente como nunca antes visto. Um time ciente de que só unindo todas as suas forças seria capaz de superar os Goliaths.
Após ficarem no bottom durante a temporada toda em decorrência da superioridade numérica dos Goliath conquistada principalmente através dos Challenges, mas também na desistência de Bi, os Davids foram além do que eu esperava. Nunca antes tinha visto uma tribo acordar de madrugada para que uns dessem cobertura para os outros procurarem por idols. Este tipo de confiança estabelecida entre eles (em que não importa quem encontre o idol, o que importa é que seja um David) é valiosa demais. Davie já tinha dado sinais disto quando resolveu criar uma distração para os Goliaths enquanto Nick e Carl foram pegar a vantagem no pé da palmeira. Isso jamais aconteceria com pessoas como Angelina, Dan e Mike, participantes que por personalidade, visão de mundo e também pela posição conquistada no jogo pensam de forma bem mais individual.
Ocorre que Survivor é sim um jogo individual desde o primeiro segundo, mas é um jogo individual definido pelo coletivo. Assim, ao dar algo para os seus aliados, os Davids estão prontos para receber algo em troca. Survivor é um jogo em que a todo momento o participante precisa escolher entre o individual. Não existe receita para o sucesso, mas é razoável pensar que buscar o equilíbrio entre individual e coletivo é o que coloca qualquer um mais próximo do sucesso.
É verdade que Dan usou um idol para salvar Angelina, mas a coisa não funciona de forma tão simples quando a relação entre eles não é de confiança. É importante lembrar que Dan e Angelina disputaram para ver quem mandava mais na eliminação de Elizabeth, que Dan falou o episódio inteiro que Angelina precisava sair e que jamais usaria o idol para salvá-la e que no mesmo episódio Angelina disse em confessional que não via a hora da arrogância de Dan o destruir. Confiança é algo construído constantemente e não comprada com um simples idol. Não adianta nada salvar a chama de Angelina no Tribal Council ao mesmo tempo que não confia nem por um segundo (com razão) nela.
Para mim, o melhor momento da temporada até aqui foi a reunião David em que cada um deles dividiu as suas vantagens e informações para que unidos eles tomassem a melhor decisão para o grupo em relação ao uso de cada uma delas. Foi como ver o Homem de Ferro, o Dr. Estranho, o Homem Aranha e os Guardiões da Galáxia combinando seus poderes em Guerra Infinita contra Thanos. Nenhuma das vantagens seria o suficiente se a coesão deste grupo não fosse tão grande. Não foi o roubo do voto ou o Nullifier que derrotou Dan, o que o derrotou foi a força dos Davids unindo. “Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta. Vai Planeta”. De um lado, 5 pessoas inteligentes decidiram como usar da melhor forma as suas vantagens. De outro, Dan, um dos participantes mais burros, decidiu sozinho. Resultado, 2 idols completamente desperdiçados enquanto 1 idol e 2 vantagens foram muito bem usados pelos Davids.
Em 37 temporadas de Survivor, já vimos todo tipo de vantagem e a grande maioria delas flopou lindamente. Afinal, a vantagem em Survivor é uma só, a confiança. A habilidade de colocar na mesma página um grupo de pessoas, que define o que vai acontecer. Esta é a resposta para a pergunta de qual é vantagem em praticamente qualquer temporada. Mesmo nos casos de Mike e Ben, que venceram por conseguirem ficar imunes um Tribal Council atrás do outro, em algum momento eles precisaram da confiança de aliados para chegar no ponto em que era possível arrancar para a vitória só com imunidades.
Não é a primeira e não vai ser a última em que os Underdogs conseguem dar a volta por cima. Existem muitos exemplos de tribos que triunfaram sendo verdadeiros Davids. Para mim, a tribo David é a versão moderna do Aitu 4, uma aliança que foi negligenciada no motim de Candice e Penner em Cook Islands. No melhor estilo décima terceira temporada, em que o jogo era bem mais físico e a estratégia bem mais simples, a Aitu 4 virou o jogo principalmente pela união e coesão nos challenges de quem ficou numa situação extremamente desfavorável. Becky e Sundra nem eram boas nos desafios, diferente de Ozzy e Yul, mas as vitórias da tribo foram na base do coletivo mesmo.
Consigo pensar em muitos outros exemplos como em Gabbon, Tocantins e Samoa em que a minoria terminou no topo. Normalmente, o que possibilita uma reviravolta nos números não é apenas a união e confiança construída entre os underdogs, mas também a desconfiança e ganância de quem está no topo. Quando você está no bottom, é muito fácil saber o que precisa ser feito para mudar a situação, mesmo que a execução seja extremamente complicada. Entretanto, quando você está no topo, é muito difícil se manter nele e saber o que deve ser feito para isso, sem ser ganancioso demais, se sentir confortável demais ou subestimar os outros demais.
Num jogo tão dinâmico, que muda tanto e em que as forças viram franquezas e as fraquezas forças, David Vs. Goliath é um tema muito melhor do que parecia inicialmente. Com um empurrãozinho da edição, as características David e Goliath foram ressaltadas nos membros de cada tribo, tendo como resultado um embate até mais poderoso do que Heores Vs. Villains, em que o retorno de lendas de Survivor foi mais destaque do que o embate de times com mentalidades diferentes.
Além disso, é sempre bom lembrar que a provavelmente a maior David que já esteve em Survivor é justamente a única pessoa que venceu o jogo duas vezes. Dessa forma, os mais fortes subestimando os mais fracos é algo da essência do jogo. Cabe aos novos jogadores entenderem o que é ser forte e o que é ser fraco em Survivor, algo que nesta altura do campeonato já deveria estar mais claro, mas parece que ainda não está para muita gente. Beleza, força e até mesmo inteligência são café pequeno perto da vantagem de poder confiar no outro.
O Titanic Afundou e Foi a Terceira Classe que Saiu no Bote Salva Vidas

Logo após a eliminação de John, Alison fez um diagnóstico mais perfeito do que ela mesma poderia imaginar. “Se eles tiverem uma vantagem secreta, o barco partiu sem a gente”. Pessoalmente, eu me decepcionei muito com Mike, Alison e Alec no último episódio. Depois de fazerem uma aliança secreta e um plano que os colocaria cada vez mais numa ótima posição, eles precipitadamente resolveram abandonar tudo para precocemente tirar Christian do jogo. Uma péssima estratégia. Para eles, seria bem mais cômodo intercalar votos entre Goliaths e Davids que não faziam parte da Strike Force para cada vez mais ter mais poder. Entretanto, eles amarelaram e foram pelo caminho “mais fácil”, traindo a confiança de Nick, Gabby e, principalmente, Christian.
Desde a Swap, Alison e Alec manifestam bastante o seu desejo de trabalhar com os Davids. Contudo, é necessário olhar a situação um pouco mais de perto para ter a real dimensão do plano. Para mim, ficou mais do que claro que as intenções de ambos nunca foram trabalhar em pé de igualdade com os Davids. Uma aliança de 3 Davids e 3 Goliaths era tão fake News quanto o kit gay. Calma, acho que exagerei. A ideia era usá-los quando necessário para eliminar os Goliaths que precisavam ser eliminados, principalmente Dan e Angelina. A estratégia não é de todo ruim e funcionava bem nas temporadas antigas. É simples, quem está no topo usa quem está no bottom esporadicamente para executar um blindside que coloca quem está no topo ainda mais no topo. “E o motivo todo mundo já conhece é que o de cima sobe e o de baixo agradece por não ter sido eliminado”.
Não estou dizendo que isso não funciona mais, mas Survivor evoluiu e muito e hoje isso é pouco demais para quem está no bottom. Na minha visão, hoje é necessário relações reais e que beneficiem os dois lados. No episódio da Swap, Alec disse que os Davids poderiam ser bons peões para eles e Kara concordou alegremente. Dois episódios depois, Alison disse que sua relação com Gabby poderia ajudá-la muito no futuro. Angelina se surpreendeu ao tentar usar Elizabeth em seu favor e se surpreendeu quando ela lutou por uma posição melhor. Agora consigo enxergar com clareza que a ideia nunca foi confiar nos Davids e esquecer a cor da Buff no primeiro dia do jogo, a ideia era favorecer apenas eles mesmos, o que dificilmente acontece no Survivor de hoje. É preciso mais do que isso. Uma relação mais equilibrada.
Alison e Alec, principalmente, se colocaram numa zona de conforto muito grande em que prometiam o céu e as estrelas para os Davids, mas escolhiam continuar com os Goliaths, com a serenidade no olhar de quem sabia que se uma reviravolta acontecesse a vítima entre os Goliaths seria Angelina ou Dan. Em dois episódios seguidos, eles prometeram uma coisa enquanto pretendiam eliminar Christian, alguém com quem eles haviam se aliado. Nem o corno mais manso é capaz de confiar depois destas consecutivas traições. A edição deu crédito para Nick, mas acho que todos os Davids perceberam com grande facilidade que o plano de dividir os votos entre Dan e Angelina era mais um disfarce para a eliminação de mais um David.
Por isso, achei muito interessante a ideia dos Davids (não foi Nick que decidiu isso, foi uma decisão em conjunto) de roubar o voto de Alison. Se eles iriam votar em Dan e anular o seu idol, teoricamente não havia motivos para não roubar logo o seu voto. Isto é até verdade, mas eu gostei muito do que os Davids fizeram ao roubar o voto de quem até então estava se sentido muito segura e confiante.
Desde a Swap, os Davids em todas as tribos tiveram que lutar constantemente para manter as suas chamas acesas. Enquanto isso Alec, Alison e Mike ficaram apenas escolhendo se teriam misericórdia ou não dos pobres Davids. Para quem estava na minoria era essencial construir novas relações para mudar o roteiro do jogo, mas mudar o roteiro do jogo nunca foi a intenção dos Goliaths. Eles estavam apenas construindo novas relações para derrotar com mais facilidade grandes ameaças como Angelina e Dan.

Ao roubar o voto de Alison, os Davids deram um recado em claro e bom som para Alison, Alec, Kara e Mike. Chegou a hora deles entenderem que eles precisam da confiança dos Davids não para só tirar vantagem, mas para permanecer no jogo. Os idols e vantagens dos Davids não estão direcionados apenas a Dan, Angelina e John, mas a todo mundo que não aspira confiança. Gostei de ver Alison com o cu na mão e acho que foi um recado muito bem dado. Se Alec confia no Nick e não na Angelina, chegou a hora de votar com com ele ou vai ser Alec que vai sair e não Angelina. Se Alison confia na Gabby e não no Dan, chegou a hora de votar com ela ou a médica será a próxima.
Os Davids podem até ter abalado a confiança que Alison teria neles ao ter o voto roubado, o que dificultaria seu flip no próximo Tribal Council, mas ela já não vinha votando com eles de qualquer jeito mesmo. Sem dizer que os números agora estão empatados. A gente não sabe o que vai acontecer, mas não precisa pensar muito para chegar à conclusão que os Davids são muito mais fortes no sentido de irem para as pedras um pelo outro do que os Goliath. Nunca que Angelina vai para as pedras por alguém que acabou de votar nela. E mesmo Alison, Kara, Mike e Alec não parecem dispostos a arriscar sua vida no jogo uns pelos outros e muito menos por Angelina.
O jogo virou. Agora são os Davids que devem escolher até quando vão permanecer juntos, mas como foi muito bem pontuado no Tribal Council esta escolha foi dos Goliaths. Os Davids estavam realmente dispostos a compor alianças entre as tribos, mas agora não têm muitos motivos para tal. Serem traídos e rejeitados pelos Goliaths fazem de Nick, Christian, Gabby, Davie e Carl um grupo difícil de se quebrar. Eles passaram pelos obstáculos mais difíceis juntos e não têm motivos para acreditar que David Vs. Goliath realmente terminou.
Para mim, ficou mais do que claro que Alison, Alec e Kara não seguiriam com o plano de dividir os votos entre Angelina e Dan e que Christian foi a escolha deles para sair. Também ficou claro que após o uso da vantagem de Nick, eles se olharam e confirmaram que precisavam mudar de estratégia. O barco estava partindo e os 3 Goliaths estavam ficando para trás. Assim, eles fingiram que a ideia era sim tirar Dan ou Angelina, mas duvido muito que tal estratégia tenha colado com os Davids, que estão sendo capazes de ler muito bem as intenções dos Goliaths. Too little too late.
Eu vou gostar muito se os Davids conseguirem fazer com Angelina o que as mulheres de Game Changers fizeram com Tai, usando os votos dos aliados contra ele como jeito de recrutá-lo para o lado majoritário. Com Angelina não votando num David, eles já teriam a maioria para tirar um Goliath atrás do outro. Entretanto, acho que talvez estejamos bem próximo da saída de uma das protagonistas da temporada. Para mim, será o oposto que vai acontecer. Os outros Goliaths finalmente concordaram em tirar a vilã mais maravilhosa das últimas temporadas. Na minha opinião, Angelina não escapa do próximo episódio, que será duplo. Acho que ela e Mike ou Alec devem ser os próximos a sair.
O Idol Nullifier e um Momento Histórico em Survivor

O Idol Nullifier nem era tão necessário para os Davids finalmente saírem do bottom, uma vez que para mim estava muito fácil desviar do idol de Dan. No caso deles não terem o Nullifier, eu no lugar dos Davids roubaria o voto de Kara, tentando induzir Dan a usar o seu idol para salvar Kara ou a si próprio, colocando os votos em alguém como Mike, que vem mostrando vontade nenhuma de sair do conforto dos Goliaths. Na minha opinião, tirar Dan nem seria tão urgente caso não existisse a chance dele continuar com o idol depois do Tribal Council. Afinal, como Kara equivocadamente deixou escapar, Dan e Angelina estavam no bottom da aliança Golliath. Assim, seria uma boa estratégia manter Dan e Angelina salvos e atacar diretamente um dos que estão se sentido mais seguros.
Entretanto, usar o Nullifier e eliminar Dan era a maneira mais precisa de ter certeza que o idol não continuaria no jogo após o Tribal Council. Assim, acredito que os Davids também acertaram quanto a quem eliminar. Não é todo dia que se sabe quem tem um idol e que existe uma maneira de bloqueá-lo. Dessa forma, eu iria querer garantir o uso bem sucedido da mais nova vantagem de Survivor do que mantê-la em minhas mãos sem um motivo concreto.
O Nullifier é uma vantagem maravilhosa e que com certeza mudará a maneira como os participantes encaram o jogo. Contudo, o seu uso é bem difícil. É muito complicado fazê-lo dar certo. Não é toda hora que um jogador sabe precisamente quem tem um idol e quando vai usá-lo. O Nullifier é muito diferente do Super Idol de Australian Survivor, que também anulava um, idol mas que só era usado após alguém recorrer ao idol. No Survivor americano, tudo é bem mais complexo, bem mais arriscado e bem menos assertivo no sentido das chances da pessoa se beneficiar de um Nullifier. Entretanto, é compatível com o nível estratégico dos jogadores do Survivor americano de hoje.
Semana passada, tivemos um momento histórico de inovação estratégica, quando pela primeira vez os votos da minoria foram estrategicamente divididos, uma jogada de gênio e que se assemelha à maravilhosa jogada 3-2-1 de Cirie, Aras e Danielle em Exile Island. Algo que com certeza vai inspirar as próximas gerações de jogadores.

Já na semana seguinte, outro momento histórico aconteceu. Estou realmente muito surpreso que logo na sua primeira aparição o Idol Nullifier já deu certo, sendo usado da maneira correta e tendo Dan como a sua primeira vítima. Assim como Yau Man entrou para história como o primeiro a usar efetivamente o Idol eliminando alguém, Carl (e todos os Davids também) entrou para a história como o primeiro a usar o Nullifier. Por outro lado, Stacy foi a primeira vítima de um idol, enquanto Dan foi o primeiro a ser eliminado por um Nullifier.
O que ocorreu com Dan com certeza vai inspirar os próximos jogadores a não sair por aí contando sobre seus idols, afinal ninguém quer sair com a mesma cara de otário que ele saiu. Não adianta ele dizer que nunca imaginou que um Nullifier poderia existir ou argumentar que usou o idol de maneira correta, uma vez que sem Nullifier ele continuaria no jogo e Christian seria eliminado. A verdade é que o Nullifier só funcionou muito bem graças à falta de discrição do próprio Dan. Lembrando que se os Davids não tivessem o Nullifier com certeza Dan não seria o escolhido para a eliminação e sairia como tonto que desperdiçou dois idols em dois Tribal Councils seguidos.
Fico feliz que a Era dos Three Amigos, inaugurada por Malcolm em Caramoan, finalmente chegou ao fim. A estratégia consagrada por Malcolm, depois usada por Mike, em Worlds Apart, e Ben, em HHHH, de anunciar a existência de um idol para forçar uma aliança a si votar chegou ao seu fim. O Nullifier muda tudo. Não vai dar mais para dizer “Eu com certeza não sairei hoje porque tenho um idol”. Mais uma vez o jogo evoluiu e, na minha visão, da maneira certa. Gostei muito de como esta estratégia se construiu, mas acho que já deu. O Nullifier é uma ótima maneira de fazer o jogo ir para novos rumos, tirando os jogadores destas jogadas consagradas que servem como zona de conforto.
Por fim, tivemos mais um episódio incrível. A queda de Dan foi tudo que estava sendo prometido desde o primeiro episódio. Ele foi um jogador muito ruim, o que deu condições do Nullifier funcionar. Fez casal, não soube esconder seus idols, usou um errado e foi surpreendido por uma nova vantagem. Mesmo ele sendo este idiota que só faz a gente torcer pelo seu tombo, é inegável que Dan foi um ótimo personagem e contribuiu muito para que a temporada seja tão acima da média como vem sendo.
A Ursal está enviando vantagem aos Davids com dinheiro da Lei Rouanet

É verdade que após HHH, ficou muito fácil desconfiar de Survivor, uma vez que nesta temporada tudo leva a crer que a produção deu um empurrãozinho para manter o personagem que acreditava ter mais apelo com o público até o final do jogo. Eu mesmo sou um dos que mais duvida que a twist do fogo não foi criada para dar a HHH, uma temporada que estava longe de ser empolgante, um final que a CBS acreditava ser digno.
Contudo, nada leva a crer que houve algum tipo de manipulação para os Davids empatarem o jogo e mesmo assim a internet está lotada de teorias da conspiração. Em Cagayan, Jeff deu um prognóstico sobre o super idol que eu acho muito preciso. O público adora uma vantagem ou um idol especial, desde que ele caia nas mãos de um participante para quem ele torce.
É engraçado notar que só reclama (inclusive eu mesmo) do excesso de vantagens ou da falta de transparência da produção quem torce contra quem adquire tal vantagem. Não tem como não fazer uma auto crítica e repensar alguns pontos.
Nesta temporada, Dan achou 2 idols Vs. 2 idols encontrados pelos Davids, nada fora do normal. Quanto as vantagens, a primeira foi encontrada no episódio 4 por Carl em plena Exile Island. Mandar um David para o exílio só para dar um Nullifier para ele é mais prejudicial para a tribo, que ficou em minoria em todas as formações pós swap, do que benéfico. A vantagem adquirida por Nick, por sua vez, estava numa pista na cara de todo mundo em pleno banquete da merge e poderia ter sido encontrada por qualquer um. Desculpa, mas esse chororô está com muita cara de quem não sabe ver os favoritos perdendo.
É preciso ressaltar que os Davids só chegaram na situação que estão porque usaram muito bem tudo aquilo que conseguiram, enquanto os Goliaths tiveram 2 idols que não foram capazes de dar vantagem nenhuma à aliança. Vi inclusive gente dizendo “Os Goliaths não precisam de vantagens mijadas da produção. Se eles estavam na maioria é porque mereceram” na maior vibe meme da Barbie fascista, quando os Goliaths estavam na maioria muito por conta das derrotas nos challenges e da saída de Bi.
Ainda sustento a minha opinião de que as vantagens foram bem distribuídas ao longo dos episódios sem o menor excesso ou exagero. Acontece que todas elas que foram encontradas ao longo de 8 episódios e usadas apenas em 2. A produção quer um jogo frenético e como as vantagens mais flopam (vide Ghost Island) nada mais natural do que colocar algumas para, pelo menos uma vingar. Sem dizer que o Nullifier é uma vantagem ótima e o Vote Steal quase nunca deu certo, além de ser bem interessante também.
Outra reflexão importante é entender que tudo que a produção não queria é uma tribo Pagongando a outra, tanto que vem utilizando o mesmo formato que resultou numa merge em que os Voting Blocks persisitiram em Millennials Vs. Gen X. Assim, não é interesse da produção fazer os Davids ganharem. Acredito que eles preferem sim grandes personagens vencendo, mas tenho certeza que o que é mais buscado é uma temporada sem uma tribo dizimando a outra.
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Assim como Nick fez com Alison, Guto Cristino roubou a minha chance de dar a minha primeira nota máxima para um episódio com a review do episódio anterior. Contudo, David Vs. Goliath nunca decepciona e a minha primeira nota máxima veio agora.
Ranking Após “Breadth-First Search”:
1- Nick. Já vem sendo meu favorito há algum tempo, mas nos últimos episódios Nick simplesmente cravou seu nome na história de Survivor como um dos melhores jogadores ever. Para mim, continua sendo o grande favorito, mas mesmo que não ganhe já mostrou que é um grande jogador. Abaixo você pode ver uma cena deletada em que fica claro que Nick foi o responsável pela divisão dos votos entre John e Angelina. Genial. Acredito que esta cena deletada não entrou no episódio justamente porque a produção não quer transformar Nick num Goliath nos olhos do público. Neste episódio, junto com os Davids, ele percebeu que não dava para acreditar nos Goliaths. Nick se consolidou como um líder dos Davids e agora ele precisa manter o ótimo jogo para não ser o próximo grande alvo.
https://www.youtube.com/watch?v=YYQIkb1DQtM
2- Christian. Encontrou um idol e escapou mais uma vez da eliminação. O uso do Nullifier é algo muito bom para Christian. Não acho que ele estará em apuro nas próximas duas eliminações, mas vai chegar a hora que os Davids vão fazer o mesmo que os Goliaths, tentando eliminá-lo. Acredito que uma final Nick Vs. Christian poderia ser tão bem disputada quando Domenick Vs. Wendell. Não tenho certeza qual dos dois venceria.
3- Gabby. É definitivamente quem tem mais chances de chegar na final. Sabemos que ela é muito próxima de Christian, mas não está claro o quão próxima de Nick Gabby é.
4- Davie. Ri muito dele com a jaqueta do John. Você quer Angelina? Davie é um jogador muito bom. Alguém que parece ser autêntico e divertido. Usou o seu idol de maneira extraordinária e pode dar trabalho caso chegue na final.
5- Carl. Sabemos que Carl não tem chance de vencer, uma vez que ele não ganha muito espaço na edição. Em pleno episódio em que ele mudou a história de Survivor, Carl não ganhou nenhum confessional. Acho uma pena. Pode ser muito bem um finalista com zero votos.
6-Kara. Foi a melhor Goliath do episódio ao realmente estar disposta a eliminar Dan. Tê-lo no jogo poderia ser um benefício para Kara, uma vez que ele sempre poderia defendê-la com um idol, mas a maior chance é que ela fosse votada no lugar dele como aconteceu com John. Em termos de edição não dá para descartar uma vitória de Kara, mesmo que falte aquela pitada de confessionais compartilhando experiências pessoais. Em termos de jogo, acho Kara está entre ok e fraca. Ela vai propor um voto com os Davids e fala “Vamos votar em Dan e Angelina. Eles estão no bottom dos Goliath”. Kara, querida. Com esta informação, eu manteria os dois e tiraria alguém que não está no bottom.
7- Alec. Se eu fosse o Alec, logo após a eliminação de John, eu iria até Nick e comemoraria com ele o blindside, fazendo de conta que fez parte do blindside propositadamente, uma vez que foi Alec quem dividiu a informação necessária para que o idol fosse usado em benefício de Christian. Com a saída de Dan, Alec passa a ser a maior ameaça entre os Goliaths. Não sei se sua relação construída com Nick será capaz de salvá-lo.
8- Alison. Eu só canto para Alison e para os Goliaths: “Você desperdiçoooooou, o amor. Partiu e nunca mais ligou”. Como já disse anteriormente, gostei de vê-la pela primeira vez temendo pela sua permanência. Para de amarelar, mulher. Desse jeito, você nunca vai ser transferida pro Grey Sloan Memorial Hospital. Nick fez com Alison o que eu queria ter feito com os Bolsominions no dia da eleição. Ficou provado para ela e para seus aliados mais próximos que os Davids não precisam tanto dela quanto se imaginava. Fica a reflexão.
9- Mike. Ao votar em Lyrsa e em Elizabeth, Nick mais do que provou a sua lealdade. Quando chegou a hora de um Goliath sair, Mike se recusou a fazer o mesmo, provando que se tratava de uma via de mão única. Assim, Mike cavou a própria cova. Acho engraçado que Mike assuma que os Goliaths se odeiem e continue na aliança. Sabemos que ele não confia nada em Angelina, mas prefere ficar ao lado dela. Choices. Eu só ficaria numa aliança com pessoas que eu odeio se não houvesse outra opção. Casaya só tem uma e você não é nenhuma Cirie, Mike.
10- Angelina. Quero muito acreditar que Angelina continuará sua saga de sobrevivência. Já são quatro episódios seguidos em que Angelina recebe votos e tem grandes chances de sair, mas ela continua intacta. Bom para Survivor David Vs. Goliath, que não perde uma das suas melhores personagens.
Eu quando fiquei sabendo da twist da próxima temporada (Edge os Extinction):

Eu com os meus amigos comentando o que os bolsominions falam.

Eu precisando de um abraço depois de ver o trailer do Rei Leão:















