De Harlan Coben, a nova parceria da Netflix em conjunto com o Canal+, ganha destaque devido ao retorno de Michael C. Hall como protagonista de uma série após o hit Dexter. Em um thriller construído metodicamente, Safe narra a história de Tom Delaney (Hall) um médico recém-viúvo que ainda tenta manejar sua vida após o falecimento da esposa, Rachel (Katy Carmichael).
Em sua primeira grande empreitada após Dexter, Michael C. Hall volta a suas raízes – não esquecendo sua breve e mediana participação em The Crown (também da Netflix) – tendo o merecido espaço no drama que se assemelha a vibe de Doctor Foster (BBC One, também disponível na Netflix), cercado de mistérios e um problema familiar que desencadeia os segredos das pessoas mais próximas.
A aparente normalidade da família Delaney é uma fachada no condomínio em que residem e na cena do enterro de Rachel, um ano atrás, Tom tenta confortar a sua primogênita Jenny (Amy James-Kelly) e a evidente rejeição pelo pai é imediatamente constatada. A relação complicada entre eles deve ser uma dinâmica que ganhará muito destaque no decorrer da temporada, trataram de destacar a situação instantaneamente e seria tolice causar reboliço sem motivação.
A trama leva seu tempo para apresentar todos os personagens que compõe a vida, principalmente no condomínio, dos Delaney. Ao basear o senso de segurança de que a maioria das pessoas tem ao morar em um condomínio fechado, o enredo consegue explorar até onde essa sensação de segurança é válida; mesmo convivendo com pessoas de fora, o grande foco é o condomínio e a falsa sensação de segurança causada em seus moradores.
Jenny é pintada como a adolescente em luto, um tanto revoltada com o pai, no entanto não se atiram ao clichê de reduzir a personagem apenas a isso. É visível que Jenny tem mais fachadas do que estas, principalmente no breve diálogo carinhoso e protetor com sua irmã mais nova, Carrie (Isabelle Allen). Ao desaparecer depois de uma festa, Tom entra em desespero e acessa as mensagens do celular de Jenny, se deparando com algumas alarmantes.
Nas poucas horas em que Jenny está desaparecida, os associados a festa de Sia Marshall (Amy-Leigh Hickman) têm dificuldades em esclarecer os fatos, complicando ainda mais as coisas para Delaney. Em meio ao desaparecimento de Jenny, outros plots também começam a ser introduzidos na trama, como a possível conduta inapropriada da mãe do namorado de Jenny e o comportamento suspeito do amigo de Tom, Pete (Marc Warren).
Uma série depende muito de seu primeiro episódio, é inegável (tanto que para aprovação de uma série é necessário analisar um episódio piloto). Como primeiro episódio, Safe conseguiu cumprir a tarefa de lançar suas tramas, desenrolar o interesse pelo enredo e finalizar em um clima misterioso para que o telespectador desse chance ao menos para o próximo episódio, o que é essencial para séries produzidas para plataformas de streaming como a Netflix.
> WESTWORLD S02E04 | Comentários ao vivo com Carol Moreira, Michel Arouca e Mikannn!
#1. Pelo conjunto entregue até aqui, vale a pena dar chance a série por Michael C. Hall, com a expectativa de que a história será bem desenvolvida nos sete episódios restantes;
#2. A quantidade de segredos que introduziram na trama pode complicar um pouco a qualidade no decorrer dos episódios, porém se planejarem bem as soluções vai ser um determinante para o sucesso de Safe;
#3. Dificilmente Safe não valerá o tempo, entretanto não deve ser um drama marcante (exceto pelo retorno de Michael C. Hall como protagonista de série).














