Perigo, Will Robinson! fecha a primeira temporada de Perdidos no Espaço com um bom episódio, em uma temporada bem oscilante.
Perdidos no Espaço me conquistou com seu primeiro episódio, mas quase me perdeu entre o segundo e o sétimo. O motivo? A série não estava conseguindo me vender a família, o núcleo de sua produção, como algo crível ou digno de torcida. Como fã do gênero e também por ter me comprometido com a cobertura da série, fui até o final, esperando a todo momento considerável melhora. E ela até surgiu, pontualmente, em alguns períodos em que a série trabalhou bem seus personagens e conseguiu me vender a ideia do reboot de uma série da década de 60, mas com uma pegada mais madura. Com seu último episódio, Lost in Space me deixou ansioso por uma segunda temporada, onde finalmente a família Robinson estará, de fato, perdida no espaço.
Perigo, Will Robinson! é um episódio que funciona para construir expectativas e demonstrar que tudo o que vivemos ao lado dos Robinson funcionou como uma espécie de prólogo para o que a série se tornará no futuro. Mas e compensou a espera? De certa forma sim, a média final é positiva, mesmo que apenas um pouco acima da média.
Com Smith usando a força do robô e todas as Júpiter decolando para a Resolute, que convenientemente estava em órbita, mas sem ousar mandar um time de resgate para o planeta, a família Robinson se torna o bilhete de saída da vilã e seu novo assecla. Contudo, John e Don estão à deriva, no espaço, com pouco oxigênio e apenas uma chance de sinalizar seu paradeiro. E construindo tensão e um pouco de ação, Lost in Space se preparou para dar tchau para sua temporada de estreia, assim como alguns personagens e até mesmo uma galáxia.
Estruturalmente Danger, Will Robinson! é um episódio bem competente de ficção cientifica. Existe tensão, perigo e um objetivo bem claro, três na verdade. Precisamos sair do planeta, encontrar John e Don, para depois voltar para a Resolute. O problema é que no meio do caminho temos Smith e o recém “reformado” robô. E para a família conseguir manter-se unida, a série precisará criar o máximo de conflito dentro de um único episódio. E neste caso nós só temos a lucrar com o improvável, porém bem real azar dos Robinson.
Definitivamente a grande adição da série foi Parker Posey como Dra. Smith. Não apenas pela atriz, extremamente competente ao transformar sua personagem em alguém complexo, mas especialmente por devorar o cenário por onde passou. A inteligência e sagacidade da falsa terapeuta, aliada ao segurança particular em forma de robô, deixaram o episódio com o nível de tensão que um season finale precisava. Já o seu final, com Smith presa, mas com um resquício de confiança nascendo em Marueen, após o segundo lançamento do arpão, feito de Smith após concluir que seu destino na nave ou na Resolute dependiam dos pontos que ela conseguiria com a família, apenas coroaram a excelente condução da personagem desde o começo da série. Definitivamente o ponto mais forte de Perdidos no Espaço.
O que mais me incomodou, contudo, também estava aliado ao fator existencial de outros personagens, assim como a decisão de mantê-los presos em um planeta vendido como hostil, mas bem amigável – lembra da única tempestade ou do único ataque da fauna? O núcleo familiar, que deveria conduzir a série através de qualquer problema apresentado, não foi bom o suficiente. Desde a queda da Júpiter até parte do sexto e sétimo episódio, o relacionamento funcionou apenas dentro do grupo de “crianças”. Tanto que o roteiro precisou literalmente prender e isolar o casal duas vezes para força-los a lidar com seus problemas conjugais.
Permeada por vários flasbacks usados para passar a confiança e as informações que o presente não conseguia, Lost in Space pareceu perdida por um bom tempo, realmente. Por sorte a segunda metade conseguiu embeber o grupo Robinson em uma necessária dinâmica familiar, aproximando mãe e pai de seus filhos e construindo a base do que deverá ser explorado futuramente. Penny conseguiu se soltar da bolha de um relacionamento que não poderia dar certo. Judy avançou bastante enquanto personagem, apesar do relacionamento estranho com Don. Will migrou por dentro dos estágios de um quase amadurecimento, após tanto tempo negligenciado pelo pai. John e Maureen conseguiram conversar e concordar várias vezes. Então, o avanço existiu, mas o risco tomado pelo time criativo foi muito grande, já que este aspecto figura como o mais relevante para a produção, em todas as suas versões, quer seja na série da década de 60 ou no filme do final dos anos 90.
O último episódio também foi bem-sucedido ao entregar para Will a missão de salvar sua família. Inicialmente como alguém trazido através de alguma informação que a mãe liberou e que era confidencial, Will figurou como uma criança inteligente, mas sem muita fé em si mesmo. O período ao lado do robô foi essencial para moldar uma personalidade mais forte, assim como suas conversas com o pai. Mas não se engane, montar um memorial com 27 pedras não foi o que transformou Will em uma criança que pula para ação, foi o momento em que Judy quase morreu, assim como a coragem recém adquirida ao confrontar o robô e ter o amigo se sacrificando, mais uma vez, por sua segurança, que surtiram o efeito necessário.
Ter a família perdida, verdadeiramente, próxima ao planeta de origem do robô ou de seu criador, abre precedente para uma segunda temporada que carrega mais promessas do que a primeira. Ainda não sei ao certo se conseguiremos ver o que precisamos ou se os Robinson terminarão verdadeiramente perdidos, mas o papel de me deixar ansioso e querendo mais, funcionou. Como disse acima, o saldo final não foi o melhor, mas conseguiu sair positivo sim. Existiram bons momentos dentro desta primeira temporada, mesmo que também tenham existidos outros não tão fortes. A verdade é que Lost in Space foi efetiva em, pelo menos, me garantir que tudo o que não deu certo neste ano de estreia, já foi superado para o próximo.
















