Arrow prova com Collision Course que estragar personagens definitivamente virou sua praia.
Está sendo muito complicado acompanhar semana após semana a empreitada dos antigos companheiros de Oliver para se sentirem importantes e independentes. O sexto ano da série, mesmo com a história enrolada de Cayden James, estava caminhando bem até o momento que os roteiristas decidiram que iriam fazer a audiência odiar não um ou dois, mas três personagens que antes demonstravam um certo potencial.
Tratar de Dinah, Curtis e René não é tratar de confiança e necessidade de afirmação, como os três fazem questão de repetir em todo o frame que aparecem. Mas sim, é tratar de traição, infantilidade, hipocrisia, inconsequência. Tudo que não temos mais paciência para aturar nessa altura do campeonato do show. Arrow claramente caminha para o seu desfecho (mesmo que essa não seja a última temporada), e perder tempo dando destaque para o trio desgosto não é uma jogada muito inteligente.
Sempre fui um ferrenho defensor do Team Arrow e suas diversas formações, uma vez que é muito interessante ver Oliver comandando uma equipe – mesmo sendo em suas sequências solo que o Arqueiro consegue brilhar mais – tanto que, até umas semanas atrás, eu ainda clamava para que a equipe se reunisse novamente para ficarmos livres de toda essa ladainha. No entanto, o embate entre ambos os times alcançou um ponto tão crítico que tudo que desejo no momento é ver o time de novatos apagado da existência.
Collison Course teve um roteiro simples, mas que começou errado desde sua concepção, focando nos dois grandes problemas que a série tem no momento, os novatos e o delírio de Lance, que se elevou em tal ponto que por pouco não foi responsável por alguma morte.
Apesar de ser uma personagem promissora, a Sereia Negra foi utilizada aqui como mero recurso para se trabalhar esses arcos que tanto vêm fazendo a série decair. Por alguma razão não explicada, a vilã encontrou e sumiu com 70 milhões de dólares bem debaixo do nariz de Cayden, afinal, pela linha temporal da série, é impossível que ela tenha roubado o dinheiro após a morte do hacker, e com isso acabou virando um troféu a ser almejado pelos dois times. Oliver precisava do dinheiro de volta e Dinah e companhia buscavam o mérito de ser útil para a cidade de alguma forma, mas, acima de tudo, buscavam a cabeça de Laurel. Toda essa corrida transformou o episódio em um grande de jogo de gato e rato e que acabou entregando alguns dos momentos mais sofríveis da temporada até aqui.
O trio de novatos se criou através de todos os motivos errados possíveis, e, apesar de continuarem colaborando com o antigo time mesmo após a separação, nunca perderam uma oportunidade de jogar na cara de Oliver o quanto ele foi um péssimo líder e nunca os tratou como igual. O mesmo Oliver que livrou Dinah de um círculo de vingança (fato que ela esqueceu completamente antes de adentrar em um novo círculo), tirou René de uma vida de clandestinidade e miséria e até mesmo deu a Curtis a oportunidade que ele sempre queria, fazer algo pelo time que ultrapassasse o bunker do Arqueiro, mesmo essa não sendo sua vocação até hoje.
E como se já não bastasse jogar no lixo toda uma jornada ao lado do vigilante mais conhecido de Star City, o trio decide que não há linha que eles não possam cruzar. Desabilitar o chip implantado em Diggle apenas para descobrir o paradeiro de Laurel, não hesitando em nenhum momento para medir as sérias consequências que esse ato podia causar, foi a cereja de um bolo que já estava passando do ponto há muito tempo, e a ideia ter vindo de Curtis, que sempre pareceu mais sensato que os outros dois, torna tudo ainda pior. E o famigerado Sr.Incrível ainda se acha no direito de crescer para cima de Diggle e Felicity após René ter ido parar em um hospital pelo simples fato de achar que, de algum modo, podia vencer Oliver em um combate. Falta de aviso não foi.

O que espero agora é que o Cão Raivoso saia de cena (poderia até mesmo não retornar mais) e que a série pare de se concentrar tanto nesses personagens que já viram dias melhores, mas que hoje não passam de um grande asco no meio da narrativa.
E por falar em asco, tá mais do que na hora de nos vermos livres do arco Quentin e Sereia Negra, que também já foi sugado à exaustão. A loucura do policial, que chegou ao ponto de sequestrar a moça e cuidar dela com todo amor e carinho em uma cabana largada no meio do nada, acabou por quebrar de vez qualquer elo que os times ainda tinham e, por muito pouco, não terminou em algo pior.
A Sereia, por inúmeras vezes, já demonstrou que não está afim de redenção, porém, o fato da série bater tanto nessa tecla, dando uma atenção especial para o “drama” de Quentin, somado ainda com o breakdown dos novatos, me faz temer que essa redenção realmente venha, de um jeito ou de outro. Eu já nem sei pelo o que devo me descontentar mais.
Collision Course, contudo, se salva pela trama política do dinheiro desviado e na responsabilidade de Oliver em, como prefeito, lidar com uma questão tão sensível quanto essa. Prometer e não cumprir costuma ser, facilmente, o início de uma derrocada para qualquer político, e quando essas promessas colocam em jogo o futuro de toda uma cidade, o cenário tende a ficar ainda pior. Apesar de nem sempre conseguir trazer boas histórias para o Arqueiro Verde, são nos dilemas pessoais e profissionais de Oliver que a série mostra o quanto é madura e que precisa de apenas alguns empurrões para entrar nos eixos de vez.
Flechadas:
– Mesmo mal sendo citado no episódio, Ricardo Diaz ficou bem presente na trama, deixando claro que sua influência se enraíza por diversos setores da cidade, coisa que é digna de um verdadeiro grande criminoso. Agora ficamos sabendo que a promotoria também é corrupta e que em breve Oliver deve ser bombardeado com mais acusações. Seria o dinheiro desviado uma figura importante aqui?
– Apesar de Lance estar passando do ponto, é louvável ver o quanto o cara acredita em suas convicções, a ponto até mesmo de enfrentar uma irritada meta-humana. A atuação de Paul Blackthorne, aliás, se destaca fácil no elenco, mas Katie Cassidy também vem entregando um eficiente trabalho.
– Próximo episódio teremos o retorno de Roy e finalmente Thea voltará a ser destaque desde o fim da quarta temporada. Fazia tempo que Arrow não me deixava ansioso assim.














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