Good Intentions foi um daqueles episódios que tinha um objetivo a cumprir e o fez relativamente bem. Foi bom saber que, mesmo após ao hiato, o mesmo não deu preferência ao plot do universo paralelo; Em outras palavras, ele foi fiel ao objetivo traçado em “Devil’s Bargain”, que seria o de desvendar o feitiço para ir ao outro mundo e soube desenvolver bem a sequência de eventos que quer queira quer não, foi prometida ao público.
Como o episódio seguiu por duas frentes, decidi dividir a review ao meio, levando em conta o universo em que se passou cada parte:
1- Universo Paralelo (2.0):
Achei interessante a forma de como o episódio começou. Como Arcanjos são seres semi-onipotentes e semi-oniscientes, foi válido ver Miguel com a ajuda de Zachariah manipulando a realidade e usando o medo que Jack tem de perder ou de não poder salvar os irmãos. Mesmo o nefilim tendo evoluído, não se mostrando tão ingênuo quanto antes, principalmente ao descobrir que Castiel não era real, era indispensável para Miguel saber que ele ainda se preocupa com os amigos. Aí é que entra a serventia de Mary. Aliás, quanta conveniência Miguel deixar Jack na mesma cela que Mary hein? A sensação que tenho é que isso sempre passa despercebido pelos roteiristas.
Galera, é algo simples. Se você tem dois prisioneiros, pessoas de quem você não gosta, pessoas que farão de tudo para fugir, não há motivo nenhum para deixar os dois juntos, para que reúnam forças e consigam escapar (Asmodeus foi tão estúpido quanto, colocando Lúcifer numa cela vizinha a de Castiel. Paciência…). É certo que posteriormente, a própria Mary explicou que os dois haviam sido postos juntos para que Jack se tornasse mais maleável e portanto, estimulado a fazer o que Miguel queria. Mas isso não me convenceu. Por ser Arcanjo, Miguel sabia da relação que existe entre os irmãos e Jack e talvez soubesse até que o nefilim teria ido ao universo paralelo com a intenção de salvar a mãe dos rapazes. Ou seja, não precisava os dois ficarem juntos pois Jack já sabia quem Mary era. Só restava ao Arcanjo ameaçá-lo e pronto. Faltou senso de praticidade aí.
Algo que me deixou bastante insatisfeito foi ter que ser obrigado a ver a série (novamente) mostrar Miguel de forma tão superficial. O vilão tem potencial, mas tudo o que vemos ele fazer é dar ordens e demonstrar seus poderes, o que acaba tornando o personagem sem conteúdo algum, mal construído. Também não entendi porque Michael não tentou uma abordagem mais amigável com Jack. O mesmo poderia ter o enganando, fazendo-se de amigo e ter influenciando a abrir a fenda. E outra, por qual motivo esse cara quer guerra? Qual vantagem esse cara vai ter ao terminar de exterminar os humanos na Terra 2.0? Para que tanto afã em querer destruir a Terra onde residem os Winchesters? Daí fica difícil especular para saber o que levou o personagem a isso. Tinha ficado até satisfeito por saber que ele faria uma aparição, pois achei que veria ele sob um POV mais profundo, mas quebrei a cara novamente.

Melhor do que ver que Jack está de volta é saber que, desde o tempo em que estiveram juntos, Jack absorveu muito de Sam e Dean. Durante essa semana, o garoto mostrou que não teme o perigo e que está aqui para ajudar; Isso faz com que descartemos mais e mais a hipótese de Jack ir para o lado negro. Vê-lo acabando com Zachariah e destruindo os outros anjos? Para mim foi a melhor cena. Fiquei orgulhoso do cara e mais ainda por saber que em breve, Sam e Dean poderão contar com ele. Interessante também ver como SPN trata com afinco a meninice e serenidade do nefilim. Mesmo vivendo em outro mundo e numa época de guerra, o mesmo não se desprende de sua essência; imitando bichos com as mãos e divertindo as crianças. Sem dúvida, é uma das melhores adições à 13º temporada. Seria ótimo se decidissem mantê-lo no próximo ano.
Jack trazer para si a responsabilidade de matar Miguel é algo muito bom, hein? Nos faz pensar que, mesmo após algumas reviravoltas, os teams que compõem essa guerra iminente ficarão relativamente equilibrados: Os Winchesters, que contam com a ajuda de Mary, Jack, (talvez) Rowena e Castiel (esse último, enfim mostrando alguma serventia); Asmodeus com Ketch, o Arcanjo Gabriel e os demônios; Lúcifer com Anael e o restante dos anjos e por último, Miguel com Kevin e os anjos do universo paralelo. Contudo, acho que seria muito frustrante Jack acabar com Miguel agora. Para a série, seria bem mais emocionante se Miguel conseguisse ir para a Terra e que seu plot tivesse uma melhor desenvoltura por lá.

Talvez o universo paralelo não seja mostrado no próximo episódio, o que indica que Mary e Jack ficarão lá por mais um tempo. Preocupante, pois à medida que o tempo passa e esse plot não é resolvido, fica difícil argumentar em defesa da série. Já passamos da metade da temporada, portanto eu acho que o mais prudente seria resolver as pontas soltas (os sete pontos que comentei na review anterior) e não criar mais situações a serem solucionadas; o que claramente aconteceu em “Devil’s bargain”, que teve uma proposta boa, um ritmo melhor ainda, mas acabou abrindo mais um leque de possibilidades para a série do que se propondo a resolver o que já havia “prometido”. Decreto aqui que a aparição de Gabriel já tenha gerado conteúdo o suficiente para ser solvido por um ano na série.
Quanto à Mary, não tenho nada a acrescentar. O episódio serviu também para reforçar a minha indiferença sobre ela. Salve alguns detalhes, como a cumplicidade que ela pareceu ter para com Jack e do instinto maternal que ela pôs para fora quando o protegeu da explosão advinda dos anjos que vieram pegá-lo, confesso que ela poderá ser útil no futuro, influenciando Jack enquanto os irmãos não o podem fazer, mas ainda assim, sua participação na série me soa forçada.
2- Universo 1.0:
Foi muito bom escutar os Winchesters mencionarem a procura por Lúcifer. É muito comum em séries, principalmente após hiatos, percebemos algumas mudanças bruscas de roteiro de um episódio para o outro; Acho bastante válido ver como esse último se manteve fiel à proposta de “Devil´s Bargain”, ver também como um episódio puxa o outro, como não representam simples contextos isolados dentro de uma trama. E o episódio quer queira quer não, acabou cumprindo o que havia “anunciado”. A lista de ingredientes foi enfim traduzida e fiquei feliz por saber que não fizeram isso de forma tão óbvia. A única dúvida que ficou foi: Afinal, Asmodeus teve ou não conhecimento dos ingredientes do feitiço?
Os momentos de tensão e de agonia mostrados enquanto Donatello tentava decifrar o feitiço da tábua dos demônios me causaram pequenas náuseas. Me fez lembrar de alguns momentos que passo na universidade sempre que sou obrigado a estudar um conteúdo muito grande de uma disciplina em um tempo relativamente curto (risos). Nitidamente, o profeta passou por maus bocados e não é à toa que ele ficou biruta.
Mas que foi uma vitória, foi, pois diante de uma situação como essa, a série tinha duas escolhas a fazer: Dedicar semanas e semanas para a tradução do feitiço + procura dos ingredientes, o que não seria tão agradável… Ou resolver tudo de forma rápida e fácil demais, o que também não é bom. Na minha opinião, escolheram um meio termo bem bacana. Nem dificultaram nem facilitaram demais: Donatello após outra crise de ansiedade, enganando os irmãos; Dean e Castiel lutando contra Gog e Magog; a posterior sacada para descobrirem que o profeta estava mentindo. Foi uma sequência linear e bastante válida para mim. Resta saber como farão para conseguir o restante dos ingredientes.
Diante de um clima bem hostil e de prováveis guerras iminentes, vemos um Castiel diferente de todo e qualquer momento já visto em SPN. Após tantos momentos de inércia, o mesmo se expressou com mais vigor e determinação. Mesmo sem entender porque às vezes ele se mostra tão indefeso como na luta os irmãos feitos de areia, tive que tirar meu chapéu para ele, que fez por merecer e garantiu que o episódio dessa semana não passasse em branco, como já aconteceu com vários outros. Muito bom. Essa coragem, essa praticidade pode ser bem útil ao team Winchester. Melhor ainda seria se ele conseguisse recrutar alguns anjos que não aceitam Lúcifer como rei do céu. Isso sim seria bacana.

Só acho que o grupo (principalmente Dean) está confiante demais de que o feitiço fará com que eles vençam. Calma aí galera, o feitiço é só a primeira parte para que eles cheguem no universo paralelo. Mesmo longe, Miguel ainda está forte. Não sei o que eles teriam em mente que pudessem usar contra o Arcanjo. Resta esperar para saber. A expectativa que fica é que os Winchesters conseguirão pôr o feitiço em prática sim, mas por algum motivo, acho que eles acabarão parando no universo animado de Scooby-doo; Acho que assim, seria uma boa forma de manter a linearidade da temporada; Ou o que também pode acontecer é a série mostrar o episódio 16 como aquele filler raiz mesmo.
A postura dos irmãos Winchester não me pareceu nada fora do comum, tirando o fato que eles tiveram os holofotes justamente roubados por Castiel e Donatello. É outro ponto válido, pois há tempos que a série deixou de ser apenas sobre os irmãos; e curioso também observá-los sendo testados e tratados apenas como peças nesse tabuleiro que se tornou o enredo da série.
Diante dos fatos mencionados na crítica anterior, reafirmo que a série ainda tem muito para mostrar. O avanço desse episódio, mesmo que pequeno, foi conveniente. E queria aproveitar para dizer também que adoro esse clima de suspense, esse cheirinho de guerra que está por vir. Claro que não será nada do jeito que imaginamos pois a série já decepcionou em outros momentos, mas ainda assim a curiosidade em saber como SPN abordará o confronto entre team Winchester x team Asmodeus x team Lúcifer x team Miguel, será interessante. Cada um dos lados contando com um Arcanjo e os irmãos, contando com Jack. E vocês, o que acham?
Observações:
- Espuma do mar morto?! Caramba, esses roteiristas têm uma imaginação bem fértil para incorporar esses ingredientes de feitiços na série;
- Referências à Amara são sempre bem vindas! Podem mandar mais.















