For Good traz de volta todas as tramas que Supergirl havia esquecido – por um motivo.
A equipe por trás de Supergirl é muito boa em abandonar tramas entre uma temporada e outra. Da primeira para a segunda esquecemos praticamente tudo a respeito do relacionamento entre Kara e James. A presença de alienígenas, antes explanada como um segredo, ganhou um mundo novo e colorido, com o direito a bares e seres de outros planetas vivendo “abertamente” no planeta Terra. Da segunda para a terceira, Supergirl deixou de lado o Guardião, CADMUS, Jeremiah Danvers e Lillian Luthor. Em For Good, penúltimo episódio antes que Supergirl entre em um longo hiato e retorne só em Abril, praticamente todas as histórias abandonadas voltaram – com exceção de Jeremiah, que realmente desapareceu e não parece próximo de voltar.
E o resultado? Uma grande bagunça em um momento que a série deveria estar preocupada com outros problemas. Sim, temos nas mãos uma Destruidora de Mundos e mais duas na “geladeira”, mas também temos várias pequenas tramas que foram lançadas durante o início da temporada e o final de outras, para lidar, também. De tudo o que mencionei acima, porém, o Guardião é a menos interessante, independente da presença de outros elementos com maior apelo, como por exemplo, Lillian Luthor, interpretada pela maravilhosa Mary Alice Young Brenda Strong.
O que For Good faz, em seus quarenta minutos, é dedicar um momento especial para estes personagens, ora desaparecidos e sem grande peso para a série e ora relevantes. É um grandioso desafio de paciência, mas considerando que estas histórias existiam e precisavam de algum direcionamento, o episódio foi até competente. Problemas com o casal (mais sem química da série, depois de James e Kara), Lena Luthor e James, não soam como a parte mais aguardada entre um episódio e outro de Supergirl, mas dentro do possível, eles até que conseguiram uma motivação boa – apesar de estarem cada vez menos parecidos com um casal de verdade.
Colocar Lena como centro é definitivamente bem mais agradável do que ter um episódio inteiro centralizado no Guardião, um herói que ainda não funcionou e que, com sua ausência, apenas demonstrou quão irrelevante havia sido. O problema é que Supergirl, em sua inabilidade de descartar de uma vez por todas o “herói”, terminou prejudicando e muito seu segundo ano e consequentemente o terceiro. Acompanhamos por tanto tempo a história de James como um herói, que não vê-lo agindo desta maneira e nem ao menos ouvir alguma notícia a respeito do Guardião soa como um grandioso desrespeito ao personagem. E esta nem ao menos foi a primeira vez que isso aconteceu. Acho que Mehcad Brooks não é um ator fenomenal, mas merecia um tratamento melhor – e nós também.
Contudo, apesar de gostar muito da Lena, especialmente da atriz, Katie McGrath, também não consigo ver Supergirl oferecendo um tratamento melhor para ela. Ter sua mãe de volta e jogando várias verdades para a filha digerir foi muito bom, especialmente porque tudo ali é a mais pura verdade – bom, tirando a parte em que ela é má e precisa abraçar esse lado. Lena, que esteve à frente da LuthorCorp com a missão de fazer da empresa algo novo, longe do legado de seu irmão, Lex, desistiu de sua empreitada para se tornar uma nova Cat Grant. Para justificar a presença de Sam e também nos fazer acreditar em uma amizade entre ela, Kara, Lena e Alex, a série modificou a principal motivação de Lena, além de ter diminuído muito a relação de amizade entre ela e Kara, que foi o ponto mais alto da temporada passada – outro ponto que imagino que irão “consertar” na próxima temporada, assim como consertaram entre Kara e Alex neste.
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E o problema do núcleo da Lena vai muito além do relacionamento sem sal. Morgan Edge, que começou bem, também já está repetitivo. Para um antagonista tão ameaçador e poderoso ele realmente não consegue acertar uma. Toda a trama da matriarca Luthor tentando matar o homem que estava tentando matar a sua filha é ótima, especialmente por oferecer mais da relação conturbada entre Lena e Lillian, mas a série não lidou muito bem com essa história. O motivo? A insistência em inserir James.
Enquanto Alex tentava ajudar Sam, Kara fazia quase nada importante, além de salvar Lena e ajudar na luta contra Lillian, Supergirl mostrou que não é tão competente assim quando o quesito é amarrar suas pontas soltas. Na verdade a série opta por deixar as pontas soltas em uma gaveta, só para tentar encontrar um lugar melhor para elas no futuro. De certa maneira funciona, afinal, ninguém quer ser arrastado por histórias sem apelo e interesse por muito tempo, mas julgo que a melhor saída para um plot que não funciona e não oferece muito, é o esquecimento – sem possibilidade de retorno. Existem vários elementos em Supergirl que funcionam anualmente e episódio após episódio, mas também tantos outros que soam como um grande desperdício de tempo. Lena e James não funcionam como um casal. Morgan Edge teve seu momento, mas já não está oferecendo o que poderia. Kara e Mon-El continuam forçando possibilidades para que o casal volte a existir. E agora, o que será que Supergirl vai deixar de lado e o que ela vai insistir?
Easter eggs e outras informações:
– Lillian Luthor usou a Armadura Clássica do Lex Luthor, em sua versão maleta/drone. A armadura de batalha do Lex foi usada pelo vilão várias vezes em suas lutas contra o Superman e já havia aparecido antes, durante a segunda temporada, quando Lillian e Lena encontram o antigo armazém de Lex.
– Alex mencionou que trabalhou um tempo em Seattle, uma óbvia referência a Greys Anatomy, antigo trabalho da atriz, Chyler Leigh.















