Supergirl cria sua própria Liga Feminina em Fort Rozz.

Séries com protagonistas femininas estão cada vez mais comuns. Adaptações de histórias em quadrinhos com mulheres, porém, não são tão frequentes. Pior ainda, produções contendo super-heróis homens como protagonistas e com personagens mulheres, usualmente não fazem muita questão de oferecer um bom desenvolvimento para elas. Canário Negro, Nevasca, a lista é grande. Em um grande oceano, temos apenas duas heroínas saídas das páginas e com uma série própria, Supergirl e Jessica Jones. Exatamente por esse motivo um capítulo como Fort Rozz, que montou um time de heroínas e vilãs para cumprir uma missão fora do planeta, figura como um dos maiores acertos de Supergirl desde que estreou.

Em Fort Rozz, episódio que leva o nome da prisão que esteve bem presente durante a primeira temporada da série, o DEO consegue localizar uma prisioneira que pode ter informações a respeito de Reign. Interpretada por Sarah Douglas, a Ursa de Superman II, Jindah Kol Rozz, que deu o nome a prisão, ostenta o mesmo símbolo da destruidora de mundos. O problema é que o Forte Rozz foi lançado no espaço, pela Supergirl durante o season finale do primeiro ano da série e por causa desta ação da heroína, terminou orbitando uma estrela azul, que deixa Kara sem poderes e mata qualquer um que tenha o cromossomo Y, ou seja, mortal para homens.

Este pequeno empecilho garante uma ótima formação para a série, Supergirl, Imra, Psi e Livewire, um time bem improvável, mas que garantiu bons momentos. Com exceção de Imra, a Garota de Saturno, que continua com a personalidade mais básica e entediante possível, todas as outras personagens conseguiram ótimos momentos, que infelizmente culminaram na morte de Leslie. Contudo, a formação peca por não atingir os pontos necessários para se tornar memorável. Fort Rozz é um bom episódio, mas poderia ter sido bem melhor.

Um dos arcos que a série está lentamente desenvolvendo e mergulhando cada vez mais é o do confuso e quase inexistente triangulo composto por Kara, Imra e Mon-El. Até o momento não existiu nenhuma confirmação de problemas surgindo no horizonte para o casal, apesar de suspeitar que a visão criada por Psi tenha alguma conexão com Imra perdendo Mon-El para a Kara, mas a série faz questão de, a todo momento, colocar os três personagens se desculpando pela situação constrangedora que se encontram. Logo, faria sentido usar o tempo juntas para que Supergirl e Garota de Saturno pudessem trabalhar essas inseguranças. Mas a realidade não foi tão reveladora assim. Imra e Kara quase não dialogaram e ficaram boa parte do episódio separadas. Se por um lado é ótimo ver Livewire e Supergirl interagindo, por outro o potencial para aprofundar estas duas personagens nesse complexo relacionamento de amor, mágoas e viagens no tempo, não foi atingido com sucesso.

Supergirl 3x11: Fort Rozz
Supergirl 3×11: Fort Rozz

Apesar de ter sido um episódio obviamente restrito devido a questões orçamentárias, já que existem várias cenas de diálogo, poucas de ação e praticamente o mesmo cenário para quase todas as cenas, Fort Rozz não pareceu pequeno e soube explorar a limitação imposta por uma temporada de 22 episódios, em um gênero que demanda gastos com efeitos especiais em sua totalidade. Existiram, porém, cortes estranhos, especialmente durante a luta entre Leslie e as duas alienígenas que aparentemente controlavam uma névoa e nada mais. Nunca chegamos a ver o confronto e a cena corta abruptamente para Leslie se movendo para o exterior da nave com as duas vítimas. Não é algo que retire o valor do capítulo, mas fez com que um momento que poderia ter sido melhor, terminasse estranho. Também não conseguimos nenhum desfecho para a situação da nave da Legião atracada ao Forte, obviamente conseguiram escapar, mas e a prisão?

> LA CASA DE PAPEL (Série Netflix) Dica Imperdível!

O episódio também faz alguns desvios que até funcionam, mas não oferecem muito. Sam e Alex fazem uma boa dupla e foi engraçado ver a agente do DEO colocando pressão em uma pré-adolescente, mas poderíamos ter vivido bem sem essas cenas. Não me leve a mal, eu gosto de ter a Alex e a atriz funciona bem com qualquer outro tom, quer seja o mais duro ou o apaixonado, até mesmo como babá, mas acredito que esse tempo seria melhor aproveitado lá no Forte Rozz, com aquelas personagens em constante perigo e também com tanto para discutirem e aprofundar em seus complexos relacionamentos interpessoais.

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorThe Post – A Guerra Secreta: a imprensa a serviço da verdade
Próximo artigoA Louva-a-Deus, minissérie francesa para quem cansou de tramas previsíveis
supergirl-3x11-fort-rozzUm capítulo como Fort Rozz, que montou um time de heroínas e vilãs para cumprir uma missão fora do planeta, figura como um dos maiores acertos de Supergirl desde que estreou.