300 episódios: 13.500 minutos, 225 horas e mais ou menos 9.4 dias (ininterruptos, é claro). É a isso que se resume nossa experiência numérica com Grey’s Anatomy até hoje. É uma análise curiosa, apesar de fria. Apesar de não trazer a real ideia do que uma simples série de TV pode trazer para vida de todos aqueles que fazem questão de não deixar passar nenhum desses 9.4 dias, 225 horas, 13.500 minutos em forma de episódios. Esses não são apenas números. É a contagem de tempo que passamos no meio dessa montanha russa de emoções. Montanha russa que, aliás, é a grande metáfora dessa semana e da série como um todo.

“Nobody knows where they might end up. Nobody knows. Nobody knows where they might wake up. Nobody knows”.

E o refrão da mais icônica música da série não poderia resumir melhor de onde viemos e nossa falta total de noção do “para onde vamos”. Depois da estreia de Grey’s Anatomy, ninguém poderia saberia onde eles (e nós) estaríamos hoje. Essa é graça que a letra de Cosy In The Rockett nos traz depois de tanto tempo e de tantas emoções, num episódio que celebra a série, seus personagens e é, claro, seus fiéis fãs, de um jeito lindo e com sabor de saudade.

Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story é episódio emblemático e que pode até parecer simples, mas não é nem um pouco. Um trabalho de roteiro precioso, onde cada um dos detalhes mais importantes da história da série esteve presente de alguma forma: numa citação, numa foto, numa música, numa aparição surpresa… Sem dúvida, um episódio histórico, não somente pela incrível marca dos 300, mas por nos transportar com destreza por 14 anos de memórias maravilhosas.

Começamos com Meredith (pleníssima) num cenário que nos lembra de Derek. O ferry boat que tantas vezes vimos, aparece novamente, levando uma Meredith pensativa ao seu destino, que nesse caso podemos interpretar como o trabalho no Grey-Sloan Memorial junto da grande possibilidade de conquistar um Harper-Avery Award. Karev não está ali com ela por acaso. Os dois são os heróis da resistência de uma equipe de internos que nos presenteou com figuras como Cristina Yang, George O’Malley (eterno 007) e Izzie Stevens. Esse quinteto foi justamente festejado nesse roteiro de forma muito justa. Cada um deles nos deixou por um motivo qualquer em algum momento, mas não podemos ignorar que, até hoje, eles fazem parte dessa história, de um jeito ou de outro.

Grey’s Anatomy 14x07: Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story
Grey’s Anatomy 14×07: Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story

E como numa miragem – que aliás é o nome da montanha russa cujo carrinho se desprende para nos trazer as versões “baby” de Cristina, George e Izzie – estivemos com eles mais uma vez. Foi uma ideia muito bem executada. Conseguiram atores parecidos e que captaram em poucos diálogos e ações, a essência dos personagens. Baby George era a bondade, a doçura e a insegurança em pessoa. Praticamente amaldiçoado por acidentes. Baby Cristina estava ali mostrando que sabia de tudo e todos, cheia de ambições, não demonstrando a menor dificuldade de dizer isso diante de seus ídolos e diante da situação de perigo. O furo no abdome trouxe mais memórias sobre ela, capaz de saber todos os problemas médicos que teria em decorrência. Além disso, já havíamos visto isso antes em” In ‘Into You Like Train’”, episódio em que George e Cristina estão num acidente de trem e no qual um não pode ser removido sem que o outro seja prejudicado.

Baby Izzie… Seriously? Saudade de quando essa palavra era usada como vírgula em Grey’s Anatomy. Quando celebrávamos o cabelo perfeito de Derek, nosso McDreamy, e a sensualidade de Mark, nosso McSteamy. Vale dizer que Baby Izzie, ou melhor, a atriz que interpreta nossa doppleganger, foi a inspiração para Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story. Fiquei surpresa, confesso, mas inspiração é algo mágico e que pode aparecer em qualquer lugar e levar para qualquer destino. A showrunner da série, Krista Vernoff, comentou em seu Twitter que ao ver a atriz Eryn Rea no set (a moça era dublê de Ellen Pompeo) sentiu essa vibe “volta no tempo” e as coisas se desenvolveram daí.

Ainda sobre Baby Izzie: justíssima a reação de Karev. Trouxe de volta minha torcida pelo casal ao mesmo tempo em que me mostrou a evolução de Jo, com aquela serenidade no olhar de quem sabe que não tem nada a temer quando o assunto são os sentimentos de Karev. Derek, por sua vez, se fez presente nos cuidados de Amelia com seu paciente, que afinal, tinha um hematoma no cérebro e morreria sem o tal exame, exatamente como o irmão da personagem. Fiquei potassa com todo mundo duvidando de Amelia por causa do tumor, colocando em xeque a competência dela de forma completamente idiota. Derek também foi lembrado docemente por Zola, a maior cirurgiã mirim que você respeita e que, por mim, já pode fazer parte da equipe de internos e comandar a porra toda. Que criança mais maravilhosa! Queremos Zolinha fixa no elenco, por favor.

Mark Sloan não ficou de fora das homenagens e chorei copiosamente ao ouvir Arizona falar do jeito dele de encarar a vida, dos três sabores de sorvete… Mais ainda no close da foto dele com Callie, Arizona e Sofia nos braços. Saudades dele e LEXIE GREY! Meu Deus, que vontade dessa duplinha de novo em Grey’s Anatomy. JAMAIS aceitarei aquele acidente de avião totalmente. Inclusive, Zola cita também o medo de Meredith de voar, referência a Season Finale das Season Finales de Grey’s Anatomy. Tivemos muitos finais de temporada marcantes, mas nada irá superar esse.

No meio disso tudo Miranda Bailey reage fortemente à decisão de Warren de se arriscar numa nova profissão onde ele vai encontrar sim, a adrenalina que procura, mas também muitos perigos. No meio disso tudo também celebramos a maior personagem da série. Ela, que riu, chorou, sofreu, perdeu, apanhou e transformou tudo em algo positivo, mesmo quando nada parecia encaixar. Meredith Grey e sua jornada. Meredith Grey e a mulher que ela se tornou fazem esses 14 anos de Grey’s Anatomy valeram totalmente a pena. Essa personagem já passou por tantos altos e baixos. Já foi, inclusive, praticamente uma coadjuvante na série, mas foi nela que Grey’s encontrou seu começo e seu meio, pois aparentemente não estamos nem perto de um fim ainda.

Grey’s Anatomy 14x07: Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story
Grey’s Anatomy 14×07: Who Lives, Who Dies, Who Tells Your Story

Ellen Pompeo está de parabéns. Shonda Rhimes e a equipe também. Quando falamos de desenvolvimento de personagem, Meredith é um grande exemplo. Depois de tantos anos, ela carrega sua essência, mas sua história deixa cicatrizes e comportamentos e reações que vemos e podemos entender. Ela não é maniqueísta. Pelo contrário. Exala complexidade mais que qualquer outra figura da série. Por isso mesmo é que o discurso de Avery, aceitando aquela premiação em nome dela, foi um gatilho para as lágrimas de qualquer um rolarem soltas. Foram lindas palavras, intercaladas com a belíssima cena em que Meredith é ovacionada dentro de uma sala de cirurgia – seu lugar favorito no mundo – por família, amigos e… Ellis Grey.

De todas as lembranças, a que se fez mais presente. E uma das mais significativas. Meredith queria tanto o amor e a admiração dessa mãe. Isso impactou tanto sua vida pessoal e profissional. Ellis moveu Meredith em tantos sentidos e foi para ela uma benção e uma maldição em tantos momentos, que foi absolutamente impossível não se sentir tocado por aquela visão. É engraçado dizer que se esse fosse o episódio final de Grey’s Anatomy, o final teria sido perfeito. Mas temos muito mais pela frente, é claro.

Temos mais com DeLuca trazendo de volta o uso sexual das dependências do hospital. Impossível não rir de Richard comentando “espero que sejam só dois nessa sala”. Sexo com 3 internos seria uma evolução e tanto. Temos mais com Meredith e Karev retomando o espaço de descanso que vimos centenas de vezes para celebrar a conquista do Harper-Avery Award com Cristina ao telefone. Temos mais com Owen e Amelia, porque essa história não acabou, não. Temos mais com Avery e Maggie e mais com cada um desses personagens que nos transportam para outra realidade toda semana.

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Com 3 centenas de episódios nas costas, é claro que nem tudo são flores e que Grey’s Anatomy vacila também. É a montanha russa. Ninguém espera que o passeio seja sempre suave. Tem as subidas, as descidas, as curvas inesperadas e, às vezes ela pode sair dos trilhos, afinal de contas. E é isso que estamos comemorando hoje.

REVISÃO GERAL
Nota:
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