Nem só de Penny Dreadful vive o gênero do horror. Ou seja, nem só de roteiros maravilhosos baseados em personagens complexas, provindas de clássicos da Literatura. Que Vanessa Ives me perdoe, mas essa é a verdade. Isso porque o gênero do horror é tão rico e tem tantas possibilidades em si que quando desvia de alguns padrões, as pessoas acham que há uma revolução ali. Isso talvez explique o bizarro uso do termo pós-horror, mas deixemos a história de lado. O que estou tentando dizer é que há muitas camadas e categorias para o sobrenatural e nem todas se associam às questões que estamos acostumados. Algumas produções, na verdade, ficam com o básico para daí conversar com o público de forma mais direta e sem muita pretensão, mas nem por isso menos eficaz.

Stan Against Evil está descrita no parágrafo anterior. Ela vai contra o que estamos acostumados não só porque não se leva a sério, como porque é um horror utilizando elementos de comédia — algo que sempre pareceu estranho a alguns. Na série, entretanto, é justamente a consciência de seu absurdo que a faz funcionar. Assim como na série de Ash, fácil associação por conta do título, a tentativa de aprofundamento em qualquer direção só a tirariam de seu posto.

Stan Agains Evil
Stan Agains Evil

Stan Agains Evil fez sua primeira temporada com oito episódios de pouco mais de vinte minutos. Criada por Dana Gould, a estreia ocorreu em outubro do ano passado no canal a cabo IFC da AMC Networks. A equipe de roteiristas e diretores possuem alguns trabalhos, mas nada tão próximo ao gênero ou que indique uma sólida experiência na televisão. Isso pode ser conferido em alguns momentos, mas nada que comprometa muito a produção, principalmente porque o estilo amador e independente a beneficiam.

O Stan do título, talvez essencial para saber se você vai ou não gostar do seriado, é interpretado pelo ator John C. McGinley (de Scrubs), também um dos produtores. Ao lado dele, temos Janet Varney (You’re the Worst) interpretando Evie Barret, a nova xerife da cidade. Os dois são acompanhados por Denise Miller (Deborah Baker Jr), filha do protagonista. Cada episódio traz um conflito particular e lida com questões como bruxaria e possessões. A principal intenção do roteiro é justamente trazer esses aspectos e temas para seu enredo para que possa debochar deles.

Stan Agains Evil
Stan Agains Evil

O roteiro rápido de Stan Agains Evil (e pouco elaborado) apresenta Stan como um policial que tem um surto depois da morte da esposa, e por isso é afastado do cargo. Quem o substitui é Janet, que, chegando à cidade, ignora a maldição do cargo que ocupa e os mistérios do local. Não perdendo muito tempo naquele jogo de acreditar ou não acreditar, a narrativa combina a jornada dos dois e os faz trabalharem juntos para solucionar os desafios que envolvem o sobrenatural.

Há uma exploração consciente de características presentes em filmes trashs, como o uso da estética do grotesco, o abuso de sangue e cenas gráficas que envolvem decapitação, por exemplo. Sem transparecer que há um estudo de personalidade de suas personagens, mesmo assim, o roteiro consegue deixá-las cativantes, o que influencia a nossa indulgência para episódios bizarros, como o que envolve um bode que se transforma em um demônio.

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Além da citada história envolvendo o bode, que é trazido à casa pela filha de Stan no segundo episódio (Know, Know, Know Your Goat), temos episódios que retratam as personagens envelhecendo (mais rápido do que o normal) enquanto se apaixonam, igrejas habitadas por padres possuídos, flores que trazem horrores sobrenaturais ao desabrocharem e um episódio no qual a xerife fica revivendo a mesma realidade diversas vezes, tudo no tom cômico que a série se propõe, que se não é sempre engraçado, não deixa de ser divertido.

Stan Agains Evil
Stan Agains Evil

Mesmo com uma recepção morna da crítica, Stan Against Evil conseguiu reunir uma base de fãs considerável que lhe garantiu a renovação para a segunda temporada,  que estreia daqui a pouco, no comecinho de novembro. A dica fica para os fãs de Ash Vs Evil Dead, mesmo que a série da IFC seja uma versão mais pobrezinha em diversos sentidos. É um bom complemento à watchlist que pretende observar o horror em seus mais diversos aspectos.

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Este post faz parte do segundo ano do #MêsDoHorror no Série Maníacos. O objetivo é falar, durante o mês de outubro, sobre séries de horror e mistério (ou que esbarram nesses dois gêneros) que não tiveram textos durante o ano — contemplado entre outubro de 2016 e setembro de 2017.

REVISÃO GERAL
Nota:
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Welson Oliveira
Ator e escritor. Fascinado por horror, literatura brasileira e conteúdo televisivo.
critica-stan-agains-evil-trashHá uma exploração consciente de características presentes em filmes trashs, como o uso da estética do grotesco, o abuso de sangue e cenas gráficas que envolvem decapitação, por exemplo. Sem transparecer que há um estudo de personalidade de suas personagens, mesmo assim, o roteiro consegue deixá-las cativantes, o que influencia a nossa indulgência para episódios bizarros, como o que envolve um bode que se transforma em um demônio.