Lá vamos nós para o décimo quarto ano nesta jornada com Grey’s Anatomy, na esperança de que as coisas sejam melhores e com mais significado do que no último ano, pelo menos. Começamos em dose dupla. Uma jogada arriscada e que parece típica daquele professor da escola ou da faculdade que acha que, em plena semana de provas, temos somente a matéria dele para estudar. Pô, Shonda. Pô, ABC. Estamos no início da Fall Season. Tem mil coisas para ver, sabem… E esses dois episódios não são bons o suficiente para justificara dobradinha.

Notem bem: não estou afirmando que foram episódios ruins. Só não foram espetacularmente interessantes. São dois episódios medianos, que lembram mais um miolo de temporada do que uma Season Premiere, mas cumprem sua função de jogar no nosso colo os “novos rumos” da série, que não são tão novos assim também. Não vão fugir muito de novos internos chegando e causando confusão, dilemas amorosos que já prevíamos no ano passado, empoderamento feminino (pode botar mais que a gente gosta, inclusive) e assim por diante.

O saldo positivo disso tudo, aliás, fica com as novas integrantes da ala feminina: Megan Hunt, Teddy Altman e Carina DeLuca. Essa última não sei se dura muito tempo na série. Tenho a sensação de que é uma dessas personagens descartáveis, mas se for para falar de orgasmo feminino e oferecer um cardápio de brinquedos sexuais logo de cara, já é muito bem-vinda. Agora vamos falar dos detalhes desses episódios, que é para isso que estamos aqui.

Já no final da 13ª temporada, sabíamos que Megan Hunt seria o grande atrativo do ano seguinte. A personagem é divertida, inteligente, traz diálogos rápidos, irônicos e a atriz conquista a gente bem rápido no papel. Além de vir com um caso médico desafiador (como viver com a barriga estourada daquele jeito, me digam?), ela agita várias coisas no entorno, desde a lenga-lenga Meredith/Nathan, até a insuportável relação Owen/Amelia.

Honestamente, meu maior desejo era que as coisas mudassem mais radicalmente nesse sentido e explico em seguida porque acho que NADA VAI SAIR DO QUADRADO EM QUE JÁ ESTÁ. Meredith, maravilhosa, olha bem para a cara de Nathan e diz: vai lá e fica com a Megan, migo.  Nathan vai e a gente logo pensa que ele combina com Megan e vai ser bem mais legal isso do que ele e Meredith. Daí o que fazem no final de tudo? Megan não aceita o pedido de casamento dele e fala: migo, vai lá e fica com a Meredita. WHY? Foi ridículo em níveis que mal posso descrever. Não sei o motivo pelo qual ninguém da equipe Shondaland nota que não existe SEQUER, química entre os atores e que ninguém consegue apostar num romance de Meredith e Riggs. Demos a volta e ficamos na estaca zero. E com Owen e Amelia acontece o mesmo.

Grey’s Anatomy 14x01/02: Break Down The House/Get Off on The Pain [Season Premiere]
Grey’s Anatomy 14×01/02: Break Down The House/Get Off on The Pain [Season Premiere]
Amelia só pensa em operar o rapaz com tumor na mandíbula, mas Owen vive momentos dramáticos, já que Megan passa por diversas cirurgias e ainda temos a questão do filho dela que não pode entrar no país. Esse homem está num turbilhão de emoções e cadê Amelia dando apoio? Não tem. Está ocupada sendo quem ela sempre foi. Mas, plot twist podríssimo para nos dar uma desculpinha: Amelia tem um tumor no cérebro. Querem justificar que é isso que a deixa estranha, mas ela não está estranha, não, Brasil. A personagem é isso desde sempre. E lá vem mais uma desgraça para ela jogar na nossa cara e querer tirar a medalha do sofrimento das mãos de Meredith. Agora, se for inoperável eu super apoio esse tumor, viu? Vão matar Amelia? EXCELENTE. Já pode ser semana que vem? Agora, vocês acham que Owen vai fazer o que? Vai ficar lá, sendo o bom marido e apoiando Amelia nesse momento e não saímos da mesma situação tranqueira em que já estamos. Socorro!

Sobre o retorno de Teddy, entendo que muita gente vibrou com isso, eu só não entendo muito o motivo. Ao mesmo tempo, quero ver o que ela acrescentará nas nossas vidas, porque pelo menos tensão ela trouxe, com seus momentos de honestidade brutal e ética. Vamos acompanhar. Carina, como já disse, parece uma adição no bom humor, seja mexendo na libido de Arizona (que descobre o que é ser Ghosted), seja brigando em italiano com o irmão, Andrew DeLuca, ou fazendo sessões de masturbação no MRI.

Aproveitando o tema novos personagens, o time de internos que Richard vai enfrentar parece muito assustador. Uma leve crítica aos millenials e a mania de não sair do celular. Pelo menos rimos com os gritos de terror diante de sangue e com óculos caindo dentro de pacientes em plena cirurgia. Logo de cara nenhum deles parece interessante o bastante para fazer parte da série, então vamos ver no que dá. Ah, e aquele que transa com Jo não é bacana também, não, só serve de alívio cômico e de escada para nossa nova Stephanie, também conhecida como Ben Warren e para Karev. E boa coisa que esse lance de Jo e Karev foi resolvido, senão seria mais uma lenga-lenga amorosa se repetindo. Ainda sobre Jo, vejo breve melhora na personagem. Que invistam nela de verdade a partir de agora.

Parece também que Maggie e Jackson vão ser mais que dois esquisitos. Talvez ainda leve um tempo, porque temos o fator Kepner no jogo, mas aposto com força. É o único casal que pode ser potencialmente interessante.

E não podemos esquecer de Bailey. Ela fez mais do que fiscalizar reforma e comparar om uma cirurgia em ação. Essa mulher nos trouxe o plot do crocs, talvez o mais importante desses dois episódios. Não estou brincando. Com uma coisa aparentemente boba, ganhamos uma mensagem sobre o real empoderamento feminino, isso porque Bailey, chefe do hospital, independente e dona de si, sentia-se curvada diante de uma convenção social, de uma obrigação puramente estética, que para ela era torturante. O salto alto é só uma alegoria para a questão e ela se liberta (e liberta outras personagens em diversos momentos dos episódios) para ser quem é, sem medo do que outros podem pensar. Bailey não é menos mulher, nem menos chefe, nem menos dona da porra toda por não usar aquele salto alto.

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Ela pode ser tudo isso usando seu crocs, seu par de tênis ou estando descalça, inclusive. E essa colocação não é contra sapatos ou contra qualquer item especifico. É sobre liberdade de escolha e sobre não se curvar ao que a sociedade acha que uma mulher deve ser ou parecer ou agir ou vestir. Se alguma coisa realmente valeu nosso tempo com essa estreia dupla, foi essa, com certeza.

REVISÃO GERAL
Nota:
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