A edição fabrica vencedores ou vencedores fabricam edição no Masterchef Brasil?

Chegou ao fim a quarta temporada do provável melhor reality nacional da atualidade. Durante a estreia, a promessa era de novidade e inovação, e de certa forma, a temporada surpreendeu ao ter boas provas e bons participantes. Além disso, o que eu mais temia ainda não aconteceu: o degaste. A cada episódio, apesar dos defeitos que já vimos desde a primeira temporada, eu não me cansei de absolutamente nada e por isso, eu já digo de cara que esse quarto ano encerrou com um saldo positivo.

As polêmicas em torno da pessoa que venceu existiram e sobre isso, talvez seja o meu maior comentário negativo, mas vamos com calma porque tenho uma temporada inteira para comentar e deixarei isso para o final.

O que ficou notável foi que de tanto reclamar sobre o horário que é exibido e da enrolação, os produtores tomaram uma medida bem simples e que deu certo: Ligou o fodas! Você acha ruim que o programa passa muito tarde? Pois meus anunciantes não, então assista no Youtube no dia seguinte e não me ache o saco! Foi arrogante, mas funcionou! Em pouquíssimas horas os episódios já estavam na internet e os números referentes as visualizações eram monstruosos! Em um dia, cada parte do episódio já tinha mais de 1 milhão de acessos (aprende Globo que fica amarrando as apresentações do The Voice) e por isso, não há dúvidas que Masterchef foi sucesso na televisão e na internet. Ponto para a produção.

Outra mudança foi a fase de seleção, eu adorei muito aquela etapa super copiada do The Voice. Na temporada passada, a produção teve a péssima ideia de colocar 21 participantes de uma vez só para a temporada poder durar uma eternidade e até metade do programa, eu ainda não sabia o nome de todo mundo. Já que não estavam dispostos a diminuir essa quantidade, então, ao menos, permitiram que a gente os conheça pelo menos. Essa fase, além de ter sido muito mais emocionante, permitiu que a gente conheça cada um dos competidores desse ano a medida que eles foram classificados. Mais um ponto positivo.

Masterchef Brasil - 4ª Temporada
Masterchef Brasil – 4ª Temporada

Aproveitando para falar no cast, em mais um aspecto, essa temporada superou a terceira: eles eram muito mais carismáticos, mais engraçados e mais divertidos de acompanhar. Isso também deu margem para edição fazer o que quiser com eles, ela teve um trabalho muito mais fácil de transformá-los em personagens caricatos do que ano passado, que fazia de tudo para forçar uma rivalidade entre Bruna e Raquel que nunca existiu.

Enquanto ano passado, para mim só existia essas duas, e achava todo o resto sem graça, inclusive o vencedor, esse ano tivemos vários participantes interessantes e que eu gostaria muito de ver em um All Star (existe Masterchef All Star?). Eu achava lindo quando Miriam escapava da eliminação e todo mundo ficava com cara de cú. Adorei Aderlize saindo putíssima porque os seus adversários receberam ajuda do mezanino, sendo que ela mesmo ajudou inúmeras vezes outras pessoas. Foi emocionante ver Victor B se superando ao ter que cozinhar com a mão machucada. Entre outros momentos marcantes…

Além de carisma, o nível também estava alto, depois da repescagem, que os avulsos saíram, todo episódio foi bem disputado. Foram raríssimos as cenas em que alguém fez uma merda grande e o resultado foi óbvio, nunca vi uma sequencia de episódios tão grande em que todo mundo mandava bem e a decisão deveria ser pelo menos pior. Isso elevou e muito o nível da competição, qualquer pessoa que chegou no top 10 poderia chegar até a final.

Vamos falar dos jurados, porém, creio que não há muito o que se exaltar aqui: eles continuam sendo incríveis. Eu achava que nunca ia encontrar uma banca melhor que a do Ídolos do SBT, mas esses três conseguem sempre me surpreender. Além do profissionalismo, competência e carisma, os três evitam ao máximo sempre dar os mesmos conselhos, eles sabem ser críticos e mesmo avaliando tantos pratos, eles sempre procuram acrescentar em algo. Em alguns momentos vi Paola atacada no começo do programa e foi até desnecessária com a Yuko em uma das primeiras provas, porém, isso acabou sendo irrelevante para o saldo extremamente positivo dos três. A Band está saturando cada vez mais o programa e também a imagem dos três, já que eles são o carro chefe e principais responsáveis pelo sucesso do reality, mas espero que isso não os faça pular fora em algum momento.

Masterchef Brasil - 4ª Temporada
Masterchef Brasil – 4ª Temporada

A respeito das provas, o grande diferencial foram as em grupos. Eles tentaram inovar os cenários e as dinâmicas e tudo isso foi bastante positivo. Faço destaque para a prova dos refugiados e para a prova da pescaria. Como as provas em grupo permitem ousar no aspecto visual, já que apresenta gravações externas, a produção soube explorar o máximo esse recurso e foram os meus momentos favoritos. Por outro lado, confesso que achei muito repetitivo as provas de eliminação, visto que a maioria era em replicar algum prato tradicional da gastronomia francesa. Tudo bem que a França é um dos países com a gastronomia mais famosa e temos um dos nomes franceses mais renomados na banca de jurados, porém, esse tipo de prova não testava a criatividade dos participantes e os resultados não me surpreendiam muito. Contudo, não foi algo que chegou a me incomodar. Uma dinâmica que achei extremamente criativa foi a do leilão pelo tempo, gostaria de ver mais vezes.

Pronto, citei os pontos que eu queria enaltecer, agora vamos falar sobre o que me incomodou bastante: a narrativa. Eu fiquei muito incomodado sobre como a produção transformou os participantes em personagens e fez o público declarar sua torcida pelos perfis dele e não pela habilidade na cozinha. O pior ainda é que esse recurso foi usado na temporada passada e ao ver a temporada repetindo essa fórmula me desanimou um pouco, porque na metade do programa eu já sabia quem iria vencer e não era porque essa pessoa era disparada a melhor, mas porque estava óbvio tudo que a edição do programa planejava construir.

Michele era a favorita dos fãs desde que Victor B saiu no top 7, eu não gostava dela, morria de preguiça do drama que ela fazia em seus depoimentos ao falar que não sabia nada, mas na hora de cozinhar, acertava tudo. Achava Deborah uma competidora muito mais competente, mas eu sempre torço ao contrário do que a maioria mesmo, não ligo. Entretanto, não compartilho com que muitas pessoas que torciam pela Déborah falaram: Michele venceu porque é boazinha e deram o prêmio pra a favorita do prêmio. Eu discordo disso porque essa acusação significa questionar o profissionalismo e a credibilidade dos três jurados, o que eu não tenho o menor motivo para fazer isso. Sem contar que a final já estava gravada meses antes do público decidir quem é o seu favorito.

A situação foi totalmente o contrário. Michele não ganhou porque ela é bonzinha, a Michele ganhou uma edição de boazinha porque ela venceu. Para quem assiste Survivor, isso não é nenhum mistério: é a famosa a winner edition. Como o programa é editado, claro que ele pretende contar uma história e justificar os fatos que irão acontecer no futuro. O público precisa entender o porque tal fulano venceu o prêmio, o problema é que o Masterchef não usa esse artifício para justificar a escolha do vencedor, até porque o critério é simplesmente quem cozinhou o último prato e pronto, mas sim, para fazer o público gostar do vencedor. E isso me incomoda.

Vamos lembrar na temporada passada, os primeiros episódios eram todos focados em uma rivalidade da Bruna x Raquel, porque tudo indicava que essa seria a final, porém, quando gravaram a final, Leo se superou, cozinhou melhor que as duas e acabou derrubando as duas, a edição precisava se preparar para mostrar esse resultado. O Leo não podia continuar avulso igual nos primeiros episódios e a Bruna não poderia ter uma boa imagem perante ao público porque eles iriam questionar como um cozinheiro mediado venceu a recordista de vitórias da temporada. Dito e feito, Leo ganhou e o público simplesmente amou ver a megera perdendo e nem se importou com o fato de ela ter uma trajetória muito superior a ele. Deu certo e fizeram exatamente a mesma coisa esse ano.

E como Deborah era muito mais extrovertida e ela era um pouco venenosa mesmo, não vou colocá-la de vítima, o trabalho da edição era muito mais fácil. A cada comentário negativo que via de Déborah, eu conseguia enxergar a mesma situação da Bruna e já tinha absoluta certeza de que ela não iria vencer. Nem sei como alguém ainda perdeu tempo torcendo por ela. O meu favorito era o Valter e depois que a edição mostrou aquela risadinha quando a Miriam saiu, mostrou que ele não tinha a menor chances de ser o vencedor e aceitei que a vitória já estava mais do que definida naquele momento.

Essa edição extremamente focada em construir um vencedor que agrade o público em uma fórmula tão batida (porém ainda eficiente) é que quebrou todo o clima do que poderia ter a final mais emocionante de todas. Michele foi melhor na entrada, Deborah no prato principal, e foram equilibradas na sobremesa. As duas fizeram discursos excelentes, as duas estavam determinadas em vencer. Tudo isso para que? Para nada, porque eu já sabia quem iria vencer e não foi porque vazaram…

Masterchef Brasil - 4ª Temporada
Masterchef Brasil – 4ª Temporada

Não acho Michele uma vencedora ruim e em nenhum momento questiono sua vitória, até porque eu realmente acredito que na prova final, ela tenha sido melhor que Deborah mesmo, o que me incomodou foi a forma em que a edição construiu uma narrativa para a sua vitória.

Com isso, o padrão de vencedores segue o mesmo: Elisa, Izabel, Leonardo e Michele não eram nem de longe os melhores participantes, mas foram os que mais evoluíram ao longo da competição, começaram fracos e arrastado, mas chegaram no final, dispararam e se tornaram imbatíveis. Foram justos? Com certeza, não questiono nenhum deles, mas não vou falar que acho legal essa fórmula.

De qualquer forma, repito que o saldo dessa temporada foi totalmente positivo. Eu não acompanhei a versão com Profissionais ano passado para que eu não me canse dessa franquia e talvez por isso, eu tenha curtido muito esse ano. Justamente por isso, eu ainda estou pensando se eu a verei esse ano porque não quero que Masterchef se desgate tão cedo para mim.

> DEFENSORES VALE A PENA? (sem spoilers) | SM Play #65

Foi uma pena não ter feito a cobertura dessa temporada e a pessoa que ficou de substituir também não conseguiu, porque ao ver os episódios, eu realmente tinha vontade de escrever sobre, mas meus compromissos não me permitiram. O que importa é que estou de volta e na quinta temporada estarei aqui.

Hora de Empratar no Masterchef Brasil:

  • Não posso deixar de elogiar a abertura, sem dúvidas a melhor até agora!
  • Depois da prova com a participação dos 3 vencedores, ficou bem claro que o Leo é o pior vencedor até agora. Izabel e Elisa o humilharam ao falar sobre suas carreiras e isso não é porque ele foi o último vencedor, porque Elisa com um ano, já estava arrasando na França.
  • Momento fútil: impressão minha ou essa temporada teve o cast mais bonito de todos?
  • Band, já que você quer emendar um Masterchef no outro, segue a dica para tapar buraco entre as edições: Masterchef – Second Chances. Imagina as rivalidades entre os personagens parecidos entre Cecilia x Raquel, Bruna x Deborah, Mohamed x Raul, Jiang x Yuko?
  • Alguém tem memes da Carolina nessa final? A empolgação dela durante toda a prova final é exatamente minha reação ao ver Carelli gastando vaga da Fazenda Nova Chance com Matheus do BBB16 e Adriana Bombom.
  • Falando em A Fazenda, espero todos vocês aqui para a estreia da nova temporada!
REVISÃO GERAL
Nota:
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