Tentação. Este é o tema da temporada do Big Brother US. Um conceito interessante para ser aplicado em um jogo onde cada passo errado pode custar quinhentos mil dólares e as escolhas sempre têm consequências. Preparem-se para um verão cheio de reviravoltas e esperem o inesperado.
But first. Todo começo de temporada é a mesma coisa, um grupo de participantes altamente excitados sendo comunicados da maneira mais falsa possível que vão entrar no programa. Já neste primeiro momento, ficou claro que a produção caprichou na escolha do elenco. Muitas pessoas com cara de doidas e com potencial pra muito barraco e boas doses de jogo.
Alguns nos ganham com um misto de carisma e loucura, como a dançarina Raven, o cosplayer Ramses, a representante de marketing Alex e engenheira nuclear J’Tia Dominique, outros já despertam aquela vontade de mandar de volta pro lugar de onde tenham saído, como o palhaço Jason e o vendedor Josh. Alguns são só estranhos, como o “pai” Kevin, e a maioria deles vamos descobrindo durante o decorrer da temporada. Menos Christmas, amamos Christmas. Piadas infinitas sempre.
Mas Big Brother não seria Big Brother sem alguns twists, não é? O conceito de girar a temporada em torno de tentações foi uma boa ideia da produção, pois não temos um twist definida, que engessa o jogo. Qualquer coisa pode ser usada como tentação e afetar o andamento da competição.
A primeira tentação já chegou se mostrando excelente. A ideia de fazer um deles aceitar 25 mil dólares sem que ninguém saiba quem foi planta imediatamente uma sementinha de desconfiança no meio do grupo e pode ser usada como arma a qualquer momento para influenciar na votação. Qualquer um pode dizer que sabe que fulano ou ciclano ganhou o prêmio e tentar torná-lo um alvo e isso pode não funcionar ou pode. Enfim, as possibilidades são muitas com algo realmente bem simples.
Mas aí veio consequência da primeira tentação: Paul voltou. Todo mundo adora uma temporada com retornantes, mas acho que dessa vez a ideia não foi das melhores. Primeiro porque trazer apenas um único retornante e jogá-lo no meio de dezesseis novatos pode não gerar muito efeito e ele ser eliminado muito cedo no jogo, tornando a twist ineficaz. Segundo, porque de todas as opções disponíveis trouxeram logo Paul, que, além de ser um excelente jogador, é um personagem muito recente do programa, o que aumenta ainda mais o alvo em suas costas. Ele perdeu a temporada passada por um mísero voto, pelo amor de Deus. O que não dá para criticar é a ideia de que para Paul entrar, alguém tem que sair. Colocar a todos sob ameaça no primeiro dia sempre é bom.
Para tentar remediar a situação, vem a segunda tentação: Paul pode salvar metade da casa. Isso dá a ele a chance de ganhar a confiança dos novatos e ter um ponto de partida para tentar se salvar através de seu jogo social. Já nesse ponto, é possível observar melhor algumas coisas. Primeiro, Cody, o vendedor que faz cosplay de Rambo e não sabe o que é cosplay, mostra zero interesse de puxar o saco de Paul, o que meio que entrega sua inabilidade de fazer um bom jogo social. A maioria das tentativas de ganhar a confiança de Paul são bem aleatórias, mas Josh, que até ali se mostrou um chato dos grandes, revelou que pensa bem mais a frente de deixou claro que entenderia se Paul não o salvasse, deixando clara a intenção de uma aliança ali. A gente não gosta de chatos, mas chatos que jogam são legais.
Com metade da casa salva, hora de uma competição para salvar metade e botar alguns neurônios para fritar. Adorei muito a prova misto de resistência com raciocínio. Os challenge beasts, claro, mostraram que não tão pra brincadeira e Alex surpreendeu ao ir tão longe (e chamou a atenção para si. É DIA UM, SEJEM MENAS). Outro que vinha aparecendo em pequenas doses era o microbiologista Cameron, que ganhou o selo de burro da semana ao ignorar as dicas de Julie e antes, quando agiu de maneira mais que suspeita ao comentar os 25 mil da primeira tentação. Se você não fez nada, não fique repetindo que não fez a cada cinco minutos. Isso é suspeito.
No fim, Cameron, Jillian (que só apareceu agora mesmo e tava meio avulsa mesmo e continua assim) e Natal sobraram e ainda corriam risco de eliminação. E daí tome mais uma ótima twist. A ideia de deixar os três decidirem como seria a eliminação também é simples mais muito boa, pois mostra um pouco da estratégia de cada um. Jillian, que tá avulsa, sabe que não vão votar nela mesmo, então escolhe ir pro voto. Cameron, que entrou com um discurso de ser o nerd com chances de ir bem em provas por ser ativo fisicamente, escolheu a prova. E então temos Natal, que, crossfiteira como ela é, preferiu se arriscar no voto, tentando não se arriscar a ser vista como challenge beast, porém se arriscando, já que o simples fato de se assumir como crossfiteira já é um alvo enorme nela.
Se analisarmos com calma o resultado desta votação era mais importante do que escolher o primeiro eliminado, já que, com Paul entrando no jogo, se uma mulher saísse, teríamos um desequilíbrio, abrindo as portas para uma improvável (mas não impossível) aliança masculina dominando o jogo. Coincidência ou não, todas as mulheres votaram em Cameron, enquanto os homens não se mostraram tão alinhados (talvez uma aliança masculina não seja tão possível assim no fim das contas). No fim saiu alguém com algum potencial, mas Cameron já tinha deixado claro que não tinha muitas chances de ganhar o jogo mesmo.
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A première de Big Brother dificilmente teria sido melhor e temos um início frenético e promissor para a temporada. Com a próxima tentação, uma imunidade por três semanas, pronta para ser lançada no jogo (como o público escolhe quem vai ser tentado, provavelmente vai pro Paul, vão vendo), nunca esperar o inesperado se aplicou tão bem ao programa.
Confissões do Diary Room:
- Kevin ganhou 25 mil dólares e nada de desconfiarem dele até aqui. Ponto pra ele.
- Elena comprando Paul com um sanduíche, pelo menos foi diferente.
- Mais uma temporada de friendship, friendship, friendship. ATÉ QUANDO?
- O episódio acabou e Jason continua só sendo chato.
- O jogo começa pra valer no episódio dois. A partir dele, as reviews serão semanais, entre uma eliminação e outra.















