12 Irrelevantes e os seus 12 momentos marcantes de Person of Interest.
Por Rodrigo Canosa/Reviewer de POI no Série Maníacos entre Fev. 2012 e Jun. 2016
Há exatamente um ano, em 21/06/2016, foi ao ar o Series Finale de Person of Interest, levando consigo um pedaço de cada um de seus fãs e deixando em nossas memórias episódios incríveis, cenas memoráveis e, principalmente, personagens inesquecíveis.
Por isso, os fãs de POI simplesmente não conseguem se desvincular. O tempo passa, novas séries aparecem (inclusive com Jonathan Nolan lançando aquela maravilha que é Westworld), mas nada preenche o vazio deixado pelas tramas minuciosamente entrelaçadas, pelos momentos de ação e suspense, pelas atuações impecáveis dos atores principais e dos recorrentes (com exceção de Winston Duke e seu DoMIMIMInic terrível) e pelos momentos de reviravolta em que ficamos com cara de tacho por não termos previsto o que iria acontecer. Mais do que isso, é praticamente impossível não sentir muita saudade de Harold Finch, John Reese, Jocelyn Carter, Sameen Shaw, Root, Lionel Fusco, Carl Elias e, é claro, da Machine.
Assim, em memória desta série que tanto nos marcou, alguns membros do Lounge de POI no Telegram (criado pelo Série Maníacos após a exibição de “The Day The World Went Away” – ep. 5×10 – e ainda contando com a presença de muitos irrelevants) decidiram escrever textos em homenagem ao aniversário da exibição do Series Finale e descrever, sob a perspectiva de cada um, algum pedaço importante e marcante de Person of Interest.
Desta vez os leitores do Série Maníacos são os reviewers. E nada mais justo que deixar esse pessoal que tanto apoiou e comentou em minhas reviews da série participar deste momento de saudosismo de POI. Obrigado por tudo, pessoal! E boa sorte!!
I – Person of Interest 1×18: Identity Crisis – Por Antônio Galvão

Identity Crisis pode parecer um episódio típico de POI, que o credenciaria só por esse motivo a ser um bom episódio, mas ele é muito mais do que isso. Apresentando um roteiro que aparentemente pouco acrescentou ao arco principal, é nas sutilezas, sendo analisado dentro do conjunto da obra, que faz com que ele ganhe uma função e dimensão muito maiores do que a aparente proposta. Marcado por ter a melhor sequência de cenas de alívio cômico da série, praticamente uma unanimidade entre os fãs, ele é muito mais do que um filler divertido e bem escrito, ele é o episódio que crava a amizade entre Reese e Finch de uma forma definitiva. Percebemos desde o piloto que John sempre tentou uma aproximação com Harold, que se mostrava bastante relutante devido ao seu passado complicado e pela paranoia desenvolvida ao longo dos anos, que o assombrava. Nada mais natural que Reese levasse 18 episódios para conquistar além da confiança do chefe a sua amizade. A primeira temporada é usada basicamente para levantar esse pilar de forma gradual e convincente, sendo esse conceito dentro da mitologia da série de suma importância e explorado amplamente em POI durante as suas cinco temporadas.
O episódio em si mostra o quanto a relação entre Finch e Reese evoluiu num clima leve, divertido e de muita cumplicidade entre os dois protagonistas. Ver o criador das redes sociais admitindo, sob efeito de substâncias alucinógenas, que Reese é o seu bom amigo, foi um dos momentos mais emocionantes e com certeza o mais divertido da série que, mesmo dentro de uma narrativa distópica crescente, sempre encontrou espaço para o humor. A troca de nomes, quando Harold se refere a John como se fosse Nathan, é um momento singelo que poderia apenas sugerir a droga fazendo seu trabalho no organismo do criador da Machine, mas com certeza havia ali as mãos hábeis de Jonathan Nolan reafirmando a importância de Mr. Reese junto ao enigmático ex-hacker, já que Ingram foi o melhor amigo e parceiro de Finch por muitos anos. Essa não foi a única relação que avançou dentro da história, tivemos também Fusco e seu desejo de ser aceito como um dos mocinhos, cada vez mais participativo e entrosado com a dupla, recebendo a missão de trabalhar infiltrado na HR a pedido de Reese e com o aval de Finch, tarefa que reforçou, além da confiança, a sua inclusão definitiva nas atividades da Machine.
Desde então, foi gratificante presenciar a evolução do nosso estimado trio, que num primeiro momento não compartilhava de uma confiança mútua e plena, mas mantinha um vínculo sustentado pela necessidade da convivência. A parceria entre os três trouxe uma grande conquista, a formação não só de uma equipe de trabalho, mas de um grupo de bons amigos dispostos a fazer o que fosse necessário um pelo o outro. Com propósitos em comum, nasceu a aproximação, a confiança, a lealdade e o companheirismo entre esse trio. Surgia aí o nosso tão querido Team Machine. A força de POI incontestavelmente vem de seus personagens tão especiais e de suas relações mútuas exploradas ao longo da série, sendo que abordagens primordiais como o vigilantismo, a subversividade, a opressão, a guerra secreta pelo poder da informação e o discurso ético-moral só funcionam de forma exímia por estarem substancialmente amparados por esse elemento humano tão importante e essencial: a amizade. Desse modo, por fundamentar o principal alicerce da série, o bromance de Reese e Finch, por estabelecer a formação do Team Machine e trazer a melhor sequência de humor já vista em POI, Identity Crisis entra para os momentos mais marcantes dessa série incrível, saudosa e original.
II – Person of Interest 1×23: Firewall – Por Regileudo Gama]

Uma das qualidades de Person of Interest é, sem dúvidas, as reflexões existenciais que os personagens fazem junto conosco ao longo de toda a série. Segurança nacional, privacidade, espionagem, ciberterrorismo e vigilância realizada ilegalmente pelo governo – formado por indivíduos de motivações escusas -, são alguns dos temas que a série criada por Jonathan Nolan tratou ao longo das suas cinco temporadas, mas um dos desenvolvimentos narrativos da série que mais me prendeu foi sobre o propósito da existência da humanidade e, claro, sobre a liberdade individual. Em Firewall, o season finale da primeira temporada, Finch e Reese precisam proteger uma psiquiatra que atende clientes ricos e poderosos, Caroline Turing, interpretada por Amy Acker, cuja vida está sendo ameaçada por alguém que contrata a organização criminosa policial HR. Ao longo do episódio Finch e Reese são auxiliados pelos policiais Carter e Fusco, este último trabalhando infiltrado na organização. Enquanto isso, o FBI continua sua investigação sobre o Homem de Terno e Alicia Corwin vigia Harold. Esse é um resumo do início do arco envolvendo Finch, Reese, Fusco, Carter e alguns irrelevants durante três episódios (1×23, 2×01 e 2×02).
Esses episódios são divididos em jornadas: a jornada de Reese em busca do seu amigo, Finch, na qual ele é auxiliado por Carter e por Lionel; e a jornada de Root em busca da Machine construída por Harold (e nessa jornada específica a série nos faz refletir, através dos diálogos entre Root e Harold, o que caracteriza a existência humana e se há propósito nela). Com tantos avanços e aperfeiçoamentos tecnológicos e sociais alcançados e conquistados pela humanidade, por que a sociedade continua podre? De que maneira a sociedade poderia ser aperfeiçoada? Aperfeiçoar a humanidade bate de frente com a liberdade individual, o livre arbítrio?
Enquanto Reese busca Harold, a Machine o envia para outros numbers, e conhecemos um dos (outros) personagens carismáticos: Bear, pastor belga que se torna companheiro de Finch durante o restante da série. Por toda a discussão fomentada em Firewall sobre liberdade vigiada, livre arbítrio, a existência humana e a sua inclinação para a busca de um proposito para a vida, eu considero esse episódio como um dos melhores de POI.
III – Person Of Interest 2×16: Relevance – Por Sthefani Cordeiro

Revendo este episódio, após quatro anos, confirmei mais uma vez que Person of Interest não é uma série comum e deve ser vista e revista diversas vezes. O episódio 2×16 de POI apresentava pela primeira vez uma mudança de perspectiva, deixava de lado a faceta irrelevante, normalmente guiada por Reese e Finch, e expunha uma nova e interessante faceta, o lado relevante da série. Não por caso o título do episódio é Relevance. Nesse capítulo, nós fomos apresentados a Sameen Shaw, uma das figuras mais emblemáticas desse universo criado por Jonathan Nolan.
Depois de nos apresentar personagens femininas incríveis, como Zoe, Carter e Root, Nolan nos presenteou com Shaw, uma personagem que representava de maneira icônica as mulheres fortes do show. Badass ao extremo e com um discurso explicito de pouco se importar com as pessoas, ela era totalmente diferente das outras personagens até então trabalhadas em POI. Shaw não tinha a leveza de Zoe, a compaixão de Carter ou a loucura de Root, com ela nós tínhamos algo totalmente novo sendo apresentado. Ter quatro personagens femininas fortes e estruturadas como essas é uma das coisas que mais me orgulha neste show. Tudo inserido no contexto dos episódios sem precisar tratar o feminismo de maneira direta. Elas são mulheres incríveis e ponto final, não há necessidade de alardes ou de capítulos especiais para tratar exclusivamente desse tema. Qual série da TV aberta norte-americana no estilo procedural poderia se vangloriar por tal feito?
O primeiro contato de Shaw com Finch e Reese foi cercado de desconfianças e incertezas, porém sabíamos ali que ela não era uma personagem qualquer e que com certeza a veríamos outras vezes. E como nós a veríamos! É preciso destacar o encontro dessa mulher empoderada com Root, a hacker perspicaz. Esse encontro, a longo prazo, se transformou em uma das relações que alicerçou os fundamentos do show. Duas mulheres de personalidades fortes encontraram-se pela primeira vez em um dos momentos mais engraçados que POI foi capaz de produzir: a cena da ameaça com o ferro de passar. Essa cena ecoaria nas mentes dos fãs de maneira recorrente, demonstrando como essa relação não seria algo comum. Como unir uma sociopata e uma psicopata de maneira magistral? Naquele momento não sabíamos a resposta, mas Person of Interest tinha tudo preparado para nos responder a essa pergunta ao longo das suas cinco temporadas e dessa forma, essa série maravilhosa pode se orgulhar de mais essa proeza.
IV – Person Of Intererst 2X22: God Mode – Por: We Carvalho

Em God Mode muitos fatos misteriosos foram revelados e, finalmente, descobrimos o passado de Finch, que até então era um dos grandes segredos de Person of Interest. Mas após essa importante descoberta um novo mistério foi lançado em POI, onde estará a Machine? E assim começou a corrida atrás da máquina! Com esse incrível episódio chegamos a season finale da segunda temporada de POI, e que final eletrizante, com Finch em flashback inquirindo a Machine e, logo em seguida, após um corte de cena abrupto, tivemos a sequência de Root e Reese nos dias atuais disputando o controle da Machine por meio de um telefonema e nos deixando mais curiosos ainda sobre o paradeiro da criação do nosso gênio contemporâneo. A caçada pela Machine se tornou intensa, Reese e Shaw trabalhando juntos foi uma emoção muito grande, com várias tiradas sarcásticas e inusitadas, vimos a formação de uma das duplas mais interessantes de POI. Por outro lado, a Machine, em uma espécie de pegadinha, começou a mandar vários números em sequência interrompendo a rota de Reese e Shaw que tinham o objetivo de achar Finch.
Ficamos sabendo muita coisa sobre o passado de Finch, descobrimos em que circunstâncias ele perdeu o seu melhor amigo e por que ele teve que se separar de Grace, a sua noiva. Apesar da corrida de gato e rato entre Finch e Root à procura da Machine, nós fomos bombardeados com a notícia de que ela já estava livre; naquele galpão enorme e vazio eu fiquei me perguntando “livre, como assim?” Quando você pensa que essa série não pode mais te surpreender ela te derruba da cadeira colocando uma hacker e um homem de terno como os novos controladores da Machine. Can you hear me? Absolutely! Assim, a Machine estava de volta e revigorada. Por essas surpresas, pelas tristezas vivenciadas pelo Team Machine e por todas as sequências de ação apresentadas, God Mode é um dos meus episódios preferidos, ele desperta um misto de emoção que nem dá tempo de decodificá-lo enquanto o assistimos, só consegui digerir tudo depois de muito tempo, mas isso é Person of Interest, o lado relevante do mundo das séries!
V – Person of Interest 3×08/09/10: Trilogia Carter – Por Vera Tocantins

A Detetive Carter não é qualquer tipo de mulher não. Carismática e persistente, ela é uma mãe solteira que cria um filho adolescente da melhor forma possível, já esteve trabalhando no Afeganistão e por isso tem uma grande bagagem quando o assunto é investigação e interrogatório. Sempre me senti adequadamente representada por essa personagem muito bem interpretada por Taraj P. Henson ao perceber que os pilares de Carter foram alicerçados nos princípios da lealdade, da honestidade, da ética e da justiça. A Detetive Jocelyn “Joss” Carter é aquele tipo de mulher forte e independente, racional sem perder o seu lado afetivo e emocional, contudo, badass o suficiente para desmantelar uma organização inteira de policiais corruptos que vinha infectando a corporação policial retratada em Person of Interest.
O arco da Trilogia Carter se fundamentou principalmente na luta empreendida pela detetive para desmascarar os policiais envolvidos na organização HR e, consequentemente, fazer com que eles fossem punidos e extirpados da corporação policial. Mas foi também nessa trilogia que evidenciamos a ascenção do providencial mafioso Elias e o surgimento do number de Reese indicando algum tipo de risco iminente para a vida do homem de terno. Experimentei um misto de emoções no decorrer dos três episódios que marcaram essa fase de POI. Torci efusivamente para que Carter conseguisse atingir o seu objetivo e assim ela o fez, investigou profundamente a raiz do HR, chegou a se isolar do Team Machine, correu um grande risco ao servir de orientadora para um jovem policial corrupto, descobriu o nome do verdadeiro chefe da organização criminosa e protagonizou uma das cenas mais angustiantes de POI ao ficar presa e cercada por criminosos em um necrotério com Reese com Alonzo Quinn sob custódia. Ali eu percebi que a morte de ambos os personagens – Carter e Reese – era inevitável, já que teve até beijo de despedida entre eles, mas como Nolan sempre nos surpreendeu na condução de Person of Interest com os seus plots twists impensados, tudo foi resolvido da melhor forma possível com a ajuda do Team Machine e do providencial Elias, assim, a dupla de mocinhos saiu momentaneamente ilesa.
Mas quando tudo parecia resolvido e o aparente sabor da vitória era comemorado por Carter e John na calçada da rua que testemunhou a guerra de uma só mulher, eis que o telefone tocou do outro lado da rua e um Finch ineditamente assustado percebeu junto do fiel Bear que algo catastrófico estava prestes a acontecer como os nossos mocinhos. Confesso que sofri horrores quando Carter foi alvejada covardemente por um tiro disparado por Patrick Simmons. Sofri por vê-la ensanguentada pedindo ao amigo que cuidasse do seu filho; sofri por ver o rosto aterrorizado de Reese sem entender que a parceira estava partindo prematuramente; sofri porque respeito todo o legado construído por essa mulher incrível ao longo das três temporadas de POI que tivemos a honra de tê-la em cena e, por fim, sofri porque sei que ela morreu fazendo aquilo que sabia fazer melhor: representar o tipo de mulher que todas nós sonhamos um dia ser. Por todo o conjunto da obra e por me sentir contemplada em diversos aspectos considero a Trilogia Carter a minha melhor experiência como fã de Person of Interest.
VI – Person of Interest 3×11/3×12: Lethe/Aletheia – Por Danilo Zanon

“Meu Samaritan… Você está destinado a grandes coisas.” (Greer)
Em franquias de heróis ou mesmo quando se há a velha história de mocinho versus o vilão, a estrutura normalmente segue o ritmo de um embate quase interminável entre duas forças antagônicas principais, onde o vilão está lá desde o início, mas o confronto é evitado ou sempre uma das partes é consagrada vencedora em uma batalha, mas sem derrotar o outro definitivamente. E outros personagens durante o caminho vem e vão, são derrotados com facilidade e o vilão continua lá firme e forte. Person of Interest não foi montada assim – que bom! Estamos no meio da terceira temporada, depois de uma sequência avassaladora onde uma das protagonistas de maneira inesperada morreu. Seus companheiros de equipe estão sentindo isso na pele (e nós sentimos tanto quanto). Mas é justamente nesse turbilhão de acontecimentos que o vilão principal da série começa a dar as caras. Com uma construção lenta, progressiva e precisa – marcas primordiais de POI -, sem deixar os fãs respirarem, presenciamos dentro da série o ‘nascimento’ do Samaritan, que fará o Team Machine -e nós- sofrer muito ainda.
Junto a isso, vemos também nesses episódios Reese afastado da ação pela primeira vez, sentindo a perda de Carter e vivenciando o luto a sua maneira, enquanto Fusco executa inúmeras tentativas para fazer o amigo voltar à ativa. Já Shaw se mostra cada vez mais à vontade na equipe, assumindo toda a parte de ação efetiva. E para consolidar ainda mais os excelentes episódios temos Root proporcionando ótimas cenas e intensificando seu ‘relacionamento’ com a Machine. Aqui fica de uma vez por todas estabelecida a função que a personagem tem e que terá na mitologia da série, afinal, ela com sua devoção terá o papel de ser a ‘Corporificação’ da Machine. ‘Dona Control’ que o diga, né… rsrs. Juntando todos esses fatos e os diálogos sobre os dilemas éticos-morais entre Finch e Claypool sobre o uso das Machines, só posso concluir que ambos os capítulos de POI não só são uma sequência de ótimos episódios, mas um marco que Person of Interest conquista rumo a um nível superior no mundo das séries com debates e drama de ficção cada vez mais atual e real.
VII – Person of Interest 3×21: Beta – Por Luciana Basílio

Em Beta, a ameaça do Samaritan se torna real e é dentro desse cenário que Reese, Shaw e Root tentam driblar os seus agentes em uma cidade vigiada pelo inimigo, tentando dar continuidade às suas missões sem a presença de Finch, que deixou o Team depois de sofrer uma grande decepção com a Machine. Não bastando esses problemas, eles ainda teriam que lidar com um fato inesperado: o surgimento do número de Grace, usada por Greer para atrair Finch. Ao atender ao chamado da Machine em um momento tão crítico, John instintivamente reafirma sua lealdade e comprometimento com Harold e com seus propósitos. O gesto vai muito além de suas funções no grupo, toca diretamente no cerne de sua relação pessoal com Finch e com tudo que o norteia desde então.
Diante disso, temos um Reese resistente em aceitar a decisão de Finch e até o último momento ele tenta, sem sucesso, persuadir o amigo a não aceitar as condições impostas por Greer. Harold estava muito angustiado com a ideia de ter colocado Grace em perigo e tentaria de tudo para colocá-la novamente em segurança, mesmo que isso custasse sua própria vida. O temor de Finch desencadeou a externalização, ainda que coibida, de um sentimento de violência surpreendente e perturbador nunca visto antes, revelando o quão pressionado ele estava pelo peso de ser quem era e da dimensão de como isso afetava a vida de todos a sua volta. Sendo assim, só restava a Reese respeitar e aceitar sua decisão, ajudando-o em toda a sequência da negociação, com a promessa de ir novamente em busca do amigo.
O momento da troca do criador da Machine pela sua amada Grace, em uma ponte bucólica, se constituiu em uma das cenas mais sensíveis e emblemáticas da série, consequentemente, uma das cenas mais românticas já vistas em POI. Sabemos que nesse tipo de série não há muito espaço para explorar romances, por isso sempre só houve percalços na vida amorosa dos estimados personagens. Mas a história de Harold e Grace representava para os fãs uma esperança de felicidade, trazia toda uma leveza à trama por representar momentos felizes e simples da vida, colocando Harold dentro de uma normalidade quase utópica, o que fazia com que os fãs adorassem e torcessem muito pelo casal. Toda a delicadeza da cena ainda foi reforçada pela linda composição de Ramin Djawadi e pela interpretação intensa de Michael Emerson, dando vida ao seu Harold Finch, conseguindo transmitir, ainda que de forma contida, toda uma gama de sentimentos que surge no coração de Harold, ao rever e tocar Grace. Tão longe e tão perto. Uma cena perfeita, dentro de um episódio revelador, poderoso, tenso e emocional, que fez com que Beta reservasse o seu lugar entre os momentos mais marcantes dessa incrível série.
VIII – Person of Interest 3X23: Deus ex Machina – Por Maria Fernanda Parecis

Em uma temporada em que muito se discutiu sobre privacidade e segurança, Deus Ex Machina teve como tema principal a encenação de um julgamento com a Vigilance agindo como juiz, defesa e acusação e, no banco dos réus, aqueles que segundo Collier representavam tudo que estaria errado em um Estado distópico e sem controle. Assim, o julgamento teve Collier defendendo o direito individual à privacidade e apontando os crimes que teriam sido cometidos usando o argumento da segurança nacional, enquanto Control alegava que a proteção ao País estaria acima de qualquer coisa e o Senador Garrison representava as pessoas que querem proteção e tomam decisões baseadas no medo da falta de segurança. Ao mesmo tempo, Finch argumentava defendendo um limite para as ações tanto do governo quanto da Machine, enquanto Greer afirmava que a humanidade não é capaz de se proteger de si mesma e, por isso, precisa da supervisão de uma Inteligência Artificial com decisões lógicas.
A expressão Deus ex machina tem origem latina, e significa “Deus surgido da máquina”. É comumente utilizada em obras ficcionais para indicar uma solução improvável ou mirabolante. No contexto, ela pode ser aplicada no seu sentido literal, já que vemos a ascensão do Samaritan que, assim como a Machine, pode ser comparado a um deus onipresente e onisciente. Existe também a possibilidade de usar seu significado figurativo, tendo sido desesperador acompanhar o desenrolar da trama à espera de uma solução mágica que salvaria o Team Machine – o que nunca ocorreu. Assim, Root, Reese, Shaw e Finch já começam a guerra em desvantagem, indo para a 4ª temporada separados e assumindo novas identidades.
A série entregou uma terceira temporada complexa e extremamente bem estruturada, de forma que não foi surpreendente que o seu final tenha sido tão impactante, com a descoberta de que a Vigilance fazia parte de um plano maior para criar o medo e legitimar as ações da Decima. O encerramento de um dos melhores anos da série deu-se em clima de desesperança. Nada seria como antes depois de Deus ex Machina.
IX – Person of Interest 4×10/4×11/4×12/4×13: The Cold War/If-Then-Else/Control-Alt-Del/M.I.A – Por Aluiz Henrique Marques Linhares

Em sua quarta temporada, Person of Interest apresenta quatro episódios que, praticamente, constroem um telefilme. A quadrilogia formada por The Cold War, If-Then-Else, Control-Alt-Delete e M.I.A lançou a série em um novo caminho, entregou um episódio obra-prima e deixou os fãs com os nervos à flor da pele.
The Cold War teve como objetivo tratar dos últimos instantes antes do inevitável embate direto entre Machine e Samaritan e surpreendeu a todos não só ao promover um bate papo entre as duas inteligências por meio de seus avatares, mas principalmente por ter como representante do Samaritan um garoto arrogante e superdotado (interpretado com maestria pelo pequeno ator Gabriel Hayward), deixando claro a intenção dos roteiristas em mostrar o Samaritan como um menino gênio, mas criado sem limitações. Em uma conversa assustadora, o pequeno gênio deu voz ao Samaritan, que revelou seus planos de controle do mundo e avisou à Machine (representada por Root, que transparecia todo o temor da Machine sobre sua própria incapacidade frente à ameaça): Eu vou destruir você. E a humanidade irá acreditar em apenas uma coisa: EU.
E então temos o maravilhoso If-Then-Else (considerado pelos fãs um dos melhores episódios de todas as temporadas), cuja maestria deu-se principalmente ao levar o espectador a crer diversas vezes que toda a equipe seria derrubada pela Decima, para então descobrir que tudo não passava de uma simulação da Machine. Durante praticamente todo o episódio, a Machine deixou de ser uma coadjuvante para tornar-se a personagem principal, tentando evitar desesperadamente que seus agentes caíssem diante dos criminosos, gerando infinitas simulações de estratégias para salvar seu time e deixando o espectador sempre na dúvida sobre se assistia outra simulação ou a realidade.
Os flashbacks também foram outro ponto alto de If-Then-Else, com Harold jogando xadrez em uma praça com sua criação. Em sequências ao estilo pai e filha, Finch transmitia ensinamentos sobre estratégias, preservação da vida humana e tomada de decisões, com os roteiristas brincando o tempo todo com os conceitos de “e se”, hora com humor, hora com tragédia. Além disso, os flashbacks foram importantes para mostrar que devido aos conceitos de valorização da vida humana ensinados por Harold, a Machine não poderia escolher quem sacrificar para evitar as ações do Samaritan – fazendo-a concluir que as chances de cumprir a missão e salvar todos eram de apenas de 2%.
No fim, novamente encurralados, o Team Machine é salvo por uma variável inesperada: Shaw, que passara o episódio tentando chegar ao local, sacrifica-se para que a equipe escape, mas não antes de lascar um belo beijo em Root, admitindo sua paixão pela hacker. O episódio acaba em absoluto silêncio deixando nos deixando com uma única pergunta dolorosa: Shaw morreu?…
Seguimos então para Control-Alt-Del, que começa com uma das brincadeiras mais deliciosas de Person of Interest: a adaptação da abertura ao tema do episódio. Neste a narração de Finch é substituída pela de Control, a chefe das equipes que recebem os números relevantes. Agora, recebendo números do Samaritan, Control começa a desconfiar que algo está errado por trás da IA. Confrontada por Finch, que a chama de “faxineira” do governo, ela decide partir para uma investigação mais profunda, o que a coloca diretamente na mira do Samaritan. Um episódio com ótima interpretação da atriz Camryn Manheim (Control) e que mostra ainda mais a desolação da equipe, principalmente de Root, diante da perda de Shaw.
Por fim chegamos a M.I.A., que encerra a quadrilogia. Reese e Root buscam Shaw, mas encontram uma cidade na qual o Samaritan está implantando chips e realizando testes em pessoas com um propósito ainda misterioso. O episódio faz crescer o clima distópico na série, despeja sobre nós a tristeza de Root por não encontrar sua amada Shaw e exibe a descrença de Finch e Reese ao não saber mais o que fazer, o que fica claro em uma frase de Harold para Root: “Eu quero ter esperança. Mas a esperança é dolorosa.”.
A sequência final do episódio em que Root, no meio da rua, olha para uma câmera e pede que a Machine a ajude a encontrar Shaw, recebendo como resposta apenas um STOP, é o verdadeiro final dos quatro episódios. Lindamente bem construídos, eles jogaram Person of Interest em um novo contexto. Os episódios procedurais ainda viriam a ocorrer, mas a partir dali o Samaritan é o inimigo implacável que tornará a vida de todos um inferno.
To Be Continued…
Não perca a segunda e última parte desse mega especial de POI, amanhã, aqui no Série Maníacos.















