Supergirl se une a cunhada para apresentar mais um consistente episódio com Alex.

No passado a Kara já foi “cabeça quente” e sem muito conhecimento de diplomacia e protocolo. Graças ao seu treinamento no DEO que a heroína aprendeu muito a respeito da base governamental, mesmo que a agência esteja agindo nas sombras. Este episódio mostra que apesar de já ter avançado muito Supergirl ainda age como vigilante. Existe uma diferença bem grande entre ela e o Arqueiro Verde, que opera nas sombras, usando subterfúgios. Supergirl é uma super-heroína e assim como o Flash um símbolo para sua cidade. É esperado que como mulher Kara esteja disposta a não lidar com alguns problemas mais corriqueiros. Para uma invasão alienígena ela é sua garota. Já para lidar com criminosos humanos? Nem sempre.

Em Alex é feito um paralelo interessante também com a última vez em que Kara precisou lidar abertamente com um humano comum. Lá em Human For a Day, porém, ela não tinha poderes e a diplomacia havia sido a única opção viável. Neste episódio Kara não apenas tem todos os seus atributos físicos intactos como também é colocada em extrema pressão ao ter sua irmã, a tão forte e centrada Alex, em perigo. A cisma que começa entre ela e Maggie, contudo, surge quando não existe respeito mútuo e compreensão pela abordagem de cada uma. Kara sempre acostumada com elogios é colocada na berlinda ao ter seus métodos questionados. Maggie que sempre precisou trabalhar dobrado por não ter poderes é colocada no canto ao ter uma mulher de aço salvando o dia e a “inutilizando”. São embates interessantes e que vão além de ter duas mulheres brigando por causa de um par romântico. Alex definitivamente sobrevive ao teste de Bechdel.

Com uma base sólida para “brincar” com ambas as suas personagens intimamente ligadas a Alex, o décimo nono episódio da série conseguiu retirar momentos mais marcantes do que seu antecessor. A verdade é que o grande mérito aqui foi não ter dividido o tom do episódio em dois, como foi feito em Ace Reporter. Sem as cenas exageradas e diálogos desajeitados de Winn, Lyra e James, mas com momentos interessantes e construção emocional para Lena e Rhea, Alex conseguiu criar, sem quebrar sua narrativa para atingir tal objetivo.

O mais interessante aqui surgiu do relacionamento entre Maggie e Kara, algo que nunca havia sido tocado com tanta carga emocional. Kara como Supergirl é capaz de qualquer coisa. A garota de aço não precisa olhar antes de atravessar, porque ela é inquebrável. Sua grande preocupação é com o bem estar da vítima, ao passo que Maggie, por ser uma policial, vê o mundo através de outra ótica. Como estamos em um universo em que as mocinhas seguem um padrão bem delimitado de moral, Maggie é o tipo de policial que acredita na reforma. Supergirl, porém, é a heroína que prefere, primeiro, evitar que um inocente seja ferido.

São dois pesos igualmente complexos para colocar na balança e não julgo que exista um lado errado. É exatamente o que a série faz ao parear duas personagens tão parecidas, mas ao mesmo tempo tão diferentes. O capítulo, apesar de bem estruturado, vem acompanhado de alguns clichês básicos, como por exemplo, a inversão de papéis. No final temos Kara optando pelo diálogo enquanto Maggie escolhe quebrar leis para reaver a namorada. É uma saída fácil, mas que não diminui o desempenho da série.

Supergirl 2x19: Alex
Supergirl 2×19: Alex

Muito mais do que oferecer para Floriana Lima uma oportunidade para ter sua personagem desenvolvida, além da apresentação de um ótimo trabalho da atriz, Alex é sobre Alex, a fabulosa Chyler Leigh. Mesmo com poucas falas é possível ver o presente que Chyler se tornou para a série. Sua participação como refém, se recusando a todo momento a se portar como a donzela em perigo, expõe precisamente o tipo de discurso que fez com que Supergirl me conquistasse. Com a direção de Rob Greenlea a personagem conseguiu brilhar muito, mesmo estando confinada a uma caixa de vidro.

Sem um foco tão desenhado ao redor de relacionamentos amorosos Supergirl entregou o que ela tem de melhor. Existe sempre aquele problema com o grande vilão, algo que a série optou por não trabalhar em sua segunda temporada, mas também existe muito sentimentalismo dentro do texto, até na menor das cisões e nos bandidos mais corriqueiros. Não vejo como errado aprofundar no lado sentimental da composição de casais, mas é cansativo sempre ter que “engolir” momentos de romantismo que poderiam ser utilizados de outra maneira. Mon-El é um personagem que funciona muito bem como alívio cômico, mas que termina sempre sugando o ar quando precisa tomar a frente da situação. O tratamento dado ao personagem em Alex é exatamente o que ele precisava ter sido quando Jeremiah voltou para a vida das filhas. Lá naquele momento, porém, escolheram desviar o foco. Foco é o grande inimigo de Supergirl atualmente. Existem maneiras mais adequadas de trabalhar seus coadjuvantes, mas quando a série força a entrada de personagens que quebram o ritmo ou que retiram o holofote de quem deveria permanecer nele, julgo como erro. E aqui esse erro não existiu.

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Alex é exatamente o que Supergirl precisava, mas com exceção das cenas da Rhea com a Lena, ele poderia ter sido exibido em qualquer espaço da atual segunda temporada, um padrão que parece já fazer parte da “alma” da série. Não vou negar, é sempre bom ver Alex chutando bundas ou sendo a agente perfeita, da mesma forma que acompanhar o relacionamento de amizade e tensão entre Kara e Maggie vale ouro, mas é preciso saber dosar as tramas com maior habilidade. Faltam apenas quatro episódios para o final do segundo ano da série e por enquanto o desenho do embate final entre Supergirl e sua sogra ainda parece distante. Teremos ainda a presença do Superman, do General Zod e a introdução do vilão do terceiro ano no último episódio. Supergirl parece cada vez mais abarrotada e este traço, presente da mudança para a CW, precisa ter limites.

Easter eggs e outras informações

– O momento em que Lena e Rhea começam a compartilhar suas experiências maternas eu fiquei simplesmente hipnotizado por Kate e Teri Hatcher. Como é possível duas personagens jantando terem tanta química? Eu realmente comprei uma aliança entre ambas, mesmo após a descoberta.

– Continuando neste tom, não é possível que Lena não saiba que a Kara é a Supergirl. Da mesma maneira que não é possível que a Cat não tenha reconhecido a identidade secreta de sua ex assistente.

– Isso me faz lembrar de uma história em quadrinhos em que o Batman se pergunta quão bom detetive o Jim Gordon é, confessando para si mesmo que o comissário é incrível em seu trabalho e  dando a entender que ele já sabia de sua identidade como Bruce Wayne, mesmo escolhendo nunca revelar ao morcego. Penso o mesmo de Cat Grant e Lena Luthor.

– Para quem não sabe, a atriz Floriana Lima perdeu a voz enquanto gravava o episódio. Parabéns para ela, porque o desempenho foi ótimo mesmo assim.

– Não é toda série de super-heróis que consegue concentrar sua trama principal em cinco mulheres. Na verdade só Supergirl conseguiu tal feito até o momento.

– O desenho do portal que Rhea quer que a Lena construa é o mesmo utilizado pelos mercadores de escravos e bem similar ao que ela tem em sua nave. Ou seja, ainda temos alguma surpresa pelo caminho.

REVISÃO GERAL
Nota:
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supergirl-2x19-alexAlex é exatamente o que Supergirl precisava, mas com exceção das cenas da Rhea com a Lena, ele poderia ter sido exibido em qualquer espaço da atual segunda temporada, um padrão que parece já fazer parte da “alma” da série.