Essa semana Scandal nos levou para uma brincadeira com Dead In The Water: “Onde está o Huck?”. E essa é a melhor escolha que a série faz depois do episódio pra lá de desastroso da semana passada. O primeiro ponto positivo é: não temos flashbacks para a noite da eleição! O segundo ponto é que, após tantos episódios focados no ponto de vista de personagens específicos, Dead in the water coloca diversos deles unidos em favor de uma causa em comum: achar Huck.

Para que essa reunião de gladiadores aconteça (meio à la Vingadores), o episódio se apoia em algumas relações que envolvem o personagem desaparecido. A mais interessante, na minha opinião, é a de Huck com ele mesmo. Ele é um cara cheio de esqueletos no armário, cheio de frustrações e que acabou de passar por um trauma ligado à sua vida amorosa novamente. Quando ele “acorda” com 3 tiros no abdômen, em um carro sendo empurrado por Meg em direção a um lago, as camadas do subconsciente dele vão ressurgindo para ajudá-lo a sobreviver.

Os primeiros a aparecer são os OPAs, que inspiram Huck a pensar em uma saída racional: ele começa a enxergar a situação como um problema matemático que pode ser resolvido. Porém a vida real – mesmo que seja na ficção – tem imprevistos não contemplados pela teoria e uma pedra que trava a porta fica no meio do caminho. A água já está cobrindo praticamente todo o carro e o oxigênio vai ficando cada vez mais escasso para Huck. E aí vem o lado emocional, na figura de Papa Pope. Isso é bem bizarro, mas faz muito sentido para a narrativa, já que o Command tratava seus soldados como filhos. Ele assegura que Huck tem as ferramentas para sobreviver – como ele já o fez tantas e tantas vezes. Mais um pico de energia faz com que sair do carro e emergir sejam possíveis. No entanto, Huck ainda tem 3 tiros no abdômen e ainda está no meio do nada, sem muitos recursos para pedir ajuda. O terceiro e último embate é com o alterego dele mesmo, aquele que sai pra brincar todas as vezes que Huck abaixa a guarda e cede a uma situação de violência. É um conflito de identidade que o leva a refletir sobre a possibilidade e o merecimento de um resgate. Ele não cede e faz a única coisa que pode na situação onde se encontra – fica com Jenny por perto, já que é por meio dela que eles podem ser rastreados. A sequência, os cortes e as atuações, tudo nesse plot foi bem pensado, bem elaborado, bem executado. Bravo, Scandal.
O desaparecimento de Huck afeta três pessoas com mais evidência: Abby, por ter “participado” do conluio que colocou a vida dele em jogo; Quinn, por seu background de amizade e até romance em algum momento; Olivia, por colocar em jogo a liderança, os valores e o impacto que a personagem enxerga em seu próprio trabalho. Foi até um pouco prazeroso ver Abby de castigo. O embate entre Quinn e Meg foi horrível de assistir, mas plausível pensando nas histórias dessas personagens. Agora com Olivia o impacto foi mais sério. Ela agride e ameaça Abby (e até relembra a vez que matou Andrew com cadeiradas: o quão assustador é isso?), e se abate demais quando se vê sem pistas após a morte de Meg. Até que Charlie (a que ponto chegamos, não é mesmo, pessoal?) manda uma boa de uma real para Olivia e isso parece ser o banho de água fria que a personagem precisava. Depois daí teve discurso, teve colagem na parede de vidro, teve Olivia andando de salto no deserto. Foi maravilhoso ver a nossa personagem voltar um pouco a si.

No processo entre Huck ser encontrado e levado para o hospital para cirurgia, Olivia ata alguns laços – primeiramente com Fitz, o que me incomoda bastante, e depois com Abby, que anda péssima, mas merece perdão como qualquer outra pessoa. E é assim que terminamos a saga da semana. Dead in the water é rápido, com entregas legais, mas vamos ter uma pausa nas respostas porque o próximo episódio é o centésimo e vai ter uma premissa diferente. Estou curiosa, porém um pouco impaciente. Seguimos no aguardo.















