“E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova?”

– Lucas 6:39

O versículo acima exemplifica muito bem o clima desse retorno de Outcast. Dois personagens que aparentemente estavam no ápice de seu jogo e que descobrem que a ameaça não só continua, como está bem mais adiantada do que se pensava. Assim, tanto Kyle quanto o Rev. Anderson se encontram novamente em maus lençóis, lençóis estes que talvez não sejam tão fáceis de se livrar dessa vez. A pressão (e a ação) psicológica ainda continua como um dos fatores mais fortes da série, apesar que nesse episódio o sangue rolou solto. Somos trazidos novamente para Rome justamente do ponto de onde tudo parou. E com isso acompanhamos o desenrolar das atitudes e descobertas de novos e velhos conhecidos no embate contra os invasores silenciosos na cidade.

O interessante desse retorno foi que a narrativa e o visual foram complementares, talvez como nunca antes até aqui na série. Era possível notar que movimentos ângulos de câmera exemplificavam visualmente os estados de espirito dos personagens. Principalmente no núcleo Barnes. Sempre que o quadro se aproximava de Kyle, Amber ou Megan, a imagem se enviesava, se entortava numa representação visual do desequilíbrio vivido por eles.

Outcast
Outcast

Na contrapartida do visual, a narrativa se mostrava cíclica, como um recomeço forçado para todos. Kyle foge, mas é obrigado a retornar já que descobre a extensão da invasão e quando pensava que era efetivo na luta, a balança se mostra desfavorável ao “retirar” seus poderes. Sidney (muito mais escuso que de costume, nem apareceu aqui) conseguiu, como sempre, estar um passo à frente do que os heróis, garantido que aqueles verdadeiramente plenos em sua simbiose não pudessem mais serem “exorcizados”. Anderson é obrigado a ajudar a encontrar a Aaron, quando ele foi o responsável pelo seu desaparecimento. Já Giles ia finalmente entrando em toda essa disputa velada, caindo de cabeça na teia escura que parece se estender por todos os da cidade.

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Aparente foi mais do mesmo (espero que o vício de Robert Kirkman em TWD não se repita aqui), mas nas entrelinhas tudo foi carregado de tensão e ameaça. Kyle e Anderson, cegos perante as armações de Sidney, caminhando em direção ao abismo que os aguarda na virada de qualquer esquina. No entanto, quando se está no fundo do poço, o único caminho a se tomar é para cima. Só resta acompanhar o desenrolar, com todas as unhas, sangue e peles perdidas nessa jornada.

Outtake 1: O episódio só estreia oficialmente dia 10/04;

Outtake 2: Resolvi fazer as reviews de um modo diferente essa temporada, sem vincular com as HQs. Assim fica melhor de propor teorias sem ficar tão amarrado ao que acontece ou não nas HQs;

Outtake 3: Mão empalada, braço rasgado, tiro na bochecha…. Veio com gosto de gás essa première;

Outtake 4: Aparentemente a primeira “simbiose” aconteceu em 1986 com Kyle ainda garoto. Será que a mulher de preto na lanchonete era a Mildred jovem?

Outtake 5: O Farol… Acho que são pessoas que foram “possuídas” e conseguiram se livrar do simbionte, meio que uma sociedade dos “libertos”. Isso abre a questão: será que houveram outras pessoas com os poderes de Kyle antes dele e de Amber? Quantos Outcasts existem por aí?

Outtake 6: Será que Amber vai conseguir libertar a avó do estado de catatonia?

REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
outcast-2-temporada-tensao-ameacaNa contrapartida do visual, a narrativa se mostrava cíclica, como um recomeço forçado para todos.