Pra fechar uma segunda temporada quase isenta de inconsistências, Circus, como não podia ser diferente, é um episódio impecável de Baskets, que faz jus ao sensível plano final de semana passada, e que se sustenta tanto no familiar como no inédito, nos velhos dilemas de Chip, mas também nos seus aprendizados, evolução e estagnação coexistindo. Competente enquanto season finale, Circus é justo com todos os protagonistas, e amarra os múltiplos arcos de toda a temporada de forma invejavelmente espontânea, unindo-os não só tecnicamente falando, estruturalmente, mas emocionalmente, relembrando, como a série volta e meia faz, que por trás das fantasias e risadas de Baskets, concretas ou simbólicas, há sempre uma mesma coisa: família.

A tentação de Chip ao avistar os caminhões do circo viajante que chegam à Bakersfield dura pouco, e logo torna-se ação. Sabendo da necessidade urgente de um substituto, Chip junta-se aos russos em um piscar de olhos. A apresentação da tenda, dos artistas, malabaristas, equilibristas e palhaços, lembra as passagens da série na França, dos anos de Chip em Paris e da atmosfera onírica e idealizada da Cidade Luz. De certa forma, a idealização se repete, é a armadilha eterna desse protagonista, e portanto se repete também a desilusão, o choque de realidade. Já no fim do episódio, Chip é dispensado pelo mestre de cerimônias com o retorno do palhaço que havia debandado mais cedo naquele dia. A cena seguinte é um quase-sketch pelo qual a série já é conhecida: inconformado com a notícia, entram no palco juntos os dois palhaços e lutam pelos holofotes, uma sequência simploriamente cômica, mas também comovente, tristonha, mérito do trabalho irretocável de Galifianakis semana após semana. Ao fim do espetáculo, os russos tentam se explicar: Vladimir is family. Por trás das cortinas da coxia, Christine escuta tudo em silêncio.

Baskets 2x10: Circus [Season Finale]
Baskets 2×10: Circus [Season Finale]
Falando em Christine, seu triunfo sob o irmão no episódio passado também é respeitado, afinal, é ela quem retém toda a força dramática nesse fim de temporada, com o dinheiro da herança nos bolsos. Seu ímpeto inicial é lógico, abrir uma franquia do Arby’s em um prédio velho onde costumava haver um Burger King. A decisão é tomada, como sempre, com os filhos em mente, Dale, recém despedido da universidade, administraria o negócio, e o irmão, já experiente no ramo do fast-food, botaria a mão na massa, atrás do balcão. A reação de Chip, entretanto, passa longe do entusiasmo, e o público compreende os porquês. Suas ambições, afinal, não são de um emprego estável, de carteira assinada ou de dinheiro seguro, mas de enfim poder fazer o que ama sem obstáculos intransponíveis. Sua mãe também compreende, embora resista fortemente aos fatos, e por isso muda de ideia na reta final do episódio. Cancela a aplicação para a franquia e recusa o esperado convite de Ken para que vá viver à seu lado em Denver para investir o dinheiro na abandonada arena de rodeio em que Chip estava vivendo há algumas semanas.

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A cena final – em que Christine senta numa cadeira no meio da arena, explicando seu planos para Chip poucos segundos antes de Dale se revelar como parte do plano do Baskets Family Rodeo também -, traz um irrevogável sorriso no rosto de qualquer fã de Baskets. É, talvez, o primeiro momento de comunhão real de uma família desajustada, fora de sincronia e distante. É também um caminho intrigante e inesperado para a série, e, assim como foi com encerramento incerto da primeira temporada, essa nova configuração também joga os personagens em uma situação inédita, uma situação, por que não, de bastante otimismo, em que os Baskets estão pela primeira vez dando as cartas, com seus futuros controláveis, na medida do possível, e, também na medida do possível, estão unidos. Uma família, enfim.

REVISÃO GERAL
Nota:
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