‘Yard Sale’ é um dos raros episódios de Baskets que começam com um “previously”, majoritariamente por que a série trabalha com arcos narrativos bem resolvidos a cada semana, embora, é claro, dependente em algum nível dos capítulos anteriores. Nesse penúltimo episódio, entretanto, nossa memória é refrescada quanto a dois personagens. Primeiro Jim, o irmão de Christine que deu as caras pela primeira vez na semana passada, e depois Trinity, uma das amizades passageiras quje Chip fez pela estrada, ainda no piloto dessa segunda temporada. Não é à toa que ambos ganhem a atenção que ganharam nessa semana, já que representam, cada um a sua forma, pontos de virada decisivos para os protagonistas.

No papel, ‘Yard Sale’ é de longe o episódio mais conturbado que Baskets já se arriscou a fazer, com múltiplos arcos de personangens, a aparição de quase todo o elenco de apoio e o resgate de um ou dois residentes de Bakersfield que há muito não reencontrávamos. No papel, portanto, poderia ser um erro, um episódio apressado há uma semana do fim da temporada. Mas, felizmente, a sala de roteiristas se mostrou bastante inspirada, e em momento algum os plots agitados de ‘Yard Sale’ aparentam impacientes, talvez por que o background do episódio de quinta, o “yard sale” das coisas da Meemaw, interligue com bastante naturalidade as várias histórias do dia em questão.

Trinity primeiramente confunde Chip com Dale, que portanto a leva para o quintal da avó, onde se encontra Chip. Este, por sua vez, acaba por tentar ajudá-la levando-a para conhecer Jode, o gerente do Arby’s onde costumava trabalhar. Simultaneamente, Jim dá as caras na casa da mãe com uma corretora de imóveis, intensificando ainda mais a tensão criada na semana passada entre Christine e o irmão. Dale, por sua vez, livre de Trinity, participa no que talvez seja o plot mais “aleatório” do episódio, mas também o mais tocante. Nicole, sua ex-mulher, aprece brevemente na venda de garagem com as filhas, e Sarah, a mais velha, que segundo o pai está sob os feitiços dos “Fonzarelli types”, foge da família na garupa da moto do namorado. Em uma atitude que só Dale poderia ter, ele parte em busca da filha com capacetes e camisinhas no banco de trás, mas é surpreendido por uma filha assustada, que só quer voltar para casa. É um dos raros momentos de humanidade que a série proporciona a Dale, invariavelmente quando este está confrontado pela grande temática da série, a família.

Para uma temporada que havia fechado dois dos seus oito episódios até então com uma trágica e inesperada morte, o encerramento de ‘Yard Sale’ é surpreendentemente otimista, e por isso mesmo muito bem-vindo. Em uma montagem que beira a paródia, em slow motion, é difícil não abrir um sorriso com a situação desses personagens, seja Christine tirando fotos com os funcionários do banco em que acerta a questão da herança da mãe, justamente deixada integralmente para a filha, para o descontentamento de Jim, ou Trinity em sue primeiro dia de trabalho no Arby’s, ou mesmo Dale, que perde o cargo de diretor da universidade, superficialmente triste, mas que pode ser o choque de realidade final que precisava para dar um jeito na vida. ‘Yard Sale’ recebe os créditos com uma cena nada menos que incrível, em que Chip desce a estrada com um refrigerante em mãos, patinando. Ao fundo, um caminhão se aproxima cada vez mais, quase o atropela antes de virar à esquerda e revelar a pintura lateral que diz “Gasparov Family Circus”. Chip franza as sombrancelhas, e sai de quadro. Ah, Chip, ainda nos vemos semana que vem, mas a saudade já bate.

REVISÃO GERAL
Nota:
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