Com Bury Me Here, The Walking Dead pode ser considera uma série morta e enterrada.

Depois de começar com uma premiere impecável e sinalizar o sétimo ano como um dos mais importantes que a série já teve, The Walking Dead afunda cada vez mais numa vala comum de clichês e bobagens. Sim, tivemos episódios ruins na primeira metade da temporada, mas o que vejo nessa leva pós-hiato é uma sequência de episódios que se enamoraram do ridículo e que ainda se sentem verdadeiros exemplos de boa dramaturgia. Tudo fica ainda mais grave quando paramos para pensar que restam apenas três semanas para o Season Finale e que no andar em que as coisas andam, possivelmente não veremos o embate com os Salvadores acontecer.

Não é uma grande surpresa toda essa enrolação. A surpresa é a produção do show não ter entendido que poderia ter nos surpreendido com um verdadeiro extermínio de velhos vícios. Com tantas comunidades envolvidas na guerra contra Negan, a série poderia passar um ano inteiro só indo de uma para a outra. O ideal seria privilegiar o ritmo, mas desde quando a série se preocupou com essa questão? Ninguém naquela sala de roteiristas entendeu ainda que eles não sabem fazer drama minimalista, que não serão premiados por esse trabalho e que estão fazendo papel de bobos ao acharem que os roteiros estão sendo complexos, quando só estão sendo pífios.

A série já teve seus maus momentos, sabemos disso. Agora, contudo, algo de piorado parece rondar o set, com efeitos especiais capengas, histórias esticadas ao extremo da irrelevância e uma produção textual que se supera no cafona semana após semana. Já falei aqui sobre como não é culpa da série que O Reino soe tão pastelão com aquele palavreado monárquico, mas quando nos vemos diante de situações de verdadeira tensão, esse deslocamento estranho da realidade soa ainda pior. Bury Me Here parece um pedido de socorro mesmo: não há mais palmos que The Walking Dead possa cavar nesse inerente caminho para a aniquilação.

O Melão da Discórdia 

Ahh, mas não foi um episódio filler… É, acho que é seguro dizer que não. Entretanto, a série já conseguiu um feito inédito na história da televisão: fazer episódios que não podem ser chamados de fillers enquanto são tão chatos quanto um. A razão pela qual não podemos chamar Bury Me Here de filler é porque ele avança o mínimo na história, servindo para abrir a mente de Ezekiel a respeito do conflito com Negan. Mas, através de um plano mirabolante de Richard, sacrifícios precisaram ser feitos em nome desse propósito. Para tanto, precisamos apenas de um melão. 

Cês podem achar que estou só querendo fazer piada, mas juro, não estou. Quando uma produção já te frustrou ao ponto que The Walking Dead me frustrou, fica difícil comprar o drama que eles querem fazer com tudo, até com um simples melão. Sei que a intenção dos roteiristas era usar algo simples para mostrar como os Salvadores são ameaçadores, mas as coisas já estão tão ruins, que ver a fruta sendo tratada com aquela solenidade da cena pré-abertura me fez querer dar muita risada. Sempre brincamos que um dia um episódio só do ponto de vista da Judith vai ser feito com ela andando por Alexandria, mas considerando que os roteiristas lutam cada vez mais para encontrar formas de adiar os eventos, esse dia não me parece tão longínquo.

The Walking Dead 7x13: Bury Me Here
The Walking Dead 7×13: Bury Me Here

Richard já tinha tentado executar um plano doido com a ajuda de Daryl, mas não obteve êxito. Entendo o que a história tentou fazer com isso, mas me parece difícil comprar a ideia a partir do momento em que não importo nem 2% com Richard, Ezekiel, o Reino e até ontem nem mesmo sabia que Benjamin se chamava Benjamin. A série não fortaleceu as bases desse núcleo de forma suficiente para que nos importássemos com quem morre ou vive ali. Não adianta só pegar um episódio, mostrar de modo bem clichê como aquele núcleo é “feliz” (sério, as criancinhas na escola improvisada e o homem erguendo o bebê sorridente foram uma prova de como a série só sabe ser rasteira na sua forma de exemplificar cenários emocionais) e usar metáforas de bolso, como a da praga nas plantações como sendo uma representação dos inimigos. O Reino, até agora, só foi mais uma parada dos personagens principais e uma parada bizarra, com um líder bizarro e diretrizes inverossímeis para um mundo pós-apocalíptico. 

Enfim, o plano de Richard deu certo, o Reino vai agir e Morgan agora vai voltar a matar. Fácil, né? Nem quando soube que Glenn e Abraham tinham tido suas cabeças esmagadas, ele mudou de ideia. Mas, quando Benjamin morreu, sim. E nem vamos falar de Carol, porque toda vez que olho para o que fizeram com a personagem eu tenho vontade de cavar um buraco e escrever Bury Me Here na lápide. Clichês, cafonices, superficialidades e quilos e mais quilos de oportunismo comercial. Isso é o que The Walking Dead está fazendo com sua sétima temporada. Uma temporada moribunda e agonizante, prontinha para desencarnar e ser enterrada a sete palmos do chão. 

Só tem Spin-off e Revival na TV!

Right Bite: Mataram umas pessoas que não importam… De certa forma isso é bom, perdemos menos tempo com elas. 

Random Bite: Carol também teve sua dose de realidade. Vamos ver se ela toma jeito. 

Wrong Bite: Deixa eu pensar… Tudo?

REVISÃO GERAL
Nota
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