Era questão de tempo para que a Christine de Louie Anderson – personagem que venho exaltando aqui desde que Baskets estreou – ganhasse um episódio de fato dedicado à sua personagem. Se essa season 2 deu largada sugerindo um ano bastante centrado em Chip, que protagonizou quase sozinho os capítulos iniciais, de alguns episódios para cá o foco passou a ser compartilhado igualmente por Christine e o filho. ‘Denver’ não só é um bom episódio como é um dos melhores que Baskets já realizou, o que não é nada surpreendente já que se sustenta quase integralmente no talento arrebatador de Anderson e do carisma irresistível de uma das personagnens mais fascinantes da televisão americana em 2017.

‘Denver’ é um dos episódios mais sutis e inteligentes da série até aqui, um que conhece seu público e sabe convida-lo para compor a obra em conjunto. Nos minutos iniciais, a atmosfera instalada é de solidão sepulcral. Inconscientemente ilhada no hotel em que fez o check-in em Denver, Christine deixa uma mensagem de voz para Ken a qual que somos guiados a crer que não receberá resposta. O trabalho de Anderson é delicado, como sempre, e as inquietudes de sua personagem são expressos em detalhes escondidos, um virar de olhos, um arrumar de cabelos. Ansiosa, a mãe põe-se a ligar para os filhos, todos os quatro: para Dale primeiro, para pedir-lhe um favor, sem sucesso. Depois, para Chip, que aceita o pedido sem problemas. E, por fim, para os Loco Brothers, dos quais apenas um atende. É interessante notar a mudança de chave de Christine quando conversa com os dois pares de irmãos, sempre animada e orgulhosa com Cody e Logan, e sempre frustrada, exausta quando com Chip e Dale.

É esse set-up que torna tão impactante a sequência da visita de Christine à casa de Ken, onde conhece suas duas outras filhas. Para cada beat que Christine se mostra confortável, apreciando as companhias, há outro de melancolia disfarçada, por sua família não corresponder aquela realidade, uma realidade ideal na fachada, um desconforto frente a life not lived – para os outros orfãos de Mad Men por aí. O contraposto é dado pelo plot de Chip, em Bakersfield, que precisa cumprir a missão simples de levar a avó ao médico, e ainda assim fracassa, incapaz de confrontar a grandma, que prefere encontrar com um grupo de amigos em um cassino. Quando finalmente a convence a partir para o consultório, Chip é surpreendido por sua morte enquanto dança para entreter os colegas, uma morte que espelha a de Morpheus no espetacular episódio piloto dessa temporada, mais uma perda dolorosa em sua vida. I’m sorry, ele diz para Christine no aeroporto. I’m sorry too, ela responde.

Outra vez, Baskets nos deixa na expectativa para o que vem a seguir após um acontecimento trágico que promete, talvez mais do que nunca, mudar as dinâmicas da temporada, o relacionamento de Christine com Ken, a conturbada carreira de Chip, que finalmente parecia ter se estabilizado no início de ‘Denver’, e também a amizade de Martha e Chip, já que este sempre lida com traumas de uma forma explosiva, impulsiva. Parece evidente que algo grande precisa acontecer na família Baskets para evitar algum tipo de implosão maior, talvez Chip precise voltar para a estrada, ou, quem sabe, seja Christine quem deve buscar uma nova vida ao lado de Ken, em Denver. Em 2017, não há certezas para Baskets além da certeza de que estamos na espera para a reta final de uma temporada quase impecável.

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