Depois de uma estreia voltada a colocar as peças em seus lugares para que a ação possa se desenvolver, fomos apresentados a cara que The Good Fight quer ter. Apesar de ter em Diane Lockhart uma protagonista incrível, First Week veio para mostrar que ela está muito bem acompanhada com Maia e Lucca e que a série sabe o que seu público quer, entregando um excelente episódio.
A chegada de Diane à nova firma aconteceu com bem menos tensão que o esperado, tendo sido deixada um pouco de lado e ocupando um espaço menor no episódio. Nem por isso alguns momentos interessantes deixaram de acontecer, a começar pela piada de David Lee (que só precisa estar presente em espírito para ser ótimo). Mas temos que celebrar mesmo foi o retorno de Marissa, que pelo visto ficou perdida na firma anterior. A personagem já era ótima e vê-la atuando ao lado de Diane vai render bons momentos. Marissa deve agir como a investigadora da firma, mas ao mesmo tempo deve continuar servindo como alívio cômico, algo que ela faz muito bem.

Diane também esteve presente em um momento crucial do episódio para o andamento da série: afinal Henry Rindell é culpado? A trama do pai de Maia se mostra como a espinha dorsal da temporada e o o ar de dúvida dominou. Ainda é cedo para afirmarmos com certeza que Henry é inocente, mas tudo aponta para isso e as evidências vão apontando neste rumo. O aparente caso de Lenore Rindell com o sócio do marido é uma evidência disso e seu grau de envolvimento no esquema parece ser a verdadeira dúvida da vez.
Mas quem brilhou no episódio foram Maia e Lucca. A primeira, ainda se integrando à nova realidade, finalmente pôde ter um pouco de sossego e exercer sua profissão em relativa paz. Maia é relativamente inexperiente e acho bom vermos essa evolução da personagem que, aos poucos vai crescendo como advogada. Sim, isso lembra muito a jornada de Alicia em The Good Wife, ainda mais se considerarmos que também há um arco de redenção envolvido, mas considero que Rose Leslie trouxe uma personagem bem construída e, principalmente, carismática, o que ajuda a afastar alguma rejeição a esta trama. É impossível não simpatizar com Maia quando ela vive problemas internos tão grandes. Convenhamos que a mãe dela não ajudou muito fingindo um câncer, mas o fato de ela tentar aprender técnicas de interrogatório para saber se a mãe mente ou não só mostra o grau de desespero dela.
Já Lucca teve ótimos momentos, apesar de não ter tido um arco desenhado ainda. A começar pelo momento de racismo velado na fila de atendimento aos clientes, onde ficou clara a frustração dela com a situação. Porém, nada vai superar sua disputa com a advogada rival, carregada de ironia e provocações da melhor qualidade. Lucca também se mostrou uma boa mentora para Maia, meio que ofuscando esta função que seria um dos destaques de Diane na temporada.
Além disso, ainda tivemos um caso da semana pra ninguém botar defeito. Além de se relacionar bem organicamente com a trama de Maia, o cliente era muito fácil de se relacionar. O julgamento foi interessante e trouxe o ponto alto do episódio, a presença do maravilhoso Denis O’Hare, de volta como o querido juiz Charles Abernathy. Foi o toque que faltava para trazer toda a nostalgia e o clima de que estávamos vendo algo digno de suceder The Good Wife (em seus tempos áureos). O twist final de que o cliente escondia uma mentira do passado também ajudou a elevar o nível do episódio.

Este segundo episódio serviu para mostrar que The Good Fight é sim uma boa série e que trouxe consigo o melhor de The Good Wife, sabendo usar bem os coadjuvantes e os convidados, além de entreter sem fugir muito da clássica fórmula de procedural. A série ainda precisa fazer alguns ajustes, como definir um caminho melhor para Lucca, dar pra ela um plot só dela, mas segue com um saldo imensamente positivo até aqui.
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Notas de um julgamento em First Week:
- Qual a necessidade de colocar Diane pra gerar problemas para Lucca com a troca de sala? Desnecessário.
- Escolha de casos baseada em algoritmo: interessante, mas por enquanto só se mostrou como ferramenta para ganhar tempo.
- Marissa melhor detetive que você respeita.
- Imaginando David Lee planejando a piada com Diane e rindo disso.
- Quero juiz Abernathy com seus óculos de sol com grau em todos os julgamentos.
- Precisam tornar os sócios da nova firma interessantes imediatamente.















