Não precisou de muito malabarismo para que Back Where You Belong fosse um episódio absolutamente melhor que seus três antecessores. Uma semana boa, na qual as coisas e os casos fluíram bem, onde personagens e público foram desafiados a pensar a partir de histórias simples, mas que foram criadas com objetivo.

É só isso que pedimos. Ninguém aqui precisa de desastres, de reviravoltas amorosas a toda hora. Sempre admirei muito a capacidade de Grey’s em fazer um arroz com feijão bem temperadinho, porque os miolos de temporada, especialmente em séries de vida tão longa, é que fazem a gente ficar e assistir mais. É isso que nos faz gostar da temporada como um todo, mesmo quando um (ou três) episódios cocozentos aparecem para atrapalhar. Estou confiante de que viramos a página e que o 2017 de Grey’s Anatomy começa agora, no meio do Carnaval.

Tudo em Back Where You Belong foi interessante. A começar pelo dilema do transplante de rim, que nos trouxe mais uma vez a história de Wilson. Acho que a atriz carrega bem essa aura de pânico, necessária para que entendamos, pelo menos em parte, o pavor que é ser constantemente agredida, física e emocionalmente. Ela parece sempre lívida e paralisada, em constante estado de alerta e essas não são sensações simples de passar.

As reações dela à presença daquele homem agressor tentando sim, ser o herói e achar uma brecha para voltar à vida da esposa e do filho, foram muito bem trabalhadas e sua reação mais ainda. Wilson, mesmo vivendo um turbilhão de emoções e revivendo seus medos ali, agiu para ajudar alguém cuja dor ela entendia. Ela foi a única a realmente compreender a situação em sua magnitude.

Grey’s Anatomy 13x14: Back Where You Belong
Grey’s Anatomy 13×14: Back Where You Belong

O mesmo aconteceu com Riggs e a paciente esquizofrênica. Maggie não conseguia ver o todo por não ter uma experiência próxima, mas ele sabia o peso da culpa, de desistir, se querer seguir em frente sem jamais poder de verdade. Um terror constante e esmagador.

Enquanto debates de vida ou morte tomavam conta do hospital, Bailey continua lidando com a resistência às mudanças no hospital. Honestamente, já não sei qual será o desfecho desse arco, mas arrisco que encontraremos um meio termo. Minnick veio para ficar e isso está claro. Ainda não sei se o casal com Arizona vai dar certo como deu na Era Callie, mas o plano é que ela fique aí e ganhe espaço, ao que parece. Só que a arrogância da personagem vai ter que diminuir eventualmente, no que diz respeito ao “eu não trabalho em conjunto”, que foi o que de fato causou todo o problema que estamos vendo.

Desde o começo, Richard estava empolgado em ter uma nova colega e trazer novas perspectivas. Sua reação (e a reação de todos) veio apenas depois de ele ser excluído totalmente do processo e demovido de cargo. Já vimos que o método de Minnick tem seus prós e contras, então, ela também precisa rever algumas práticas.

A conversa de Bailey com Meredith teve tom de frustração e me fez ter mais empatia pela nova Chief. Não é fácil tomar decisões impopulares e mantê-las quando mesmo quem deveria te apoiar, mostra-se contra. Ao mesmo tempo, Meredith tem seus motivos e não é do tipo que vai mudar de posição por medo de desagradar o chefe. Mais uma vez, parece que caminhamos para o meio termo, já que Richard também não deseja prejudicar ninguém e já se posiciona de forma mais branda.

> Logan é o Melhor Filme do Universo Marvel?

No Bloco do Não Aguento Mais, ainda temos Amelia, que agora ressurgiu para esconder na casa de Meredita numa crise existencial que nunca termina. Quando ela resolver voltar à rotina vai achar Owen partindo para outra. Ok, ele não vai fazer isso, mas deveria. Assim como Avery deveria parar de ser colega de quarto de April e seguir em frente. Está chato sim e não é pouco. Não nego que gostei das cutucadas que ele deu, citando roubo de empregos e traição. April com aquela cara enfurecida, não tem preço.

Artigo anteriorThe Good Fight 1×02: First Week
Próximo artigoSkam – 2ª temporada: Seja Amável, Sempre!